|
O último
artigo "As músicas e os jingles", publicado
neste espaço no dia 24 de abril, ensejou um e-mail do
Produtor Cultural José Dias Júnior. Foi para informar
que nos lê, semanalmente, e registrar que nos acompanha
também no rádio. E se dispôs a complementar o trecho
em que comentei o lançamento do CD duplo "Jingles
políticos que marcaram história", de autoria do
publicitário Tertuliano Pinheiro e lançado naquele
mesmo dia.
Afirmei a
certa altura que "o trabalho vai servir para que
essas novas gerações possam perceber a evolução
tanto no conteúdo como na forma". E citava a
"Marcha da Esperança", carro-chefe da
campanha de Aluízio Alves, em 1960. José Dias,
prevendo que, com o tempo possa reunir estes artigos num
livro, formulava a sugestão para que que fossem citados
os compositores mais expressivos do nosso Estado.
Recordava
que nas campanhas de Aluízio se fez presente a senhora
Jacira Costa, ainda viva e que mora nas Quintas e
eternizou a voz de Luiza de Paula, já falecida.
Agradeci o estímulo e lembrei que conheci Jacira Costa
- a mais famosa compositora de paródias políticas do
Estado - nos corredores da rádio Cabugi, onde comecei
em 1965, vésperas da campanha do Monsenhor Walfredo
Gurgel, liderada pelo governador Aluízio Alves.
Sobre Luiza
de Paula, lembrei-a cantando e encantando - ao vivo -
nos comícios e passeatas que varavam as noites,
enquanto eu, Erivan França, Garibaldi Filho e José
Wilde nos revesávamos no microfone transmitindo tudo
para quem estava em casa. Se não as citei no artigo,
por limitação de espaço, o faço agora, infelizmente
duas semanas depois, num dia de silêncio, de luto e,
sobretudo, de reverência à memória do dr. Aluízio
Alves.
Além das
vigílias, acompanhei bem de perto dois momentos
diferentes para os padrões de comunicação na época -
era iniciante na profissão - quando o Governador
comparecia aos domingos ao meio dia aos estúdios da rádio
Cabugi, na Praça Pedro II, Alecrim, para o programa
"Conversa com o povo". No estúdio somente ele
em pé e o microfone de pedestal, no outro lado do que
chamamos de "aquário", políticos, auxiliares
e populares assistindo a fala que se transformava em
prestação de contas com datas, números e nomes de
pessoas, sem que ele tivesse em mãos qualquer anotação.
Mais
adiante, já na campanha do Monsenhor Walfredo Gurgel,
foi "O povo pergunta, Aluízio responde". Era
num palanque armado no local onde hoje está construída
a Catedral de Natal, na avenida Deodoro. Um telefone era
instalado no local e nós da rádio Cabugi recebíamos
as perguntas que eram feitas ao Governador. Recomendação
dele, através de Agnelo Alves: que fossem feitas todas
as perguntas, mesmo as insultuosas, apenas evitássemos
as palavras de baixo calão.
Eleito o
Monsenhor e ele Deputado federal, o clima no Estado era
de tensão, não só pela derrota seguida do dinartismo,
agora pela influência exercida pelo então senador
Dinarte Mariz junto à Revolução de 1964, rumando para
o endurecimento ocorrido com o AI-5, de 1968 e que
culminou com a cassação de Aluízio Alves em fevereiro
de 1969 pelo presidente Costa e Silva. Sem os direitos
políticos, voltou-se inicialmente para os seus veículos
de comunicação, entre os quais a rádio Cabugi e
depois para uma editora no Rio de Janeiro.
Aí, lembro
outro momento que serviu para nos mostrar mais uma vez a
forma inovadora que sempre norteava a presença dele
onde quer que estivesse. Além de sugerir mudanças na
elaboração dos textos, chegou a imaginar uma sirene
instalada no centro da cidade para ser acionada no caso
da ocorrência de uma notícia extraordinária. Seria a
senha para que as pessoas sintonizassem a rádio Cabugi.
Anos
depois, já na atividade empresarial, pude testemunhar a
determinação com que conduzia a implantação do
complexo União de Empresas Brasileiras-UEB, cujo
presidente era o empresário José Luiz Moreira de
Souza, em Igapó: Indústria Têxtil Seridó, Confecções
Sparta Nordeste e a Incarton - Indústria de Cartonagem,
hoje Coteminas. Era o repórter designado pelo diretor
do jornal Tribuna do Norte, José Gobat Alves, para
cobrir os eventos que envolviam a obra, desde a conclusão
de novos galpões, equipamentos e as visitas de
autoridades e parceiros da UEB.
Esses são
fatos que me fizeram atuar profissionalmente bem próximo
ao dr. Aluízio Alves, com quem nos últimos anos
encontrava eventualmente durante as entrevistas que
concedia à Tv Tropical. Sempre ao vê-lo, passos já
lentos, mas elegantes e firmes, me vinham à memória,
como num filme, alguns momentos da história política
do Rio Grande do Norte dos últimos 40 anos. História
que só será bem narrada se for enaltecida - seja na
política em si ou na administração pública ou
privada - a presença polêmica, desbravadora, pioneira
e obstinada do líder Aluízio Alves.
|