OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 

 

ONDE ESTÁ O ATENDIMENTO?

 

 

Quantas vezes e das mais diferentes formas não somos mal atendidos - como clientes - no relacionamento inevitável entre comprador e vendedor ou prestador de serviços privados ou públicos. Muitos já devem ter perdido a conta. O mesmo não ocorreu com o jornalista Walter Medeiros que nesses últimos anos a tudo observou, anotou e acabou por escrever uma série de artigos que inseriu em revistas, no site Planeta Jota (www.planetajota.jor.br) e no RN sites (www.rnsites.com.br), agora transformados no livro "Onde está o atendimento?", publicado pela Editora Viena, de São Paulo, já em algumas livrarias e que em breve estará sendo lançado em Natal.

O livro, contendo 190 páginas, iniciativa da Câmara Brasileira do Livro, é leitura indispensável para quem se preocupa com o assunto. A sua leitura é um passo firme que uma empresa pode dar nos dias de hoje, para avaliar o seu comportamento e descobrir a melhor forma de sintonizar com as exigências atuais. As situações narradas indicam a postura que se deve ou não deve adotar para atingir a excelência no trato com os seus clientes. "Onde está o atendimento?" é uma coletânea de cinquenta artigos, que vão desde observações num cafezinho de um shopping até o atendimento em saúde, tema que o autor domina na condição de integrante de uma equipe da Secretaria Estadual de Saúde que hoje ministra o curso "Qualidade e Humanização do Atendimento em Saúde".

É certo que o consumidor passou a ser visto nos últimos anos como cidadão que merece respeito e tem direitos estipulados até em lei específica. Afirma o autor, para reconhecer que a despeito de ações anti-éticas, ilegais e exploradoras de muitos setores que ainda precisam viver certas experiências para poder compreender a nova realidade. Nesta nova realidade - adverte - há empresas que se destacam pela qualidade, crescem e se desenvolvem; enquanto outras teimam em agir mal e findam fechando as portas devido à fuga da clientela. Um bom e visível exemplo vem sendo dado pelo Midway Mall que além de não cobrar pelo estacionamento, acaba de construir ao lado uma quadra de esportes coberta para os jovens da vizinhança. Outro, é o da Telemar que após resistir, acaba de reativar o atendimento personalizado na sua sede da rua Jundiaí com a avenida Prudente de Morais.

Walter Medeiros foi fundo e prova que a questão da qualidade no atendimento não é assunto exclusivo da iniciativa privada. No artigo "Atendimento aos cidadãos", mostra que ela é uma preocupação também da administração pública, onde o Governo Federal já conta com uma norma sobre o assunto - o Decreto 3.507, de 13 de junho de 2000 - que "Dispõe sobre o estabelecimento de padrões de qualidade do atendimento prestado aos cidadãos pelos órgãos e pelas entidades da Administração Pública Federal direta, indireta e fundacional e dá outras providências". Em nível estadual, uma boa iniciativa foi a implantação de centrais do cidadão que vem contribuindo para mudar a imagem do funcionário público mau humorado, insatisfeito e sem demonstrar compromisso com o órgão ao qual está vinculado.

A leitura de "Onde está o atendimento?" nos leva praticamente a vivenciar situações de atendimento - boas e más - como a dificuldade que os planos de saúde estão colocando para autorizar alguns tratamentos aos seus clientes; as cobranças inescrupulosas, sem noção dos limites e do equilíbrio, praticadas por algumas empresas, irritando as pessoas, levando muitas vezes a respostas ásperas, quando não ações na Justiça; a frieza do SAC - serviço de atendimento ao cliente - a oferta de serviços 24 horas que ficam só no anúncio e até a fofoca na recepção que denota sempre mau gerenciamento. Sobre cada área de atividade abordada são formulados elogios, críticas e sugestões para assegurar o melhor atendimento possível.

Mas, para chegar a ter artigos publicados na Internet que viessem a interessar a uma editora paulista - a Viena - em articulação com a Câmara Brasileiro do Livro, Walter teve primeiro que dar o exemplo. No oferecimento, escreve assim: "Eis mais um atrevimento daquele menino que você um dia deu um chega e mandou estudar; estava relaxando. Aquele momento foi muito importante...". O certo é que fui atendido e hoje registro, com orgulho que este já é o segundo livro do meu irmão - igualmente jornalista - e que voluntariamente quis seguir a carreira que abracei, embora tenha também se formado em Direito. Agora, seguindo o exemplo dele - estou dando os primeiros passos para também publicar um livro. Não marco data para não gerar direito de cobrança.

                     

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 15.05.2006

 

 

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