OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 

 

DO BOATO À INTERNET

Wellington Medeiros

 

Imagine alguém abrindo um saco cheio de penas, deixá-lo ao sabor dos ventos de agosto e depois tentar recolhê-las. Assim era antigamente com os boatos, durante as campanhas eleitorais. Hoje, os boatos perderam espaço e, quando surgem, descobre-se que são inventados pelos próprios candidatos para serem falados e atribuindo a "agressão", se for o caso, aos adversários. Nesses tempos modernos, a moda é usar a Internet. Não são de agora as preocupações, avisos, recomendações e advertências formuladas por diferentes instituições acerca de e-mails e blogs produzidos por estelionatários. Isso não consegue evitar que uns tentem usar a Internet - uma das ferramentas mais revolucionárias surgidas nos últimos anos - para fraudar, delinqüir, extorquir ou ainda injuriar, difamar e caluniar.

Faz lembrar a tristeza que se apossou de Santos Dumont ao ver o avião usado como arma de guerra. É a Internet - diante das limitações impostas ao rádio e à televisão - que há algum tempo vem sendo usada para promover ou denegrir a imagem de pessoas. Quanto à promoção é até natural que os políticos tentem mostrar o trabalho que realizaram, os projetos que têm em mente, enfim dizer porque se julgam merecedores da confiança do eleitor e até peçam o seu voto. Mas, usar a rede mundial para tentar denegrir a imagem das pessoas, passa a imagem do saco de penas, uma vez que o agredido não tem o legítimo direito de defesa. Pode até dar o troco - munição é o que não falta - ampliando a grande lixeira em que há muito tempo está transformada  a Internet.

É de se recordar que as campanhas mais acirradas se desenvolveram quando os dois lados tinham como se defender, até mesmo dos boatos. Eram as emissoras de rádio, isto quando a legislação ainda não as havia alcançado. Era o bateu, levou e muito gogó e desaforo no ar. De um lado e do outro. O ouvinte/eleitor que fizesse o julgamento. Desse ou não credibilidade aos boatos. Era o grande censor, absolvendo ou condenando. Numa campanha choca e chocha como a que está se desenrolando - e não é somente aqui - muitos estão buscando alternativas para dar visibilidade aos seus candidatos que somente terão maior divulgação quando do início da propaganda eleitoral, daqui a uma semana.

Sem camisetas, bonés, brindes, outdoors - rádio e televisão de forma muito limitada e somente em entrevistas com os candidatos à eleição majoritária, Governo e Senado - a melhor alternativa tem sido o corpo-a-corpo, o cara-a-cara com o eleitor. Uns levam jeito, já são identificados com o eleitor. Outros que no poder se colocam numa redoma, tornando-se inacessíveis, deixam uma imagem forçada, falsa, com a caminhada eleitoral mais parecendo uma penosa maratona ou o cumprimento de uma sentença do tipo serviço prestado à comunidade. E esta, sempre alerta, vai observando claramente a diferença e muitas vezes fica mangando do "visitante" . Na disputa para o Senado, é onde este cenário é bem mais visível.

Os políticos já perceberam a dimensão que, compulsoriamente, foi dada ao "Guia Eleitoral". Será o grande palanque que terão instalado a cores, alto e bom-som para atingir os 2.101.144  de eleitores isto somente no Rio Grande do Norte. Eleitor cansado e decepcionado com tantos escândalos envolvendo o dinheiro público e estarrecido diante de tanta impunidade. Quem sabe esperando a hora de dizer Basta! Exigir respeito, como fez na última eleição municipal. Como iniciei falando em Internet, encontrei esta frase num desses sites: "É possível enganar poucos por muito tempo e muitos por pouco tempo. Mas é impossível enganar todos o tempo todo".

Tanto é assim - e as pesquisas estão mostrando - que o eleitor este ano não vai estar para brincadeira. Os principais candidatos, tanto ao Governo como ao Senado têm preferências e as rejeições naturais. Uns mais rejeitados, outros menos e sequer pode ser comparada à última eleição para prefeito de Natal, quando esse componente causou o desequilíbrio, levando-a para o segundo turno. Vão surgir os candidatos engraçados prometendo a refinaria, o trem-bala e leite encanado ou até outros visitando buracos e cemitérios. Esse marketing não cola mais. O eleitor está cada vez mais consciente de que o seu patrimônio maior é o voto. E, parafraseando o jornalista-prefeito de Parnamirim,  Agnelo Alves:  "Respeito à dignidade e ao livre arbítrio do cidadão, sim. Voto sim" . "Aliciamento e ostentação de poder sob qualquer forma, não. Voto não".

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 07.08.2006

 

 

COLUNAS ANTERIORES

LOCULÇÕES ELEITORAIS

MEMÓRIA VIVA

RÁDIO RDJ

SEGUNDO TEMPO

CEMITÉRIO DO ALECRIM

OS AVANÇOS DA JUSTIÇA

A SEMANA ANTIDROGAS

É UMA FESTA SÓ

DA NOSSA NATUREZA

HORA DE DECISÕES

OS COMERCIAIS

ONDE ESTÁ O ATENDIMENTO?

ALUÍZIO ALVES

 

Marketing - Marketing na Internet, eBook Marketing, Email Marketing, Marketing Sites de Busca, Marketing Viral.

TOPO

MENU

INDIQUE SITES

CIDADES DO RN

FALE CONOSCO