OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 

 

BOAS E MÁS NOTÍCIAS 

 

 

Está no Manual de Redação da CBN uma recomendação que deve ser seguida à risca: "Prefira "daqui a pouco outras notícias" a "daqui a pouco mais notícias". O motivo é simples: "mais" soa como "más". Isso não significa que em meio às notícias seguintes não estejam notícias más. É o caso desta segunda-feira, 2 de outubro, pós eleição, dia em que, certamente, temos que transmitir notícias boas e más. Na hora em que prometemos outras informações, são as boas para os vitoriosos e as más para os que não obtiveram sucesso nas suas candidaturas. Em nível de disputa majoritária houve empate, mas com sabor de vitória para um dos lados. O eleitor decidiu pelo segundo turno entre a governadora Wilma de Faria, candidata à reeleição e o senador Garibaldi Filho que teve eleita a companheira de chapa, senadora Rosalba Ciarlini. Neste momento, quando os candidatos se debruçam sobre números bons e maus, não podem esquecer a bagunça em que alguns institutos de pesquisa tentaram transformar a disputa eleitoral.

Neste domingo, 1 de outubro, uma feliz coincidência: em meio à cobertura da eleição 2006, a Central Brasileira de Notícias estava comemorando 15 anos de funcionamento, dos quais dez presente em Natal, através dos 1190 AM. Quem ouve a CBN - a rádio que toca notícia - foi mais uma vez brindado - faz lembrar o "Momento do Brinde", programa do jornalista Renato Machado -  com a maior e mais completa cobertura das eleições, quer durante o transcorrer da campanha ou neste domingo acompanhando o seu desenrolar e as apurações. Coincidentemente, completo um ano produzindo e apresentando as notícias locais nos intervalos do Jornal da CBN, das 6 às 10 horas, acompanhando o âncora Heródoto Barbeiro, o mais premiado do rádio brasileiro.

É nesse horário nobre do rádio que observo com mais intensidade, a audiência da CBN em Natal. A marca que criamos para a primeira participação, às 6:10h - "Aqui, você começa o dia ainda mais bem informado, ou informada", tem sido lembrada por pessoas que nos encontram em diferentes lugares, registrando que é a primeira fonte de informação diária. Outros, através de e-mails, a maioria enaltecendo o trabalho, outros formulando críticas, como a de um ouvinte que implicou logo nos primeiros meses com a divulgação do resultado dos jogos da Caixa - Mega, Quina, Lotofácil, entre outros, sempre às 6h20min - enquanto uns afirmavam ser este um dos motivos para acordar cedo com lápis e o comprovante da aposta à mão. E estes são maioria.

Embora já tenha ancorado "As Notícias da Tarde", logo nos primeiros anos, o Rede Tropical de Notícias, pela manhã, juntamente com Franklin Machado, logo no início atuei no Departamento Comercial - hoje entregue ao publicitário Ronaldo Soares - e recordo um fato das pessoas não estarem bem familiarizadas com o nome CBN e muitas vezes trocarem as letras para BCN e até CDM, sigla de uma antiga empresa estatal. Não recordo ao certo o estabelecimento, mas quando a secretária trocou os nomes e insistiu, me veio à lembrança uma história contada nos anos 80 pelo padre José Luis. Zé Luis depois ex-Padre, casado, publicitário - nesse tempo bastante popular, pelos artigos que escrevia para jornais, livros que começava a publicar e até incursão pela política - chegou certo dia ao gabinete do Secretário de Educação e apresentou-se para falar com o Secretário. A recepcionista indagou: Como é o nome do senhor? - Diga que é padre Zé Luiz. A secretária indaga: "Qual é a sua paróquia?". Imaginem a reação dele.

Memória é uma prática estimulada pela CBN nacional para lembrar os 15 anos. Instituiu durante os últimos meses um bloco com "A história da rádio que toca notícia". Recordo - embora seja fato recente -  que durante a Copa do Mundo nós recebemos, chocados, a notícia da morte do jornalista Marco Antônio Antunes - o garotinho da Copa, ocorrida na Alemanha. Foi num domingo, 28 de maio e na segunda-feira iniciei o primeiro intervalo cheio de dedos para dar a informação que não gostaria de iniciar a semana. Mas, foi o jeito. Duas semanas depois, sábado, 17 de junho, enquanto acompanhava o noticiário, aguardando o intervalo, abro a Internet - todos no clima de início da Copa - e vejo num site a morte de Bussunda, Cláudio Besserman Vianna. E a CBN nacional ainda não havia divulgado. Fiquei na dúvida, mas como a informação era da Globo News - e a CBN é do Sistema Globo de Rádio - imaginei que logo, logo a notícia estaria no ar.                  

Para completar, em seguida, recebo o telefone de um ouvinte. "Tá sabendo da morte de Bussunda?. Estou vendo aqui na Internet e vocês ainda não deram". A rede ainda segurava. Resolvi dar a notícia no primeiro intervalo. Quando voltamos para o nacional, era o principal destaque. Claro, que já falando da Alemanha com todos os detalhes. É outra recomendação: "a necessidade da urgência na divulgação de um fato não significa esquecermos o princípio ético de só transmitirmos a notícia que estivermos testemunhando ou que já esteja confirmada. A urgência deve ser conjugada à precisão. A credibilidade é fundamental. Seja notícia boa ou má.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 02.10.2006

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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