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Imagine
alguém abrindo um saco cheio de penas, deixá-lo ao
sabor dos ventos de agosto e depois tentar recolhê-las.
Assim era antigamente com os boatos, durante as
campanhas eleitorais. Hoje, os boatos perderam espaço
e, quando surgem, descobre-se que são inventados pelos
próprios candidatos para serem falados e atribuindo a
"agressão", se for o caso, aos adversários.
Nesses tempos modernos, a moda é usar a Internet. Não
são de agora as preocupações, avisos, recomendações
e advertências formuladas por diferentes instituições
acerca de e-mails e blogs produzidos por estelionatários.
Isso não consegue evitar que uns tentem usar a Internet
- uma das ferramentas mais revolucionárias surgidas nos
últimos anos - para fraudar, delinqüir, extorquir ou
ainda injuriar, difamar e caluniar.
Faz
lembrar a tristeza que se apossou de Santos Dumont ao
ver o avião usado como arma de guerra. É a Internet -
diante das limitações impostas ao rádio e à televisão
- que há algum tempo vem sendo usada para promover ou
denegrir a imagem de pessoas. Quanto à promoção é até
natural que os políticos tentem mostrar o trabalho que
realizaram, os projetos que têm em mente, enfim dizer
porque se julgam merecedores da confiança do eleitor e
até peçam o seu voto. Mas, usar a rede mundial para
tentar denegrir a imagem das pessoas, passa a imagem do
saco de penas, uma vez que o agredido não tem o legítimo
direito de defesa. Pode até dar o troco - munição é
o que não falta - ampliando a grande lixeira em que há
muito tempo está transformada
a Internet.
É
de se recordar que as campanhas mais acirradas se
desenvolveram quando os dois lados tinham como se
defender, até mesmo dos boatos. Eram as emissoras de rádio,
isto quando a legislação ainda não as havia alcançado.
Era o bateu, levou e muito gogó e desaforo no ar. De um
lado e do outro. O ouvinte/eleitor que fizesse o
julgamento. Desse ou não credibilidade aos boatos. Era
o grande censor, absolvendo ou condenando. Numa campanha
choca e chocha como a que está se desenrolando - e não
é somente aqui - muitos estão buscando alternativas
para dar visibilidade aos seus candidatos que somente
terão maior divulgação quando do início da
propaganda eleitoral, daqui a uma semana.
Sem
camisetas, bonés, brindes, outdoors - rádio e televisão
de forma muito limitada e somente em entrevistas com os
candidatos à eleição majoritária, Governo e Senado -
a melhor alternativa tem sido o corpo-a-corpo, o
cara-a-cara com o eleitor. Uns levam jeito, já são
identificados com o eleitor. Outros que no poder se
colocam numa redoma, tornando-se inacessíveis, deixam
uma imagem forçada, falsa, com a caminhada eleitoral
mais parecendo uma penosa maratona ou o cumprimento de
uma sentença do tipo serviço prestado à comunidade. E
esta, sempre alerta, vai observando claramente a diferença
e muitas vezes fica mangando do "visitante" .
Na disputa para o Senado, é onde este cenário é bem
mais visível.
Os
políticos já perceberam a dimensão que,
compulsoriamente, foi dada ao "Guia
Eleitoral". Será o grande palanque que terão
instalado a cores, alto e bom-som para atingir os
2.101.144 de
eleitores isto somente no Rio Grande do Norte. Eleitor
cansado e decepcionado com tantos escândalos envolvendo
o dinheiro público e estarrecido diante de tanta
impunidade. Quem sabe esperando a hora de dizer Basta!
Exigir respeito, como fez na última eleição
municipal. Como iniciei falando em Internet, encontrei
esta frase num desses sites: "É possível enganar
poucos por muito tempo e muitos por pouco tempo. Mas é
impossível enganar todos o tempo todo".
Tanto
é assim - e as pesquisas estão mostrando - que o
eleitor este ano não vai estar para brincadeira. Os
principais candidatos, tanto ao Governo como ao Senado têm
preferências e as rejeições naturais. Uns mais
rejeitados, outros menos e sequer pode ser comparada à
última eleição para prefeito de Natal, quando esse
componente causou o desequilíbrio, levando-a para o
segundo turno. Vão surgir os candidatos engraçados
prometendo a refinaria, o trem-bala e leite encanado ou
até outros visitando buracos e cemitérios. Esse
marketing não cola mais. O eleitor está cada vez mais
consciente de que o seu patrimônio maior é o voto. E,
parafraseando o jornalista-prefeito de Parnamirim,
Agnelo Alves:
"Respeito à dignidade e ao livre arbítrio
do cidadão, sim. Voto sim" . "Aliciamento e
ostentação de poder sob qualquer forma, não. Voto não".
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