Opinião

Ney Lopes de Souza (26.03.2006)

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A CLÁUSULA DE BARREIRA

 

            Por quê os partidos médios e pequenos no Brasil, regra geral, não farão coligação oficial com candidatos a Presidente da República, se for mantida a verticalização?

            A principal razão é a “cláusula de barreira”, que finalmente entrará em vigor no Brasil (depois de várias tentativas no passado), a partir dos resultados das eleições de 2006.

            O que é “cláusula de barreira”?

            Trata-se de remédio legal para evitar a proliferação de legendas no país e acabar o mercado persa” da venda de horários de TV e rádio, acesso a fundo partidário etc. Sofri na pele tal drama, quando fui candidato a Prefeito de Natal em 2004. Recebi propostas escabrosas de alguns partidos...

            A “cláusula de barreira” exige desempenho eleitoral mínimo para que o partido possa ter funcionamento parlamentar. São três exigências a preencher: primeiro, obter, pelo menos, 5% da votação nacional – algo em torno de seis milhões de votos apurados para a Câmara Federal, não computados os brancos e nulos. Segundo, os votos devem estar distribuídos, no mínimo, em 1/3 dos Estados - nove estados. Terceiro, o mínimo de 2% do total de votos de cada um dos Estados. A previsão hoje é que, no máximo, sobrevivam oito Partidos políticos.

O QUE ACONTECE AOS ELEITOS

            Os partidos que não satisfaçam as exigências da lei continuarão a existir, sem nenhum cancelamento do registro no TSE. Os parlamentares eleitos tomarão posse normalmente. Ficarão, todavia, “soltos no ar”, sem poder discursar, ocupar vagas em comissões, integrar a mesa-diretora etc. A solução será inscrever-se em outro partido.

            A salvação para os pequenos e médios partidos serão as coligações regionais, somando-se os votos para a Câmara Federal. A maioria fugirá de coligação oficial para a Presidência da República. A sobrevivência de tais partidos dependerá do número de deputados federais eleitos.

CONSEQUENCIAS

            Com a verticalização o PT perderá muitos apoios, significando redução no horário da propaganda gratuita. Isto não atinge a oposição pelo razoável  tempo já assegurado ao PSDB e PFL.

            O PSB poderá ser um dos partidos a não apoiar oficialmente Lula no primeiro turno. Em termos de Rio Grande do Norte, facilita a formação de coligação com PFL, ou até com o PMDB. O objetivo partidário, além da reeleição da Governadora, ou a sua indicação para o Senado, será atingir os índices mínimos previstos na “cláusula de barreira”. Elegendo um deputado federal no Estado o PSB já terá atendido a exigência legal. Numa coligação pode ir além disto.

            A “cláusula de barreira” aplicada isoladamente pouco ajudará na reforma política que o país precisa. Quando apresentei uma emenda constitucional, prorrogando o prazo da anualidade constitucional para 31.12.05 (art. 16, que exige a lei ser aprovada um ano antes da eleição), foi para modernizar a nossa legislação e atender o reclamo popular pela ética e a transparência.

            Nada foi feito. Agora, a única alternativa será o eleitor fazer a reforma política em 3 de outubro. Votar na pessoa certa para o lugar certo. Do contrário, perderá o direito de reclamar e protestar no futuro.

ACONTECE 

DN/ POTI

            Pela 12ª vez e quinta consecutiva o “Diário de Natal” recebeu o prêmio Mérito Lojista como melhor jornal. A solenidade foi em Brasília. A homenagem faz justiça ao trabalho competente de Albimar Furtado, Osair Vasconcelos, Afonso Laurentino e todos os jornalistas e funcionários que integram o tradicional órgão da imprensa potiguar.

Verbas no orçamento

            Continuo em Brasília na luta para liberação das verbas, que legalmente coloquei no Orçamento para os municípios com os quais tinha compromisso político. Caicó é um dos municípios melhor contemplados por mim. Trata-se de ajuda para obras coletivas e do interesse público. Infelizmente, o Governo do PT discrimina a oposição e não tem sido fácil liberar. É importante registrar a iniciativa que tive ao colocar as verbas no OGU.

Concurso (I)

            A Petrobrás abriu inscrições, até 3 de abril, para concurso público em várias áreas. O RN foi contemplado com 26 vagas. Os interessados podem inscrever-se nas agências dos Correios credenciadas ou através da Internet.

Compensação de impostos

            O Diário do Comércio e Indústria (DCI), de São Paulo, no último dia 22, registrou com destaque o projeto de lei de minha autoria  (PL 324/05), (PFL-RN), que permite aos contribuintes — pessoas físicas e jurídicas — compensarem suas dívidas com eventuais créditos que tenham com a Fazenda pública federal, estadual, distrital ou municipal. Cito na proposta que o Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966) já prevê que a lei pode “autorizar a compensação de créditos tributários, vencidos ou vincendos, do contribuinte contra a fazenda pública”. Este projeto está encontrando grande apoio e receptividade no meio de lideranças empresariais de todo o país.

Talento potiguar

            A jornalista Fernanda Carrafiel, da seção “café literário”, do Jornal do Brasil, entrevistou, recentemente, a poetisa potiguar Marize Castro. Justamente no mês em que se comemorou (dia 14) o dia nacional da Poesia. “Marrons Crepons Marfins”, “Rito” “Poço. festim. Mosaico”, Esperado Ouro” são livros de Marize destacados na entrevista e já com o reconhecimento da crítica literária nacional. Em maio, Marize Castro estará em Salvador, a convite do poeta José Inácio Vieira de Melo (autor de A Terceira Romaria), participando do projeto “Poesia na Boca da Noite”.

 

 

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