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A
MÃE DE MÃE LUIZA
Madrugada do sábado, 14 passado. Soprava o
vento frio de sempre no Morro de Mãe Luiza, em Natal.
Aproximava-se o alvorecer. A desempregada Luciene Gomes
dos Santos, grávida de oito meses, esperava uma filha.
Voltava para casa.
Ela não sabia que aquela noite já deitando no
horizonte seria a mais soturna e fúnebre da sua vida.
De repente, ouviu fortes e súbitos sons de armas de
fogo. Era um tiroteio entre policiais e marginais. Não
deu tempo para que se protegesse. Até porque não
antevia o perigo iminente.
Ocorre o trágico. Uma
bala perdida atinge Luciene. Ela sobrevive. A sua filha
de oito meses, morre indefesa na barriga da mãe. O
nascituro já tinha direito à vida. Na Universidade de
Tenessee nos EEUU existe uma foto de Paul Harris, onde
um feto de 21 semanas une a sua mãozinha à do médico.
Imagine quem já tinha 32 semanas de concepção.
Tudo isto ocorreu em
Natal. Em pleno século XXI. Ato semelhante ao genocídio
de Hitler, gerado pela violência e incerteza de uma
cidadã andar nas ruas tortuosas do seu bairro humilde.
Imagino a dor e a solidão
de Luciene. A lembrança daquela filha que não
conhecera; o resultado do seu amor, da sua vida. Como
dizia Fernando Pessoa “o
único mistério é haver quem pense no mistério”.
Certamente, Luciene acha todo o ocorrido ainda um mistério.
E em Mãe Luiza sente nas noites de angustia o soprar
dos ventos alísios, que na eternidade abrigam a sua
filhinha, na morada dos justos.
Luciene a exemplo dos
habitantes do seu morro continuará a caminhar no mar
revolto da insegurança pública. Todos cantarão como
Antonio Machado – o poeta espanhol: “Caminhantes
não há caminhos; mas sim estrelas no mar”. A mãe
de Mãe Luiza percebe a distancia essas estrelas no mar
azul à sua frente. Sente a dor da saudade da filha,
concebida nas suas entranhas, como no verso de Chico
Buarque: “oh,
pedaço de mim; oh pedaço amputado de mim”. Morreu sem nome, vítima dos homens. Do egoísmo. Da
crueldade. Da desproteção coletiva.
A tragédia de Mãe
Luiza aumenta a responsabilidade da cidadania no combate
a violência, ante a certeza de que a segurança pública
é negada até aqueles que vivem no ventre materno. Como
aceitar tudo isto? Justifica-se a indignação coletiva
para que tais fatos não se repitam.
Espera-se que outros
conterrâneos – já nascidos ou nascituros - não
amarguem o mesmo destino fatídico. Luciene continuará
na sua recôndita amargura em busca da filha que não
conheceu. Certamente, leva consigo o sentimento de Cecília
Meireles, quando disse que a vida é escrita em areias
claras, porém os sonhos são desenhados no andar e “dedicados
aos ventos”. Tudo porque, a cidade e o Estado onde
vive não lhe deram o direito e a segurança para que a
sua filha nascesse em paz.
ACONTECE
Fernando Gasparian
Faleceu em São Paulo,
o meu grande amigo ex-deputado federal Fernando
Gasparian. Filho de uma das famílias paulistas mais
tradicionais tornou-se ferrenho defensor das causas
nacionalistas. Foi o autor na Constituinte do artigo que
limita a cobrança de juros em 12% ao ano. Quando não
se reelegeu em 1994, indiquei-o para Diretor Geral do
Parlamento Latino Americano, que acabara de instalar a
sua sede própria em SP. Ficamos amigos. Dele recebi
muitas lições de lealdade e amizade. Homenageio a sua
memória como a de um dos brasileiros mais honestos e
firmes em suas convicções políticas, doutrinárias e
ideológicas.
Coronel Felinto Elísio
Aprendi a admirar o Dr.
Max Cunha de Azevedo desde a época em que era militante
secundarista, na política estudantil, em Natal. Ele era
inspetor do MEC no Estado. Homem de bem. Demonstrava
habilidade na convivência com a juventude. Herdou a têmpera
e a altivez do Patriarca do Seridó, Coronel Felinto Elísio
de Oliveira Azevedo - o seu avô - a quem acaba de
homenagear com o lançamento de um livro biográfico
sobre aquele líder político potiguar. O livro do Dr.
Max é leitura obrigatória para quem deseje acompanhar
a tradição política e ética norte-rio-grandense.
Trabalhadores na indústria
Instala-se terça próxima
no Centro de Treinamento Educacional de Luziania, Goiás,
o 8° Congresso Nacional dos Trabalhadores Industriários
do plano da CNTI (Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Indústria).
Do RN seguirá delegação chefiada pelo líder
sindical Pedro Ricardo Filho, 2° secretário da região
nordeste. Maiores informações sobre o evento no site cnti@tecnetrn.com.br
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Transnordestina
Um projeto de lei
(6372-2005) em tramitação de minha autoria, terá a
maior influencia no futuro do Rio Grande do Norte.
Trata-se da recolocação do nosso Estado no trajeto da
ferrovia transnordestina. Estabeleço, por lei, a inclusão
entre as ligações ferroviárias da transnordestina,
constantes do Plano Nacional de Viação, os seguintes
pontos: EF-415 – Macau-Natal – Entroncamento com
EF-101, no RN; EF 101 – Natal – Entroncamento com EF
225 no RN e PB e EF 225 – João Pessoa –
Entroncamento com EF 101, na PB.
Oportunidade no STF
Dependendo de projeto de lei a ser aprovado pelo
Congresso o Supremo Tribunal Federal abrirá
oportunidades de emprego para 262 servidores de nível médio
e superior. Serão 185 vagas para analistas (nível
superior e salário de R$ 5.484.08) e 77 técnicos
judiciários (nível médio e salário de R$ 3.323.72).
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