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Fiz recentes declarações à imprensa, onde foi
atribuída a mim a frase: “vou
ganhar o quê no palanque com o PMDB?”. Tudo a
propósito da possível aliança PFL-PMDB no Estado.
É necessário completar o meu pensamento para
evitar interpretações distorcidas. Opino o seguinte:
1.
Cabe ao líder JA conduzir o PFL-RN e nós seus
liderados aguardarmos as suas decisões. Até agora, não
foi “batido o martelo”, nem com o PMDB, nem com o
PSB. O senador José Agripino anuncia que ouvirá o
Partido, antes.
2.
Não se pode, todavia, “tapar
o céu com uma peneira” e dizer que não existem
“entendimentos” PMDB/PFL. Os líderes Garibaldi e
José Agripino confirmaram em entrevistas. Logo,
apressado, precipitado e autoritário será quem condene
Getúlio Rego, José Adécio, Leonardo Rego, Ney Lopes e
outros pelo fato de terem falado à imprensa
sobre este possível acordo. É um direito de cada um.
Afinal, estamos num partido democrático. Houve também
pefelistas, que opinaram a favor. Seriam também açodados?
Ou, açodado é quem condena a liberdade de expressão
política?
3.
A minha posição partidária é, prioritariamente,
seguir a liderança do Senador José Agripino,
colaborando para a sua indicação à vice-presidência
da República. Caso não se consume, acho que ele deve
ser o candidato a governador do PFL no Estado. Para
isto, renuncio todos os projetos pessoais, visando
fortalecê-lo. Na hipótese do PFL-RN caminhar para uma
coligação local aceito o entendimento com PMDB, PSB e
até PV, PP, PCdoB, PT e outros, caso concordem. Não
veto ninguém, nem estimulo radicalizações.
4.
Esclareça-se, que em qualquer entendimento político
surge a natural pergunta: ganhar
o quê com a união de legendas? Quando só um lado
ganha, a união não é boa. Fiz justamente esta
pergunta em entrevista a um matutino local. Jamais
pensando em interesse pessoal, ou busca de votos. Quem
me conhece sabe que não ajo assim. Chamei de “ganhar
o quê” a preservação da coerência, da
dignidade, da ética, sem transparecer que os partidos
estariam negociando em torno de interesses subalternos
ou personalísticos. O povo não aceitará essa história
de que grupos antagônicos unidos são imbatíveis. A
união precisa ser “racional”.
5.
A pergunta “Ganhar
o quê?” para mim significa o entendimento com o
PSB, PMDB ou qualquer partido, em torno de uma “agenda
positiva para o RN”, geradora de empregos e
oportunidades para todos, que envolva compromissos públicos
de luta pela área de livre comércio (poderá
existir aeroporto sem área livre; mas não existirá área
livre sem aeroporto); investimentos no pólo gás-petrolífero
de Guamaré, sobretudo a fábrica de PVC, defendida pelo
senador José Agripino; inclusão do Vale do Apodi na
Transposição do São Francisco e incremento na região
da fruticultura e mel de abelha para exportação;
incentivo à produção de álcool, biodissel e
respectivas matérias primas, já que estas fontes de
energia crescem no mundo; inclusão do RN na ferrovia
Transnordestina; plano de saúde pública estadual com
base em hospitais pilotos de excelência médica nas várias
regiões; política educacional voltada para a pré-escola,
ensino profissionalizante e criação de centros
universitários no agreste (incluindo região central),
seridó, mato grande (região salineira) e ampliação
no Oeste, além de outras prioridades.
6.
Após aprovada a “agenda
positiva para o RN”, os partidos analisariam
aqueles candidatos com maiores condições pessoais de
torná-la realidade. Aí se justificaria qualquer tipo
de união, sem exceções. O interesse público estaria
preservado e caberia a frase recente do senador José
Agripino: “O
passado não pesará. Faço política com
racionalidade”. Concordo em gênero, número e
grau.
7.
Lembro, por oportuno, que em 2004, o PFL apoiou no
segundo turno o candidato Luiz Almir, à Prefeitura de
Natal, o qual pertencia ao PSDB e não ao PMDB. O
antagonismo PFL/PSB, à época, era por conta de quebra
de compromisso. E quem quebra compromisso em política
perde a autoridade e a credibilidade. Mas, é o caso de
repetir JA, que “o
passado não pesará”, desde que se discuta,
agora, em torno de uma “agenda positiva para o RN” e
não de nomes.
ACONTECE
In memoriam (I)
Faleceu o empresário Djalma Vieira Diniz.
Natural de Alexandria pertencia a uma família de 12 irmãos,
todos dedicados ao comércio. Homem de larga visão.
Deixa lacuna impreenchível no empresariado potiguar.
In memoriam (II)
O médico Hiram Digo Fernandes foi velado
em Natal, na última segunda. Professor da UFRN sempre
se revelou profissional de alta competência. A classe médica
está enlutada com o seu desaparecimento.
Dívida rural
Será o caso de uma verdadeira “cruzada
parlamentar” no Congresso Nacional para derrubar o
veto presidencial, caso ocorra, no projeto de lei já
aprovado na Câmara e no Senado, que repactua dívidas
oriundas de operações de crédito rural, contratadas
até dezembro de 2000, na área de atuação da Agência
de Desenvolvimento do Nordeste (Adene).
A proposta
A proposta é justa, considerando as condições
atípicas do Nordeste, onde o índice de inadimplência
é de 40% dos financiamentos rurais e o produto bruto
interno da região vem caindo desde 1990. Pelo projeto
aprovado, haverá um prazo de 25 anos para amortização,
incluídos quatro anos de carência. O pagamento em dia
terá o incentivo do desconto de 3% sobre o saldo
devedor.
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