Opinião

Ney Lopes de Souza (19.02.2006)

E-MAIL 

 

COLIGAÇÃO: GANHAR O QUÊ?

 

            Fiz recentes declarações à imprensa, onde foi atribuída a mim a frase: “vou ganhar o quê no palanque com o PMDB?”. Tudo a propósito da possível aliança PFL-PMDB no Estado.

            É necessário completar o meu pensamento para evitar interpretações distorcidas. Opino o seguinte:

1. Cabe ao líder JA conduzir o PFL-RN e nós seus liderados aguardarmos as suas decisões. Até agora, não foi “batido o martelo”, nem com o PMDB, nem com o PSB. O senador José Agripino anuncia que ouvirá o Partido, antes.

2. Não se pode, todavia, “tapar o céu com uma peneira” e dizer que não existem “entendimentos” PMDB/PFL. Os líderes Garibaldi e José Agripino confirmaram em entrevistas. Logo, apressado, precipitado e autoritário será quem condene Getúlio Rego, José Adécio, Leonardo Rego, Ney Lopes e outros pelo fato de terem falado à imprensa sobre este possível acordo. É um direito de cada um. Afinal, estamos num partido democrático. Houve também pefelistas, que opinaram a favor. Seriam também açodados? Ou, açodado é quem condena a liberdade de expressão política?

3. A minha posição partidária é, prioritariamente, seguir a liderança do Senador José Agripino, colaborando para a sua indicação à vice-presidência da República. Caso não se consume, acho que ele deve ser o candidato a governador do PFL no Estado. Para isto, renuncio todos os projetos pessoais, visando fortalecê-lo. Na hipótese do PFL-RN caminhar para uma coligação local aceito o entendimento com PMDB, PSB e até PV, PP, PCdoB, PT e outros, caso concordem. Não veto ninguém, nem estimulo radicalizações.

4. Esclareça-se, que em qualquer entendimento político surge a natural pergunta: ganhar o quê com a união de legendas? Quando só um lado ganha, a união não é boa. Fiz justamente esta pergunta em entrevista a um matutino local. Jamais pensando em interesse pessoal, ou busca de votos. Quem me conhece sabe que não ajo assim. Chamei de “ganhar o quê” a preservação da coerência, da dignidade, da ética, sem transparecer que os partidos estariam negociando em torno de interesses subalternos ou personalísticos. O povo não aceitará essa história de que grupos antagônicos unidos são imbatíveis. A união precisa ser “racional”.

5. A pergunta “Ganhar o quê?” para mim significa o entendimento com o PSB, PMDB ou qualquer partido, em torno de uma “agenda positiva para o RN”, geradora de empregos e oportunidades para todos, que envolva compromissos públicos de luta pela área de livre comércio (poderá existir aeroporto sem área livre; mas não existirá área livre sem aeroporto); investimentos no pólo gás-petrolífero de Guamaré, sobretudo a fábrica de PVC, defendida pelo senador José Agripino; inclusão do Vale do Apodi na Transposição do São Francisco e incremento na região da fruticultura e mel de abelha para exportação; incentivo à produção de álcool, biodissel e respectivas matérias primas, já que estas fontes de energia crescem no mundo; inclusão do RN na ferrovia Transnordestina; plano de saúde pública estadual com base em hospitais pilotos de excelência médica nas várias regiões; política educacional voltada para a pré-escola, ensino profissionalizante e criação de centros universitários no agreste (incluindo região central), seridó, mato grande (região salineira) e ampliação no Oeste, além de outras prioridades.

6. Após aprovada a “agenda positiva para o RN”, os partidos analisariam aqueles candidatos com maiores condições pessoais de torná-la realidade. Aí se justificaria qualquer tipo de união, sem exceções. O interesse público estaria preservado e caberia a frase recente do senador José Agripino: “O passado não pesará. Faço política com racionalidade”. Concordo em gênero, número e grau.

7. Lembro, por oportuno, que em 2004, o PFL apoiou no segundo turno o candidato Luiz Almir, à Prefeitura de Natal, o qual pertencia ao PSDB e não ao PMDB. O antagonismo PFL/PSB, à época, era por conta de quebra de compromisso. E quem quebra compromisso em política perde a autoridade e a credibilidade. Mas, é o caso de repetir JA, que “o passado não pesará”, desde que se discuta, agora, em torno de uma “agenda positiva para o RN” e não de nomes.

 

ACONTECE

 

In memoriam (I)

            Faleceu o empresário Djalma Vieira Diniz. Natural de Alexandria pertencia a uma família de 12 irmãos, todos dedicados ao comércio. Homem de larga visão. Deixa lacuna impreenchível no empresariado potiguar.

In memoriam (II)

            O médico Hiram Digo Fernandes foi velado em Natal, na última segunda. Professor da UFRN sempre se revelou profissional de alta competência. A classe médica está enlutada com o seu desaparecimento.

Dívida rural

            Será o caso de uma verdadeira “cruzada parlamentar” no Congresso Nacional para derrubar o veto presidencial, caso ocorra, no projeto de lei já aprovado na Câmara e no Senado, que repactua dívidas oriundas de operações de crédito rural, contratadas até dezembro de 2000, na área de atuação da Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene).

A proposta

            A proposta é justa, considerando as condições atípicas do Nordeste, onde o índice de inadimplência é de 40% dos financiamentos rurais e o produto bruto interno da região vem caindo desde 1990. Pelo projeto aprovado, haverá um prazo de 25 anos para amortização, incluídos quatro anos de carência. O pagamento em dia terá o incentivo do desconto de 3% sobre o saldo devedor.

 

COLUNAS ANTERIORES:

ERRO SEM PERDÃO  (05.02.2006)

PFL E PSDB (12.02.2006)

Busca no GigaBusca

Marketing - Marketing na Internet, eBook Marketing, Email Marketing, Marketing Sites de Busca, Marketing Viral.

TOPO

MENU

INDIQUE SITES

CIDADES DO RN

FALE CONOSCO