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Começa
hoje a Semana Nacional Antidrogas, cujo ponto alto
ocorrerá na próxima segunda-feira, dia 26, dedicado no
mundo inteiro à Luta contra o Uso e o Tráfico de
Drogas. Coincidentemente, as segundas-feiras são os dias em que se tornam mais visíveis
os problemas causados pelas drogas, aí incluindo o álcool,
considerado uma droga lícita. Além do absenteísmo
registrado nas empresas e repartições públicas, outra
prova são os noticiários do meio dia nas televisões
onde lá estão desfilando os dramas dos finais de
semana. São pessoas de todas as idades, a maioria
jovens, envolvidos de uma forma ou de outra em ocorrências
que muitas das vezes vão terminar nas delegacias
policiais ou hospitais da rede pública.
O
repórter J. Gomes, cujo estilo próprio deixou marcas
no rádio e televisão locais, costumava usar uma frase
que, para ele, traduzia bem o significado de droga:
"Se droga fosse uma coisa boa não tinha o nome que
tem. Droga". Foi assim que encerrou muitas
reportagens, freqüentemente ilustradas pela exposição
de drogas e armas, tendo ao fundo os distintivos das
respectivas forças policiais, responsáveis pela
apreensão. Certamente, a quase totalidade das pessoas
envolvidas, de origem pobre, mostrando que são as
maiores vítimas dos grandes traficantes, muitos deles
morando em mansões com muro alto, filmadoras, cães de
guarda e segurança armada.
Durante
esta semana o tema estará em debate. Uns analisando o
uso, outros preferindo o combate ao tráfico, mas tudo
convergindo para a necessidade cada vez maior de estratégias
que vão desde a repressão - aí incluindo um outro
combate que é à corrupção policial - a prevenção,
como defende o juiz José Dantas, da Vara da Infância e
da Juventude e recuperação dos dependentes, cujo
pioneiro no Estado é o professor Joaquim Elói, da
Universidade Federal. No Rio Grande do Norte, entre
outras ações, existe o Programa Educacional de Resistência
às Drogas e à Violência, gerenciado e administrado
pela Polícia Militar em várias escolas e que neste sábado
encerrou, festivamente, no Palácio dos Esportes, mais
um curso com cerca de três mil jovens.
Já
foi dito que a primeira questão que o governo precisa
descobrir para obter sucesso no combate ao uso e ao tráfico
de drogas, é saber quem é causa e quem é consequência.
Ou seja: Usa-se drogas porque elas estão à venda? ...
Ou vende-se drogas porque existe a procura?...Li esse
trecho do livro "Acorda Brasil" e acho que ele
contribui para o debate de quem busca respostas para a
questão das drogas. Trata-se de questão polêmica e de
difícil consenso:
Imagine
um jovem pobre, com pouca instrução, morador de
favela, sem perspectiva de bom emprego e que
eventualmente passe necessidades. Imagine outro jovem,
porém rico, morador de bairro chique e que normalmente
tem tudo o que deseja. Aconteceu de um deles se
transformar em traficante e do outro se transformar em
viciado.
Considerando
as características brasileiras qual dos dois se tornou
o traficante?
Parece
elementar que foi o jovem que mais precisava de
dinheiro, o jovem pobre da favela. Parece compreensível
também que o jovem rico tenha se inclinado por prazeres
alucinantes, uma vez que já tinha de tudo e que poderia
estar enfadado dos prazeres comuns. A grande questão é
saber quem induz a quem a se envolver com as drogas. Será
que foi o jovem pobre e de pouca educação que
convenceu o jovem rico, ou seja que foi o jovem rico e
de muita educação que convenceu o jovem pobre? Outra
questão: Considerando a realidade brasileira, que tipo
de influência um traficante de favela poderia exercer
sobre famosas atrizes, cantores e personalidades artísticas
em geral, levando-os ao vício e a dependência? Seria,
amostra grátis? ... Quem realmente procura quem?...
Se
a dependência química é uma necessidade incontrolável
e, por isso, merece compreensão, então o que merece a
dependência de alimento dos favelados? É verdade que
um viciado sem drogas sente dores, mas um faminto sem
alimentos sente a morte. A qual dos dois devemos
compreender por se envolver com drogas?... Ao que vende
para se alimentar ou ao que consome, irresponsavelmente,
para deliciar a si mesmo? É importante lembrar que a
população pobre da favela não dispõe de muitas
alternativas para se sustentar. Se sujeita a míseros
trabalhos, lícitos ou ilícitos, que a população de
posses lhes oferece ou lhes encomenda.
Assim,
muitas vezes o traficante é tido como o único culpado,
embora não existissem sem os consumidores, muitas vezes
tratados como "coitadinhos". Podem até
eventualmente ser vítimas, mas na maioria das vezes
eles são a causa da existência e do comércio de
drogas. Se eles não consumissem, pagando altos preços,
não existiria droga nenhuma sendo fabricada ou
comercializada. Nem o crime organizado em torno do tráfico,
com direito a advogados como Cecília Machado, que
defendeu Fernandinho Beira Mar, cunhando frase como esta
que encontrei numa revista: "Ele não bebe, não
fuma e não se droga. É um homem de palavra e me paga
sempre em dia". Tem juízo, mas só age para tirar
o dos outros.
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