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A partir dos próximos resultados eleitorais, a
política brasileira sofrerá verdadeiro “tsunami”
(espécie de terremoto). A cláusula de barreira impõe
às pequenas e médias legendas alcançarem 5% dos votos
nacionais para deputado federal, cerca de 4,5 milhões
de votos, sendo 2% destes distribuídos, em pelo menos
nove Estados.
Segundo as previsões, a Câmara dos Deputados
terá cinco ou, no máximo, seis partidos em 2007. Mais
de 70% dos partidos perderão direito a quase todo fundo
partidário, tempo de televisão, além de não fazerem
jus aos benefícios de indicação de lideranças e
comissões no Congresso.
A responsabilidade maior será a do eleitor.
Votar em um deputado cujo partido não apresente chance
de superar a cláusula de barreira significará correr o
risco de não saber para onde ele irá depois. Se o
eleitor deseja votar contra ou a favor do governo, terá
de fazer firme avaliação prévia, para não se
decepcionar.
Os analistas políticos formulam hipóteses.
Quatro partidos ultrapassariam, sem riscos, a cláusula
de barreira: PT, PSDB, PMDB e PFL. Enfrentarão
dificuldades, mas têm chances de ultrapassar: PTB, PP e
PSB. Partidos que, certamente, partirão para fusões ou
incorporações pós-eleição: PL, PCdoB, PDT, PPS e
PV. Partidos com chances muito reduzidas: PSol, PMN,
PSC, PRP, PTdoB, PTC, Prona, PTN, PSTU, PSL, PCB, PRTB,
PHS, PSDC, PCO, PAN e PRB. Tudo pode mudar. Afinal, o
voto é livre.
REFORMA
POLÍTICA
Considero que o novo Congresso fará a reforma
política, pressionado pela atual campanha, a mais difícil
da história republicana, do ponto de vista do
financiamento. A classe política aceitará na
“marra” o princípio do faz ou racha. Os comentários
dos bastidores das campanhas são de que a “pedida”
dos mercadores de votos está superior a pleitos
anteriores, tudo em razão de meia dúzia de
“compradores de mandatos”, ainda em liberdade. Os
“farristas eleitorais”, amparados pela impunidade,
abastecem-se, direta ou indiretamente, do orçamento público,
ou dos lobbies suspeitos. Os sinais, indícios e presunções
são claros como a luz do meio dia. A Justiça e o
Ministério Público avançam positivamente. Isto não
se pode negar.
Sou otimista em relação ao futuro político do
país. O Presidente ou os Governadores eleitos terão
mais facilidade para negociar com menor número de
partidos. Preocupa-me a possibilidade de extinção de
siglas respeitáveis, como PCdoB, PV, PDT, PPS e outras.
A aprovação, pós-eleição, da “Federação de
Partidos” permitirá manter a individualidade das
estruturas partidárias e evitar a fusão ou a incorporação.
Este “tsunami” poderia ter sido evitado, se
aprovada a reforma política. Ela fortaleceria os
partidos, a fidelidade partidária, o financiamento público
de campanha, a votação de lista, a proibição de
coligações proporcionais, enfim, as condições de
governabilidade ética no país. O Pacto de Moncloa, na
Espanha, e La Consertácion, no Chile, foram acordos que
fixaram princípios de política pública, acima dos
partidos.
O Brasil não seguiu aqueles exemplos. Por isto,
passará pelo “tsunami” de 1° de outubro. O eleitor
poderá reduzir os efeitos, caso vote conscientemente e
afaste da vida pública os corruptos e verdadeiros
candidatos a futuros “sanguessugas”. Se assim não
agir, perderá o direito de reclamar e protestar. Os
“mensaleiros” sobreviverão para novas aventuras,
livres, fagueiros, vitoriosos e o mais grave: campeões
de votos.
ACONTECE
O
diplomata da sociedade
Muito significativa a homenagem póstuma dos
amigos do engenheiro Moacyr Maia, com a publicação do
livro “O diplomata da sociedade”. Coletânea de
depoimentos. Todos expressivos e sinceros. Qualifiquei
Moacyr como “o jardineiro das amizades”. Violeta,
esposa e amiga, arrancou do fundo do coração a expressão
que resume, no livro, o seu estado de espírito: “tem
sido muito difícil viver sem ele”. Felizes aqueles
que partem e deixam pessoas recordando a sua imagem em
vida.
Talento
potiguar
O potiguar Clodoaldo Silva volta a orgulhar o RN
e o Brasil. Acaba de conquistar mais uma medalha de
ouro, em competição de natação realizada na
Inglaterra. Em 2006, já recebeu 21 medalhas, sendo 18
de ouro e 3 de prata.
Lembrança
Exemplo de alegria e ternura humana foi, em vida,
Ivanete de Souza Cruz – Neta. Conheci-a e privei da
sua amizade. Levava consigo a chama acesa do otimismo.
Deus sabe o que faz. Neta estará na eternidade com as
mesmas luzes que lhe deram força para viver, criar o
seu filho, acompanhar os seus netos, cultivar as
amizades. O vazio da sua ausência ficará entre os que
privaram do seu convívio de permanente entusiasmo pela
vida.
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