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Mesmo
contrariando uma das características básicas do rádio
- a instataneidade - lembro que há poucos dias,
precisamente no dia 29 de maio, atendendo a convite do
Curso de Comunicação da Universidade Potiguar - UnP -
participei de um programa laboratório sobre
Radiojornalismo, tendo como assunto "Rádio em
Natal". Emissária do convite, a universitária
Andréa Lemos, mulher do jornalista Túlio Lemos - que
deve ter atuado como cúmplice na intimação - e lá
estavam igualmente convidados a locutora-animadora
Moniquinha (96 FM) e o locutor Marcílio Dantas
(Cabugi/Globo). Fui representando a rádio CBN. A aula,
desenvolvida num hipotético prefixo RDJ, constava da
matéria Radiojornalismo, tendo como orientador o
professor José Iranilson e mediadora Jhancy Richelm.
Durante
uma hora, fomos provocados a falar sobre o rádio na visão
de cada um, dentro dos temas propostos a partir do atual
momento vivido por este meio, passando pelas rádios
comunitárias, piratas, até uma mensagem aos estudantes
que nos assistiam na sala de aula, separados pelo
tradicional "aquário", necessário para a
garantia da acústica e prevenir interferências que
pudessem provocar o que chamamos de ruídos na comunicação.
Serviu para que pudéssemos conhecer de perto, embora
num segmento específico, a preparação dos estudantes
de Comunicação da UnP que ao concluírem o curso saem
com uma boa noção do que seja o radiojornalismo.
Bastante
extrovertida, Moniquinha que tem uma marcante presença
na programação da 96 FM, das 8 às 11 horas, narrando
as fofocas do mundo artístico e informando o horóscopo
com a previsão de cada signo,
procurava valorizar esse segmento do rádio que
disse admirar desde menina e que é naturalmente voltado
para a juventude; Marcílio Dantas, entre a cruz e a
espada, expondo detalhes da programação eclética - música,
esporte e notícia - da Globo/Cabugi e eu falando
especificamente sobre "a rádio que toca notícia"
- CBN, que está completando 15 anos em nível nacional
no dia 1 de outubro, dos quais mais de dez em Natal,
sucedendo desde março de 1996 a antiga rádio Tropical
1190 AM.
Pela
receptividade que tivemos dos alunos após a RDJ, já
contando com a presença da Diretora do Curso de
Jornalismo, professora Andréa Mota, pudemos perceber
que o objetivo foi alcançado e para eles alguma coisa
deve ter ficado das diferentes experiências vividas dos
convidados quer sejam do rádio AM ou FM. Na via de mão-dupla
ficou entre nós uma mostra de que vai mesmo ficando
para o passado a seleção de profissionais para o rádio
apenas pela intuição. Como não havia opção, os
radialistas - alguns ainda hoje em atividade, outros
migrando para a televisão e jornal - eram selecionados
muitos pelo timbre de voz, o temido e ainda indispensável
teste de locutor. Outros pela facilidade de comunicação
e interação com o público. Hoje são muitos os políticos
e no Rio Grande do Norte até Ministro que iniciaram a
carreira profissional no rádio.
Optando
pela redação, tive a oportunidade ao longo dos anos de
produzir informativos para locutores do nível de Nilson
Freire, Liênio Trigueiro, Adamires Furtado, Miguel
Bezerra, José Carlos Oliveira e Paulo Câmara,
considerados os melhores noticiaristas do rádio
norte-rio-grandense ao lado de Ademir Ribeiro, desses o
único para o qual não cheguei a redigir, mas tendo
sido admirador da sua performance, particularmente n´"O
galo informa", da rádio Poti, sucesso nos anos
60/70, com o qual concorria na rádio Cabugi. Foi a CBN,
com a introdução do âncora, ao invés do
locutor-apresentador que me fez atuar mais diretamente
no microfone, hoje das 6 às 9 horas, no Jornal da CBN.
A
CBN é hoje a maior rede de emissoras all news,
transmitindo 24 horas de jornalismo, com uma grade
nacional via satélite - a exemplo das emissoras de
televisão - mas com intervalos locais, o maior deles
das 9 às 12 horas, no qual é apresentado o programa
Rede Tropical de Notícias. Aliás, de uma forma ou de
outra, o rádio sempre se valeu de produções externas
- os chamados enlatados -
como ocorria nos anos 60/70 quando utilizava-se
de bem produzidos programas das Nações Unidas, A Voz
da América, BBC de Londres, que eram encaminhados
gravados em rolos de fitas magnéticas. E faz lembrar um
episódio ocorrido com o então chefe de Programação
da Rádio Nordeste, jornalista Franklin Machado, ao
transmitir no horário reservado aos perdidos e achados
o seguinte aviso : "Gratifica-se a quem encontrou
uma pasta cheia de locutores da rádio Nordeste"...
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