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NOTÍCIA NATAL RN |
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08/04/2008 CEM ANOS DA ABI O jornalista Walter Medeiros enviou carta ao jornalista Audálio Dantas, Vice-Presidente da Associação Brasileira de Imprensa, alusiva aos cem anos da ABI, que transcorreu em 07.04.2008. Eis o documento, na íntegra: “Caro Audálio, O dia de hoje merece uma reflexão profunda, em meio a festejos merecidos pelo centenário da Associação Brasileira de Imprensa – ABI. Cem anos de trabalho e luta pela liberdade de expressão e pelos direitos humanos, que a transformam numa entidade vigorosa e ímpar. Uma mão forte e decidida em defesa das causas justas e na consolidação do estado de direito. Uma vida de ações incansáveis por melhores dias para o Brasil e o mundo. Dirijo-me a você pela amizade e pelo símbolo em que você próprio também se transformou nas batalhas travadas Brasil afora. O valor e significado de tais batalhas, somente os jornalistas que vivenciaram a experiência da mordaça, da censura e da repressão podem avaliar. E o momento é de novo alerta, pois muitos fatos apontam para a necessidade de manter a vigilância e de garantir o direito à informação. A ABI sempre esteve presente quando precisamos de um apoio e conforto naquelas jornadas que findaram belas, apesar de tristes e sofridas. E nela sobressaía-se a figura amável e inesquecível de Barbosa Lima Sobrinho, mais forte ainda naquela caminhada histórica do “Navegar e preciso, viver não é preciso”. Lembro bem aquele livreto azul que trazia a essência da nossa luta e a esperança de libertação. Era respaldado na ABI que o conterrâneo Erivan França editava no Rio de Janeiro o jornal “A Crítica”, que se ombreava com “Opinião”, “Movimento” e outros importantes alternativos, os valorosos “nanicos”. Pois “A Crítica” trazia Voltaire sob sua cabeça, como grito de liberdade dos anos setenta: “Posso não concordar com nenhuma palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-las”. Naquele tempo, um mimeógrafo capaz de reproduzir cinqüenta cópias com um stencil era considerado perigoso instrumento de subversão. Mas era nele que se fazia na clandestinidade os panfletos que foram aos poucos trazendo de volta a nossa liberdade. O pior, no entanto, era que o legal e o clandestino se confundiam, pois a repressão empastelava jornais de forma completamente arbitrária e ilegal. Da mesma forma que censurava e perseguia a todos os jornalistas que trabalhavam pelo novo amanhã. Nesta data, todas as imagens vêm à mente. Desde aquele sargento da marinha que recolhia religiosamente os originais dos jornais falados para a censura, até aquelas assembléias de jornalistas que eram um verdadeiro refúgio, todos por uma grande causa. Mas torna-se mais forte uma lembrança da redação da Rádio Cabugi e Tribuna do Norte. Quando o contínuo Anchieta chegava com a correspondência. O mensageiro da liberdade estava chegando. Era o tablóide da ABI. Forte abraço, amigo. Walter Medeiros”
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