Opinião

Ney Lopes de Souza (23.07.2006)

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O “TSUNAMI” DE 2006

            

            A partir dos próximos resultados eleitorais, a política brasileira sofrerá verdadeiro “tsunami” (espécie de terremoto). A cláusula de barreira impõe às pequenas e médias legendas alcançarem 5% dos votos nacionais para deputado federal, cerca de 4,5 milhões de votos, sendo 2% destes distribuídos, em pelo menos nove Estados.

            Segundo as previsões, a Câmara dos Deputados terá cinco ou, no máximo, seis partidos em 2007. Mais de 70% dos partidos perderão direito a quase todo fundo partidário, tempo de televisão, além de não fazerem jus aos benefícios de indicação de lideranças e comissões no Congresso.

            A responsabilidade maior será a do eleitor. Votar em um deputado cujo partido não apresente chance de superar a cláusula de barreira significará correr o risco de não saber para onde ele irá depois. Se o eleitor deseja votar contra ou a favor do governo, terá de fazer firme avaliação prévia, para não se decepcionar.

            Os analistas políticos formulam hipóteses. Quatro partidos ultrapassariam, sem riscos, a cláusula de barreira: PT, PSDB, PMDB e PFL. Enfrentarão dificuldades, mas têm chances de ultrapassar: PTB, PP e PSB. Partidos que, certamente, partirão para fusões ou incorporações pós-eleição: PL, PCdoB, PDT, PPS e PV. Partidos com chances muito reduzidas: PSol, PMN, PSC, PRP, PTdoB, PTC, Prona, PTN, PSTU, PSL, PCB, PRTB, PHS, PSDC, PCO, PAN e PRB. Tudo pode mudar. Afinal, o voto é livre.

REFORMA POLÍTICA     

             Considero que o novo Congresso fará a reforma política, pressionado pela atual campanha, a mais difícil da história republicana, do ponto de vista do financiamento. A classe política aceitará na “marra” o princípio do faz ou racha. Os comentários dos bastidores das campanhas são de que a “pedida” dos mercadores de votos está superior a pleitos anteriores, tudo em razão de meia dúzia de “compradores de mandatos”, ainda em liberdade. Os “farristas eleitorais”, amparados pela impunidade, abastecem-se, direta ou indiretamente, do orçamento público, ou dos lobbies suspeitos. Os sinais, indícios e presunções são claros como a luz do meio dia. A Justiça e o Ministério Público avançam positivamente. Isto não se pode negar.

            Sou otimista em relação ao futuro político do país. O Presidente ou os Governadores eleitos terão mais facilidade para negociar com menor número de partidos. Preocupa-me a possibilidade de extinção de siglas respeitáveis, como PCdoB, PV, PDT, PPS e outras. A aprovação, pós-eleição, da “Federação de Partidos” permitirá manter a individualidade das estruturas partidárias e evitar a fusão ou a incorporação.

            Este “tsunami” poderia ter sido evitado, se aprovada a reforma política. Ela fortaleceria os partidos, a fidelidade partidária, o financiamento público de campanha, a votação de lista, a proibição de coligações proporcionais, enfim, as condições de governabilidade ética no país. O Pacto de Moncloa, na Espanha, e La Consertácion, no Chile, foram acordos que fixaram princípios de política pública, acima dos partidos.

            O Brasil não seguiu aqueles exemplos. Por isto, passará pelo “tsunami” de 1° de outubro. O eleitor poderá reduzir os efeitos, caso vote conscientemente e afaste da vida pública os corruptos e verdadeiros candidatos a futuros “sanguessugas”. Se assim não agir, perderá o direito de reclamar e protestar. Os “mensaleiros” sobreviverão para novas aventuras, livres, fagueiros, vitoriosos e o mais grave: campeões de votos.

ACONTECE

O diplomata da sociedade

            Muito significativa a homenagem póstuma dos amigos do engenheiro Moacyr Maia, com a publicação do livro “O diplomata da sociedade”. Coletânea de depoimentos. Todos expressivos e sinceros. Qualifiquei Moacyr como “o jardineiro das amizades”. Violeta, esposa e amiga, arrancou do fundo do coração a expressão que resume, no livro, o seu estado de espírito: “tem sido muito difícil viver sem ele”. Felizes aqueles que partem e deixam pessoas recordando a sua imagem em vida.    

Talento potiguar

            O potiguar Clodoaldo Silva volta a orgulhar o RN e o Brasil. Acaba de conquistar mais uma medalha de ouro, em competição de natação realizada na Inglaterra. Em 2006, já recebeu 21 medalhas, sendo 18 de ouro e 3 de prata.

Lembrança

            Exemplo de alegria e ternura humana foi, em vida, Ivanete de Souza Cruz – Neta. Conheci-a e privei da sua amizade. Levava consigo a chama acesa do otimismo. Deus sabe o que faz. Neta estará na eternidade com as mesmas luzes que lhe deram força para viver, criar o seu filho, acompanhar os seus netos, cultivar as amizades. O vazio da sua ausência ficará entre os que privaram do seu convívio de permanente entusiasmo pela vida.

   

 

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