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O
Dia Mundial do Folclore será comemorado amanhã e os
políticos, especialmente durante as campanhas
eleitorais, sempre contribuíram para ampliar o seu
acervo. Nesse período, sempre surgem brincadeiras,
frases e até mesmo tipos exóticos que podem muito bem
figurar no folclore político que nos anos 70 e 80
chegou a dar título a uma série de livros do
jornalista Sebastião Nery. São atitudes programadas
que às vezes podem resultar em votos, como ocorreu em nível
nacional com o estranho candidato barbudo Enéas,
(1.573.642 votos em 2002 para deputado federal, em São
Paulo) agora aparecendo na televisão sem barba e Miguel
Mossoró, 67.064 - 18,17% dos votos - na última
campanha municipal, levando para o segundo turno a eleição
para prefeito de Natal.
Na
atual campanha, o candidato José Geraldo Forte (PSL),
divulga agendas constando visitas inusitadas aos buracos
da BR-101, cemitérios,
a desempregados e o Xeque Humberto (PTC), vestido com um
turbante à moda árabe, sempre usando óculos escuros,
desfere críticas e formula propostas mirabolantes, como
a instalação de uma escada rolante entre a praia e o
bairro-morro de Mãe Luiza, baixar o preço da gasolina,
numa forma de ironizar esse tipo de promessa eleitoral.
São candidatos que, pelas suas formações - um é
advogado e o outro militar - poderiam muito bem estar
adotando o estilo convencional. Passariam a campanha sem
serem notados. Triturados pelo marketing dos favoritos.
Outros,
devem ficar restritos ao humor político, como o
candidato a deputado federal Kanelinha (PDT), que se
apresenta no "Guia Eleitoral" como forrozeiro,
mulherengo e bebedor de cachaça. Diz também que já
foi traído, mas ressalta que não é ladrão, numa alusão
aos mensaleiros e sanguessugas. Reputação que não
assusta o candidato a deputado estadual que se denomina
Dr. Paizinho. Ele faz a campanha na zona rural de Macaíba
vestido de branco, montado num jumento e, usando um
megafone, dirige-se aos eleitores garantindo que não
vai mentir pra ninguém: "Eu quero ser eleito é
pra roubar!"... Também de comportamento atípico e
debochado, surge o candidato Zé do Bode (PRP), com
chifres na cabeça e a mensagem quem sabe faz a hora não
espera acontecer. E ainda Alderi, o homem das agulhas,
entre outros.
Humor
ou folclore, o fato é que tais manifestações e
expressões vão sendo anotadas ao longo dos anos e
lembradas a cada campanha: "Política é como
nuvem.Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e
ela já mudou". Nos cenários que se desenharam na
presente campanha, faz sentido a frase de autoria do
mineiro Magalhães Pinto, o mesmo ocorrendo com este
cuidado do conterrâneo e ex-presidente Tancredo Neves:
"Telefone só deve ser utilizado para marcar
encontro e, de preferência, em lugar errado". Ele
tinha horror a telefone e ainda não existiam os
celulares e os grampos - que atualmente mais parecem um
liberou geral - ainda não faziam parte da rotina das
investigações, graças até mesmo às deficiências
tecnológicas.
E
têm, igualmente, as tiradas antológicas como esta do
majó Theodorico Bezerra: "A política é feita de
tudo que é bom: música, foguetão, baile, passeata,
dança, flores e aplausos". Almoços, jantares,
lanches e até bebidas fazem parte do folclore político.
O então candidato Lula da Silva, na última campanha,
ao almoçar na casa da socialite Vera Loyola, após a
inauguração de um comitê de campanha financiado por
ela e amigas, chegou a afirmar: "Jamais imaginei
que veria uma foto minha num comitê da Barra da Tijuca.
Isso é a evolução do ser humano". Ou Ciro Gomes,
que viu a mesma campanha - a dele - despencar, ao
afirmar que a mulher, Patrícia Pillar, cumpria na
campanha a função de dormir com ele.
O certo é que nesses 38 dias que ainda restam da
campanha no rádio e na televisão e muita água - ou
estão querendo lama? - vai passar por debaixo da ponte.
Já vimos este filme e tentar reprisá-lo nos remete aos
tempos do radicalismo - "Meus amigos não têm
defeito, os inimigos se não tiverem eu boto". Se
as novas gerações querem um exemplo, conversem com o
jornalista Eugênio Netto. Foi vereador e deputado
estadual - sempre o mais votado. Dinartista, e,
portanto, ferrenho adversário do ex-governador Aluízio
Alves. Pouco antes do falecimento do líder da Cruzada
da Esperança, Eugênio encontra-se com ele e revela
trecho do livro que está escrevendo e que, além de
comprovar a assertiva daquela frase acima ainda pode
entrar para o folclore político: "Ministro, quando
comecei a escrever meu livro chamava o senhor de ladrão.
Mas, pensei bem e vou mudar para desonesto".
"Mude, Eugênio, continue mudando”... Recomendou
Aluízio, sorrindo.
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