OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 

 

OS COMERCIAIS

 

 

Que a sobrevivência do rádio depende da publicidade é fato. Não só do rádio, mas igualmente da televisão e do jornal. Mas, foi no rádio nessas últimas décadas - apesar da concorrência maior da televisão, com a chegada ao Estado de todos os grandes canais comerciais - que se observou um paradoxo. Quanto mais a crise ia se acentuando, novos prefixos iam surgindo, especialmente na freqüência modulada, as chamadas FMs. Sem se falar nas comunitárias e até nas piratas.

Nesse contexto, o chamado bolo publicitário, apesar de ter crescido, foi ao longo desses últimos anos tendo que adotar planos de mídia cada vez mais seletivos e na hora da definição das campanhas, o rádio - que já ocupava posição desconfortável com a consolidação da televisão - teve que assistir a transição para escalão inferior na divisão dos investimentos publicitários.

Observem que venho me referindo ao rádio como se fosse um meio, FMs e comunitárias outros. Quase isso. O rádio AM, precursor de tudo - apesar de muitas vezes oferecer programação de excelente nível - não tem a mesma qualidade do som FM, embora - dependendo da potência do transmissor - possa chegar perto. Certo é que nas últimas décadas a FM se constituiu no acontecimento de maior impacto no negócio radiofônico desde o surgimento da televisão.

Novidade no mercado, aliada à qualidade de som, fizeram com que o rádio AM, para sobreviver, tivesse que investir pesadamente em qualidade de programação, até mesmo segmentando-a como fez a CBN - Central Brasileira de Notícias - 24 horas de notícias no ar - diferencial que em Natal há dez anos é perceptível, pelo número crescente de pessoas que ouvem a programação eminentemente informativa e externam essa preferência de uma forma ou de outra.

E uma dessas formas de aferição deu-se em Natal há cerca de um ano quando da mudança do transmissor - e a CBN teve que passar algumas horas fora do ar - pelo congestionamento nas linhas telefônicas e e-mails. A outra, vem ocorrendo ao longo dos anos de forma gradual, mas já sentida a sua consolidação através do aumento do número de inserções comerciais nos módulos locais abertos na programação em rede. Na atual fase, a CBN vem contando na área comercial com o trabalho do publicitário Ronaldo Soares.

Embora não seja certamente do temperamento nem do interesse do publicitário "brigar" com a televisão, hoje transcrevo aqui parte de um texto sobre publicidade no rádio que há muito tempo queria publicar e extrai de um comentário que ouvi na CBN e que poderá subsidiá-lo: Apague tudo ou pelo menos parte dos conceitos mais antigos que você tem sobre publicidade, para conhecer novas e polêmicas idéias sobre como vender produtos pela propaganda.

O norte-americano Roy H. Willyams, experiente consultor na área de publicidade e escritor renomado, é direto e objetivo ao romper com um dos conhecidos lemas da publicidade moderna: "uma imagem vale mais que mil palavras", e por isso, a publicidade em rádio daria mais resultado que a da televisão. Um texto bem feito - diz o autor do livro "O Mago da Publicidade" - é mais poderoso na hora de sensibilizar o consumidor a comprar determinado produto.

Polêmico, ele chega a descredenciar a imagem num anúncio publicitário: "Uma mensagem memorizada apenas pelo som, sem imagem, pode levar o consumidor a ter experiências que ele nunca teve, porque obriga o ouvinte, automaticamente, a imaginar a situação ou os benefícios do produto anunciado. Separadamente, o texto pode fazer isso melhor que uma série de imagens". Roy justifica a tese dizendo que um filme até é capaz de fazer você perceber a intenção da propaganda, mas não de fazê-lo se sentir como parte do anúncio.

Por fim, ele justifica a preferência financeiramente: "No rádio, além do preço menor que o da televisão, a verba investida permite que o comercial seja veiculado mais vezes. A repetição, na estratégia dele, é a alma do negócio. A propósito de repetição, mais recentemente, surgiu o rádio via Internet. Muitos imaginavam mais um complicador, mas hoje festejam como aliada, servindo para ampliar ainda mais a sua audiência.

E entre as emissoras que podem ser ouvidas através da internet está a CBN - www.cbn.com.br, cujo site ainda exibe notícias e, em arquivo para quem desejar ouvir novamente, os comentários que são transmitidos ao longo do dia, muitos deles repercutidos pelos jornais, dentro da tese de que os meios de comunicação se complementam. Se este vespertino adota o slogan "notícias que os outros só publicarão amanhã", o Jornal da CBN Segunda edição, apresentado no final da tarde também provoca: "as notícias que serão destaque logo mais nos nossos telejornais".

                     

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 22.05.2006

 

 

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