Opinião

Ney Lopes de Souza (29.10.2006)

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 ELEIÇÃO E REELEIÇÃO

            Hoje termina a eleição de 2006 no Brasil. Foi a mais atípica de nossa história.

            Caso a UTI eleitoral em que se transformaram as eleições brasileiras permitisse uma radiografia para saber a causa de tudo que aconteceu, sem dúvida o instituto da reeleição estará à frente. Nenhuma reforma eleitoral e partidária será eficaz, caso continue a reeleição, com a permanência do candidato no cargo, dispondo do pleno exercício de poderes. A raiz de todo processo de corrupção está na reeleição. Não tenho dúvidas disto.

            Se existe culpado desse quadro caótico não será a justiça eleitoral. Ela merece ser condecorada pela dignidade em trabalhar com uma legislação tão falha como a que existe no país. A culpa maior é do Congresso Nacional. Claro, que também do Governo, por cooptar parlamentares com a possibilidade da reeleição.

            O jogo eleitoral com a reeleição é profundamente desigual. Um lado pode tudo. Outro lado não pode nada. Nem recorrer a Justiça, porque o juiz só aplica o que está escrito. E muita coisa que deveria ter sido escrita na lei deixou de ser.

            Tenho a consciência tranqüila. Apresentei o ano passado uma proposta de emenda constitucional, prorrogando o prazo para o Congresso aprovar a reforma eleitoral e partidária, além de 30 de setembro de 2005 como a Constituição estabeleceu. Os partidos e líderes da maioria não deram “bola”. Desejavam que ficasse tudo como está. Aprovou-se apenas uma “meia sola”, que pouco efeito surtiu. Ao contrário, estimulou a compra de mandatos eletivos como aconteceu, sobretudo no RN.

            Diante dessa conjuntura existe apenas um personagem, que ainda neste segundo turno poderá fazer a reforma que o Congresso e o Governo omitiram-se. É o eleitor brasileiro. Votando consciente. Pode ser em tal ou qual candidato. Porém, votar com a consciência e não com as versões distorcidas do poder financeiro e político, exímio manipulador de pesquisas criminosas e inidôneas.

            Se o eleitor com o seu voto livre fizer as mudanças que a lei não fez, a ética terá prevalecido, pelo menos em parte. Do contrário, só teremos que exclamar: choro por ti democracia brasileira... pela vitória dos mensaleiros, sanguessugas e folioduto...

 

                                                            ACONTECE

Fernando Gasparian

            Faleceu em São Paulo, o meu grande amigo ex-deputado federal Fernando Gasparian. Filho de uma das famílias paulistas mais tradicionais tornou-se ferrenho defensor das causas nacionalistas. Foi o autor na Constituinte do artigo que limita a cobrança de juros em 12% ao ano. Quando não se reelegeu em 1994, indiquei-o para Diretor Geral do Parlamento Latino Americano, que acabara de instalar a sua sede própria em SP. Ficamos amigos. Dele recebi muitas lições de lealdade e amizade. Homenageio a sua memória como a de um dos brasileiros mais honestos e firmes em suas convicções políticas, doutrinárias e ideológicas.

Trabalhadores na indústria

            Realizou-se no Centro de Treinamento Educacional de Luziania, Goiás, o 8° Congresso Nacional dos Trabalhadores Industriários do plano da CNTI (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria).  Do RN seguiu delegação chefiada pelo líder sindical Pedro Ricardo Filho, 2° secretário da região nordeste.

 

Coronel Felinto Elísio

            Aprendi a admirar o Dr. Max Cunha de Azevedo desde a época em que era militante secundarista, na política estudantil, em Natal. Ele era inspetor do MEC no Estado. Homem de bem. Demonstrava habilidade na convivência com a juventude. Herdou a têmpera e a altivez do Patriarca do Seridó, Coronel Felinto Elísio de Oliveira Azevedo - o seu avô - a quem acaba de homenagear com o lançamento de um livro biográfico sobre aquele líder político potiguar. O livro do Dr. Max é leitura obrigatória para quem deseje acompanhar a tradição política e ética norte-rio-grandense.

Isenção para o seridó

            A região do Seridó potiguar, onde se desenvolve próspera indústria de bonés, poderá transformar-se num pólo têxtil e de confecções. Tenho defendido o “Programa Estadual de incentivo a novos negócios e oportunidades” no RN. Em caráter emergencial, começaria pelo Seridó com a isenção de tributação para as indústrias de bonés, redes, pano de rede, couros e peles, pano de prato, mantas, fabricação de cobertores, produtos similares, queijo, coalhada, laticínios em geral, beneficiamento da carne bovina (carne de sol).

O resto do Estado

            O Programa atingiria o resto do Estado com incentivo ao mel de abelha, frutas tropicais, castanha de caju, mamona, artesanato de madeira, palha, bordados, cipós e outros, reciclagem de garrafas plásticas, fabricação de bolas de futebol, cintos típicos, bolsas de lona, palha sarja, criação de camarão no semi-árido, peixe em viveiros com aproveitamento final do couro, filé de peixe etc, mini-usinas de pasteurização de lei com entorno para a caprinocultura e bovinocultura; distribuição de matrizes de animais para criatório, aviários comunitários, doces e licores caseiros etc. O “Programa Estadual de incentivo a novos negócios e oportunidades” identificaria em cada micro região do RN a sua vocação econômica natural, oferecendo isenção de impostos, crédito e montagem da infra-estrutura. A eficiência demonstrada garantiria a continuidade ou não dos benefícios.

 

 

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