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A
semana está como o brasileiro gosta. Em clima de festa
e véspera de feriado. Hoje é véspera do Dia de Santo
Antônio - festa para o santo casamenteiro - abrindo o
ciclo junino. Amanhã, a estréia da Seleção
Brasileira na 18a Copa do Mundo, enfrentando a Croácia,
às 16 horas, em Berlim, pelo grupo "F" da
Copa Fifa - com direito a alteração nos horários de
funcionamento de bancos, comércio, indústria, repartições
e escolas. E na quinta-feira, dia 15, o feriado nacional
religioso - Dia Corpus Christi - que poderá servir de
pretexto para o último "feriadão" deste
primeiro semestre.
Se
o Dia de Santo Antônio, segundo a tradição, é
comemorado mais atentamente pelas jovens em busca de
casamento - hoje abreviado para caso - e a Copa do Mundo
se transforma na paixão dos brasileiros, o Dia de
Corpus Christi pode ser celebrado, mas também lembrado
que foi trazido pelos colonizadores portugueses e espanhóis
e na época colonial tinha uma conotação político-religiosa.
É que dias antes das procissões, as câmaras
municipais exigiam que as casas de moradia e de comércio
fossem enfeitadas com folhas e flores. Como este ano
coincide com a Copa,
a exigência dos enfeites está plenamente
dispensada. O país está, espontaneamente, coberto de
verde-amarelo.
Desenhado
este cenário, é bom frisar que aos trancos e barrancos
um outro vai sendo organizado para - até por força do
calendário - igualmente se misturar à Copa do Mundo:
é o da disputa eleitoral 2006, cujas convenções para
a escolha dos candidatos e coligações, deverão ser
realizadas até o dia 30, isto é, serão três semanas
de muitos esboços e desenhos políticos. Com um olho na
Copa e o outro nas eleições, o eleitor poderá
despertar na consciência de que lá na Alemanha a festa
depende dos outros - selecionados como os melhores
jogadores de futebol do Brasil - enquanto no dia 1o de
outubro, o nosso destino nos próximos quatro anos
depende da seleção que soubermos escalar, pelo voto,
dos que irão nos dirigir a partir de 1o de janeiro de
2007.
É
conhecido o ditado popular sugerindo que futebol, religião
e política não se discute. Poderia ter ficado melhor,
não se mistura ou não devem se misturar, mas não é o
que ocorre há muitos anos. Políticos discutem futebol
- a discussão mais recente está ainda repercutindo:
Presidente Lula x jogador Ronaldo, causando mais
estragos ainda nas imagens dos dois; na religião a CNBB
(Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) não nos
deixa mentir: firma posição em todas as eleições e
no futebol propriamente dito está aí o Estatuto de
Defesa do Torcedor, debatido e aprovado pelos políticos,
modificando razoavelmente alguns critérios e
comportamentos na prática e organização dos esportes
em nosso país. Foi-se o tempo em que imperava a frase:
"podemos discutir qualquer coisa, desde que seja
com outras pessoas que tenham a mesma opinião que nós".
A
discussão e o debate são indispensáveis na disputa
política; ganharam força nos últimos anos na religião
- basta observar o crescimento dos segmentos evangélicos
- hoje ao largo de questionamentos e mais para
unanimidade nacional somente a Seleção Brasileira.
Treinada, preparada e a poucas horas de entrar em campo
com a responsabilidade de defender, como favorita, o
futebol pentacampeão do mundo, dificilmente se encontra
um brasileiro que esteja descrente do potencial do nosso
futebol. Além da Croácia, amanhã, nesta primeira
fase, o Brasil enfrenta a Austrália (domingo, 18, às
13 horas, em Munique) e Japão (quinta, 22, 16 horas, em
Dortmund).
Fazer
graça com a Seleção fica hoje para uns poucos. O
presidente Lula, por exemplo,
habituado a não saber de nada - principalmente o
que se passa no próprio gabinete dele no Palácio do
Planalto - escolheu o alvo errado, na hora errada e a
pergunta mais imprópria ainda. Saber do técnico
Parreira - numa tele-entrevista - se Ronaldo está
gordo.Só Lula não sabia. Mesmo assim, na resposta de
Ronaldo, que paradoxalmente é diplomata, além da
indelicadeza, um gol contra: é que uma marca de bebida
é a patrocinadora oficial da Seleção Brasileira. Ou o
jogador, que aparece como garoto propaganda, não sabia?
Enfim, confundiram copa com copo, ambos terminaram sem
razão, demonstrando que ainda faz escola a elegância,
a eloqüência e a sutileza de Adilson Rodrigues
Maguila.
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