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Misto
Pelos
idos dos anos quarenta, Abelardo Rodrigues (pai do atual prefeito
de Alto do Rodrigues) tinha uma viagem para São Paulo e precisava
de um motorista para dirigir um caminhão, enquanto ele dirigiria
outro. Sebastião aceitou o convite e seguiu mundo afora. Era um
misto pau de arara, cheio de retirantes. Uma viagem inesquecível
pelas estradas de barro do Nordeste e Sudeste, até que conheceu o
asfalto a partir do Rio de Janeiro. Como homem prevenido, até uma
bolsa de remédios levou e foi o que salvou uma mulher de cólicas
insuportáveis, com a ingestão de Atroveran.
Espalhados entre Natal, Macau,
Pendências, seus irmãos assumiam atividades várias. Um deles
era funcionário da LBA (Legião Brasileira de Assistência) em
Natal e o chamou para ocupar uma vaga de motorista que surgira.
Ele resistiu por não ser habilitado ainda. Mas o irmão o
convenceu: “vestido com a farda de motorista da LBA e com o
quepe mostrando o distintivo da República, ninguém vai pedir
seus documentos”. Assim mesmo se deu. Ele virou motorista da LBA
e passava tranqüilamente até pelas correntes de Natal (Av. 15 e
Quintas). Depois providenciou a “carta” de motorista e no
exame de volante, que na época era realizado por trás do
Instituto Histórico, surpreendeu o inspetor ao estacionar com
rapidez e precisão.
Padre
Seu Sebastião ficou realizado
quando passou a receber ordem de ir buscar ou deixar autoridades
nas atividades da LBA. De repente estava ele de motorista, nada
mais nada menos que de Aluízio Alves, deputado federal; e do
Padre Nivaldo (Depois Arcebispo de Natal), que tinha atividades no
Abrigo Juvino Barreto e outros locais. Era muito trabalho para
dirigir pelas dunas da Avenida Alexandrino de Alencar e outras, em
Tirol, Lagoa Seca e Morro Branco. Recorda que na primeira vez em
que Aluízio Alves foi a Pendências chamou todo orgulhoso sua
mulher, Dona Neusa, para assistir. Sintonizaram com o seu discurso
e nunca mais votaram em outro candidato quando Aluízio estava na
disputa.
Proposta melhor o levou de
volta para perto da família, a fim de trabalhar nas salinas, como
motorista da Companhia Comércio e Navegação (CCN – Atual
Cirne). Orgulha-se de ter se aposentado e nunca ter recebido
qualquer registro desabonador em seu prontuário. Passou por uma
batida, na qual abalroaram a Kombi que dirigia e a perícia
constatou que a culpa pelo acidente foi do outro condutor.
Irmãos
Depois de aposentado não quis
ficar parado e resolveu comprar um táxi – um Corcel 1970, que
dirigiu por alguns anos na praça de Macau, até que resolveu
mudar de vez para Natal, onde a sua família já vivia e com a
qual passava sempre o fim-de-semana. A cada domingo ele almoça
arrodeado de filhos e netos e sempre tem histórias para contar
sobre as coisas do seu tempo.
A família hoje tem a mulher,
Neusa, seus seis filhos vivos, Marcone, Graça, Fátima, Múcio, Mércia
e Marcos Antônio, além de dezoito netos e seis bisnetos.
Naturalmente se encontra regularmente também com genros, noras,
sobrinhos, sobrinhas e amigos que sempre estão por perto.
Sempre tem uma resposta
espirituosa e inesperada para cada questão. Num domingo em que
almoçava com a família, perguntaram-lhe porque no Credo tem uma
parte que se refere a “Jesus Cristo, seu único filho” e as
pessoas se dizem filhas de Deus. Ele respondeu prontamente: “é
porque são todos irmãos de criação”.
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