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A
pouco mais de três semanas para as eleições, não
deve queimar a língua quem disser que esta é a
campanha mais tranqüila pelo menos dos últimos 30 anos
no Rio Grande do Norte. Esse clima - mesmo nessa reta de
chegada - pode ser atribuído de um lado à aliança das
duas mais expressivas lideranças políticas - Garibaldi
Filho e José Agripino - e do outro à legislação
eleitoral, cujas regras são cada vez mais rígidas. Sem poder fazer propaganda em outdoor, distribuir
brindes como bonés e camisetas, a maioria dos
candidatos se limita às aparições no Guia Eleitoral
e na distribuição de fotografias com os
respectivos números - os chamados "santinhos"
- além dos carros de som, freados para uns devido o
alto preço dos combustíveis.
Assim,
os 2.101.144 eleitores norte-rio-grandenses aguardam
apenas chegar a hora de comparecer às urnas no próximo
dia 1º e manifestar a sua preferência, sem grande
poluição visual - até os adesivos em veículos são
escassos - movimentação
comedida dos carros de som e a quase ausência de denúncias
ou acusações. É que os dois principais candidatos ao
Governo - Garibaldi Filho e Wilma de Faria - foram
aliados quando o primeiro exerceu, antes dela, o segundo
mandato de governador, resultando na liberação de
volumosos recursos originados da venda da Cosern para a
então prefeita de Natal. Essa aliança invalida críticas
à venda da empresa estatal. Enquanto denúncias de
irregularidades praticadas no governo atual e que estão
diariamente na imprensa, não chegam ao Guia Eleitoral
dada a limitação de tempo e a chatice do direito de
resposta.
Nesse
cenário em que ninguém descompõe ninguém é que
emerge um novo tipo de especulação, mais para a ocupação
de espaços nos jornais, envolvendo as pesquisas
eleitorais. Os marqueteiros, que foram estrelas em
campanhas passadas agora são vistos com naturalidade em
qualquer estrutura. Estão fazendo a parte deles
e os programas, tecnicamente, se nivelam. Os assessores
jurídicos que se imaginava fossem dominar a cena,
igualmente prestam hoje os seus serviços da mesma forma
que em campanhas recentes. A Lei das Eleições 9.504,
de 30 de setembro de 1997 é a mesma, com os ajustes
naturais a cada dois anos. Mas, entram na moda os
analistas de pesquisas.
Tem
análise para todos os gostos - ou gastos. Manipulações
as mais estapafúrdias pelos que aparecem em
desvantagem. Uns parecem estar lendo as pesquisas de
cabeça para baixo, outros embaralham os números dos
diferentes institutos para confundir o eleitor. Tem até
pesquisa fantasma. Quase que diariamente, surgem boatos
e declarações nos jornais de pessoas que imaginam que
o leitor é besta ou idiota. É preciso ser alienado
para sequer ler tanta baboseira, tentando distorcer números,
gerar fatos. Aliás, se as universidades quiserem
prestar um serviço à sociedade é criar até 2008 a
cadeira de Analista de Pesquisa Eleitoral. Certamente
vai ser uma das mais concorridas e com emprego
garantido, pelo menos daqui a dois anos.
Esses
"analistas", lembram uma seqüência de fatos
ocorrida há quase dois séculos e que ficou na história.
Deposto em 1813, Napoleão Bonaparte refugiou-se na ilha
de Elba. Informado da fragilidade do governo provisório,
fugiu da Ilha e desembarcou na costa Meridional da França
no dia 1º de
março de 1815, rumando para Paris. Valendo-se de fontes
mal informadas, ou usando tal artifício para agir de
forma tendenciosa, o jornal parisiense "Le
Moniteur" hoje é exemplo para ilustrar como às
vezes se formam (ou se deformam) as opiniões da
imprensa.Confundindo os seus leitores.
As
manchetes desse jornal mostraram como
as coisas podem mudar no curto espaço de duas
semanas: Março de 1815, manchete do dia 09/03 - O
MONSTRO fugiu do local do exílio; dia 10 - O OGRO
(bicho papão) desembarcou em Cabo Juan; dia 11 - O
TIGRE apareceu em Gap. As tropas estão chegando de
todos os lados para deter-lhe a fuga. A miserável
aventura acabará em fuga nas montanhas; dia 12 - É
verdade que o MONSTRO adiantou-se até Grenoble; dia 13
- O TIRANO agora está em Lyon. O terror apoderou-se de
todos que o viram chegar; dia 15 - O USURPADOR
arriscou-se a chegar a umas 60 horas da capital; dia 19
- BONAPARTE adiantou-se em marchas forçadas, mas é
impossível que alcance Paris; dia 20 - NAPOLEÃO chegará
amanhã aos muros de Paris; dia 21- O IMPERADOR NAPOLEÃO
está em Fontainebleau e, finalmente, dia 22 - Ontem à
tarde, SUA MAJESTADE o IMPERADOR entrou solenemente em
Paris e chegou ao Palácio. Nada pôde superar a alegria
universal.
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