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Encerrada
a apuração, os candidatos ao Governo do Estado alçados
ao segundo turno no próximo dia 29 - Garibaldi Filho e
Wilma de Faria – dedicaram parte da semana para
avaliar com serenidade o quadro que emergiu da primeira
batalha. Também a calcular as vitórias e baixas
ocorridas de lado a lado. Ao contrário do que faziam
uma semana antes, analisando pesquisas - umas até que
se aproximaram, outras duvidosas - receberam em poucas
horas da Justiça Eleitoral o resultado da grande
consulta feita aos 2.101.144 eleitores
norte-rio-grandenses, dos quais compareceram às urnas
1.789.912.
Agora,
o mapa (da mina) eleitoral está desenhado município a
município, urna
a urna, voto a voto. Com metade da eleição majoritária
definida - eleita a senadora Rosalba Ciarlini - a coligação
liderada pelo senador Garibaldi Filho - 749.003 votos -
parte com vantagem, embora a eleição tenha sido
considerada empatada. Não teve aberto um ponto sequer
de vantagem para um lado ou para o outro. Até nos
grandes colégios eleitorais a igualdade foi detectada.
Se Wilma - 764.016 votos - venceu em Natal, Garibaldi
foi vitorioso em Mossoró. Se Garibaldi foi o mais
votado em Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Macaíba,
Macau, Canguaretama e João Câmara, Wilma saiu com
maioria do Assu, Caicó, Ceará Mirim, Currais Novos,
Apodi e Santa Cruz.
Foi
também uma semana pontuada por muitos fatos
relacionados ao veredicto das urnas. Todos produzidos
pelos números bons ou maus - agora incontestáveis -
mas recebidos como naturais de uma disputa, muitas delas
chamuscadas pelo "fogo amigo". A alegria dos
vitoriosos, a tristeza misturada à surpresa de outros,
abriu para a quem acompanha esse dia-a-dia um leque de
temas e, por isso mesmo, difícil de ser resumido num único
artigo, a não ser de forma superficial, permitindo a
que possamos agora produzir um "cineminha" –
baseado nestas cenas:
Lição
- Se Prefeito ganhasse eleição, o Governador ou
Senador da República era o presidente da Federação
dos Municípios. Femurn é a entidade que reúne os
prefeitos dos 167 municípios do Rio Grande do Norte.
Diálogo
- Fernando Bezerra em 2006 - 634.738 votos - repete
Fernando Freire em
2002. Diálogo irresistível para a maioria dos
prefeitos. Eram 134, alguns até do PFL. Subestimavam a
inteligência e o nível de esclarecimento do eleitor.
Tranqüilidade
- Da senadora Rosalba Ciarlini - 645.869 votos - que
hora nenhuma durante a campanha queixou-se de pesquisas
ou de notinhas, quase todas desfavoráveis. Com o largo
sorriso de sempre, falava direto com os eleitores.
Confiante na vitória. Que, igualmente lhe sorriu dia 1º.
Ética
- A postura do senador José
Agripino durante toda a campanha ao lado de Garibaldi
Filho/Ney Lopes e Rosalba Ciarlini. Outros candidatos já
sentiram nesta e em outras campanhas, a importância de
tê-lo como aliado. Estimulou, com êxito, o ingresso na
vida pública do deputado federal Felipe Maia - 124.382
votos.
Humildade
- Do ex-governador Lavoisier Maia – hoje festejando a
marca 7.8 - em disputar uma cadeira na Assembléia
Legislativa, depois de ter sido governador, senador e
deputado federal. Puxou 35.278 votos para o partido e
ainda assim é acusado de ter prejudicado outros
companheiros socialistas.
Resignação
- Deputado estadual Cláudio Porpino - 28.650 votos -
diante de mais uma derrota no sistema que defende. Nas
horas críticas, é a primeira voz a se fazer ouvir em
defesa do governo. Fiel escudeiro vê-se, agora,
chamuscado pelo "fogo amigo".
Explicação
– De todos os insucessos nas urnas, a mais é difícil
de explicar aos eleitores: o do ex-governador e deputado
estadual Vivaldo Costa que não é de ficar resignado.
Os devotos do Papa - 32.663 votos - defendem “excomunhão”
para os responsáveis pela derrota que abalou o Seridó.
Avaliação
- É o que estão fazendo o deputado estadual Luiz Almir
e o sargento Miguel Mossoró. Há dois anos, Almir
obtivera 178.249 votos para prefeito de Natal, agora
conseguindo apenas 31.064, enquanto Mossoró animado com
os 67.065 de prefeito, somou agora 5.184 para deputado
estadual.
Pesquisa
- Sensus (49,6% para Wilma e 35,8% para Garibaldi) a uma
semana da eleição, está para 2006 o que o Gallup
esteve para a eleição em 1986. Desmoralizado, nunca
mais apareceu.
Plantação
- Mesmo em segundo plano, os candidatos a
vice-governador estão acesos na campanha. Plantaram a
notícia de que Ney Lopes poderia ser substituído na
chapa de Garibaldi Filho e ele deu logo o troco: "são
boatos para encobrir a crise com a derrota de Vivaldo,
cogitado para substituir Iberê".
É
nesse novo cenário que o filme continua.
(*)
Wellington Medeiros é Jornalista.
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Artigo publicado
inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 09.10.2006 |