|
Se
nos idos dos anos 70 ficou famosa a frase "nada a
declarar", marca registrada do então ministro da
Justiça, Armando Falcão, nesses últimos dois anos
outra frase passou a servir de tangente, desta feita
usada em sucessivos episódios pelo atual presidente da
República, Luis Inácio Lula da Silva: "eu não
sabia de nada". Foi assim, desde as denúncias -
umas até filmadas - envolvendo o assessor do Palácio
do Planalto Waldomiro Diniz e um bicheiro carioca,
seguindo-se caixa-2, mensalão, valerioduto, quebra de
sigilo bancário de um caseiro, caso do dinheiro na
cueca e, mais recentemente, a descoberta do envolvimento
do coordenador geral da campanha à reeleição e alguns
assessores na compra por R$ 1 milhão e 700 mil de um
dossiê para tentar prejudicar candidatos de oposição.
Lembrar
tais fatos - já que ganhamos a fama de povo de memória
curta - tornou-se uma necessidade,
independentemente de quem vota ou não no
presidente Lula. Difícil é acreditar que alguém,
medianamente informado e em sã consciência,
aprove essa "insanidade", transformada
em rotina nos dois últimos anos. A não ser alguns que,
mesmo tapando o nariz - embora condenando -
façam a travessia deste ano eleitoral por pura
conveniência ou tentativa de sobrevivência política.
Ou outros imaginando que os demais também são imbecis.
Tanto é assim, que uma das frases orquestradas é que
"No Brasil foi sempre assim. Tudo isso existia, mas
somente agora no governo Lula é que está sendo apurado
e o povo tomando conhecimento". Quem enxerga um
palmo diante do nariz deve perceber que está praticando
uma ofensa à Polícia Federal e ao Ministério Público
que, ao longo do tempo vêm atuando constitucionalmente
e com reconhecida competência no combate ao crime
organizado, principalmente envolvendo a administração
pública.
Como
citei nariz - agora podem tirar o lenço - porque foi
necessário este "nariz de cera" - preâmbulo
extenso - como chamamos no jargão,
para abordar o tema proposto
"astral dos candidatos" na semana que
antecede a eleição. No caso da Presidência da República,
ao iniciar a pesquisa - até porque de astrologia me
basta o Horóscopo publicado mais à frente no caderno
JH Diversão & Arte -
encontrei estes trechos em dois sites: "O
mapa astral é feito com base na posição dos astros no
céu no momento do nascimento. Lula não sabe exatamente
quando nasceu". Faz sentido. "Até hoje é a
maior polêmica" - diz ele em entrevista -
"Meu pai me registrou dia 6 de outubro. Na verdade,
eu prefiro acreditar na memória da minha mãe, que diz
que eu nasci no
dia 27". Em outro, a astróloga Graziella
Marranccini afirma que "há controvérsias".
Pode?... No site no Tribunal Superior Eleitoral consta a
data do registro - 06.10.1945.
Já
o principal concorrente, Geraldo Alckmin, sete anos mais
novo, é de 07.11.1952.
Detalhe, os dois são do signo de Escorpião. Mas para
os astrólogos, embora os dois candidatos sejam do mesmo
signo, há diferenças drásticas na personalidade de
ambos. Aí não precisa sequer saber ler e escrever.
Afirmam que Alckmin é
um homem sério e trabalhador, bastante
determinado e com uma grande capacidade de julgamento. Já
sobre Lula dizem que tem personalidade apta a lidar com
crises e que terá um período muito agitado e tenso.
Ainda sobre Alckmin afirmam que apesar de parecer um
sorvete de chuchu, é um bom estrategista e bastante
articulador. É centralizador: "Poucas pessoas da
equipe dele falam, podem reparar". Já Lula é
estrategista, mas terá motivos para perder o sono. Quem
diz isso - está na Internet - é a astróloga Graziella
Marraccini.
Uma
astrológica coincidência também ocorre entre os dois
principais candidatos ao governo do Rio Grande do Norte
- Garibaldi Filho e Wilma de Faria. São do mesmo signo
- Aquário, nascidos de 20.01 a 18.02 - o primeiro é do
dia 17 de fevereiro e a segunda, de
04 do mesmo mês. Para completar, o candidato a
vice de Garibaldi, Ney Lopes, é do dia 14 e Iberê
Ferreira, vice de Wilma é do dia 27, também do mês de
fevereiro. E os quatro nasceram numa diferença de três
anos - entre 1944 (Iberê, o mais velho) e 1947
(Garibaldi, o mais novo). Para os astrólogos - é só o
que tem na Internet - aquarianos gostam de trabalhar em
grupo. Acreditam que cada um tem potencial próprio,
independente de cor, credo, sexo e idade. Na mitologia,
o signo é representado ora por um jovem, ora por um
velho. Ambos trazem uma ânfora (vasilha) cheia d´água,
que derramam ao solo. Nesta reta final, taí uma boa
pauta para os analistas de campanhas. É que pesquisa
eleitoral - tipo essa última da Sensus - não merece análise.
Precisa é de investigação.
|