Opinião

Ney Lopes de Souza (30.07.2006)

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DIREITOS HUMANOS DE QUEM?

            Jean Charles. Ele era um daqueles brasileiros em busca de “lugar ao sol”, na luta pela vida. Faltou-lhe oportunidade de trabalho em seu país. Numa manhã de sexta – dia 22 de julho de 2005 – sai de casa e, ao entrar em uma estação de “metrô”, em Londres, é covardemente fuzilado pela polícia inglesa, com oito tiros. Ao contrário dos livros de Agatha Christie, mesmo com o assassinato, a Polícia não sabe quem matou e alega razões de segurança nacional.

            O mais grave é o silêncio complacente do nosso governo. Limita-se a apelos vazios e aceita as versões mirabolantes, divulgadas até agora. Inacreditável a alquimia da Promotoria Pública britânica. Nega-se a indiciar os policiais que dispararam os tiros, sob o argumento de que, se Jean Charles caso fosse realmente terrorista - o que não era – ele explodiria o metrô e mataria várias pessoas. Trocando em miúdos, o país dos “direitos humanos” legaliza o crime, desde que lhe convenha. Na apuração da responsabilidade, o promotor inglês exige a absurda prova de que os policiais assassinos não acreditavam que o brasileiro fosse um extremista suicida. Enigma igual ao atormentado túnel de Franz Kafka. Nenhum policial responderá por este frio assassinato.

            Onde ficam os direitos humanos de Jean Charles e da sua família, justamente na terra do Príncipe Charles, que deseja ser exemplo para o mundo no respeito à dignidade humana? Ou tudo isto é uma “mentirinha”?

 

PERIPÉCIAS DE CHARLES           

             Recordo algumas peripécias do britânico Príncipe Charles, em nosso país. Inclusive, interferindo em assuntos internos. Em abril de 1991, ele visitou o Brasil. Antes, veio o seu escalão precursor, patrocinado pela empresa “Imperial Chemical Industries”, e ofereceu ajuda médica às comunidades indígenas ianomâmis. Comportamento semelhante ao dos portugueses, quando aqui desembarcaram em 1500 e distribuíram espelhinhos com os índios, para enganá-los.

            O Príncipe Charles, com a sua propagada linhagem sanguínea do rei Davi, ancorou na Amazônia o seu iate “Real Britania”. Deitou falação sobre preservação do meio ambiente e defesa dos direitos humanos. Na época, o Presidente da República – Collor de Melo – visitou-o, no Seminário que realizou na própria embarcação.

            O resultado foram as ONG’s ligadas aos interesses britânicos – Gaia Foundation, Royal Botanic Garden, World Wildlife e até o Greenpeace - invadirem as terras ianomâmi e conseguirem do nosso governo a demarcação total da área. Logo após, o herdeiro inglês lançou o programa dos chamados “corredores ambientais”. A finalidade é preservar a medicina tradicional e tornar intocáveis as riquezas naturais, para uso em pesquisas da nossa biodiversidade.

            Aí está o retrato do Brasil. Em terras inglesas morreu Jean Charles e nada se apura. No ano de 1991, hospedado em um iate privado, o Príncipe Charles passou a influir, até hoje, em nossa política ambiental.

            Na prática, rua de mão única. O nosso país não tem sequer o direito de exigir punição, quando um brasileiro é brutalmente assassinado por aqueles que se auto-intitulam defensores dos direitos humanos. Aliás, direitos humanos de quem?

 

“IN MEMORIAM”

            Faleceu o Sr. Sinval Poti. Comerciante, durante muitos anos, no bairro do Alecrim. Católico fervoroso, ele teve grande atividade na Paróquia de São Pedro, na Congregação Mariana. Depois, dirigiu a Junta Comercial do Rio Grande do Norte, onde se comportou com dignidade e devotado espírito público. Pai de família exemplar, deixa um perfil humano altamente positivo para os familiares e amigos.

            Fomos vizinhos, durante anos, na avenida um, no bairro do Alecrim. Aprendi a admirá-lo e a respeitá-lo como cidadão honrado, cristão e solidário.

 

ACONTECE

Uma saída para o Nordeste

            A Comissão de Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o projeto de lei complementar de minha autoria, criando o complexo geoeconômico e social do Nordeste. Foi relatora a dep. Ann Pontes (PMDB-PA). A proposta assegura, com base no artigo 43 da Constituição, juros favorecidos para atividades prioritárias; isenções, reduções ou diferimento de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas; prioridade no aproveitamento dos rios e massas dágua represadas, nas regiões sujeitas à seca e incentivo à recuperação de terras no semi-árido.

Sugestão a Alckimin

            Conversei, por telefone, com o ex-governador de SP, Geraldo Alkimin, que designou o seu assessor, João Carlos Meirelles, para analisar a minha proposta. Pelo entusiasmo demonstrado com a idéia, é provável que ela seja incorporada ao programa de governo do candidato Alckimin, como “saída” econômica e social para o Nordeste, Norte e Centro Oeste do país. Trata-se do “ovo de Colombo”. Tudo já está na Constituição. Falta o Legislativo regulamentar (o que faço); o Executivo implantar e o Nordeste beneficiar-se.

 

               

 

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