OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 

 

CONTAGEM REGRESSIVA 

 

Se contagem regressiva é um meio de se medir, com precisão, algo prestes a começar, esta semana dá-se o inverso. Contam-se nos dedos os dias para o término da campanha eleitoral 2006 no seu segundo turno. Nesta sexta-feira acabam os programas de rádio e televisão, comícios e reuniões públicas. No sábado ainda poderão ser realizadas carreatas que no primeiro turno rolaram até o último minuto permitido pela legislação eleitoral. Assim, vai se aproximando do seu final a campanha para candidatos a esta altura à beira da exaustão, depois de quase quatro meses em que fizeram o que podiam para levar as suas mensagens aos eleitores que neste domingo, 29, irão votar - apertando apenas duas teclas – primeiro para Governador e em seguida para Presidente da República.

No Rio Grande do Norte, estão reconvocados 2.101.144 eleitores, dos quais 1.789.912 compareceram no primeiro turno às 6.456 urnas instaladas em 1.521 locais, elegendo a senadora Rosalba Cairlini, oito deputados federais e 24 estaduais. Neste segundo turno são usadas todas as armas que se possa imaginar: das rotineiras reuniões às naturais e democráticas opções por um ou outro candidato, as indefectíveis adesões, seguidas de acusações, insatisfações, traições, até o uso de gravações fora de época e com maior intensidade dos sites e blogs da Internet, as notas plantadas de lado a lado, além das desacreditadas pesquisas. Depois de tanta movimentação, agora é esperar a hora das eleições, marcadas pelo formato desigual, proporcionado pelo instituto das reeleições. Mas é a regra do jogo que vem vigorando desde 1997, arquitetada pelo tucano Fernando Henrique Cardoso.

Foi essa mesma legislação que já proporcionou a reeleição para os atuais candidatos ao Governo do Estado: Garibaldi Filho, reeleito governador em 1998 e Wilma de Faria, reeleita prefeita de Natal em 2000, na época – ironia do destino - contando com o apoio do adversário na atual campanha ao Governo. Hoje, tanto um lado como o outro contam vitória. Os eleitores da situação, amparados no próprio slogan da campanha da governadora Wilma de Faria – “vitória do povo” – esperam que seja esse mesmo o resultado. Ademais, os anima a ligeira diferença do primeiro turno, de 15.013 votos. Já os que votam em Garibaldi Filho apostam em mais uma vitória – o senador nunca perdeu uma eleição - e até afirmam que a preliminar ocorreu no dia 1º de outubro, com a eleição – contrariando todos os institutos de pesquisa - da senadora Rosalba Ciarlini, 645.869 votos. Ademais “vontade popular” é a coligação que uniu as duas mais expressivas lideranças estaduais: senadores Garibaldi Filho (PMDB) e José Agripino (PFL) e no segundo turno o maior número de novos apoios, incluindo o atual vice-governador, Antônio Jácome, do PMN e o advogado e comunicador Gilson Moura, do PV, eleitos deputados estaduais com 40.774 e 45.364 votos, respectivamente, e os adversários no 1º turno, entre eles o Geraldo Forte, do PSL.

Quem acompanha a política do Rio Grande do Norte desde os anos 60, período em que Garibaldi iniciou a sua carreira política ao lado do tio Aluízio Alves, sabe que só existia eleição fácil - e às vezes não tão fácil assim - durante o regime militar que indicou para eleição indireta três governadores entre 1971 e 1979 – Cortez Pereira, Tarcísio Maia e Lavoisier Maia, seguindo-se governadores eleitos em disputas acirradas, embora uma delas fosse apontada como “nomeação” – a de 1986 – João Faustino/Geraldo Melo – com o primeiro tido como favorito pelo apoio da maioria dos prefeitos. A pesquisa Gallup “boca de urna”, apontava uma vitória de João por 90 mil votos. Perdeu por 14 mil. Coincidentemente, passados 20 anos, são personagens diretamente interessadas no resultado da atual eleição. Estranhamente, em campos opostos, apesar de integrarem o mesmo partido – o PSDB.

É que Garibaldi Filho - senador até 2011 –  eleito governador no próximo domingo, o PSDB, que tem João Faustino na primeira suplência, assumirá a vaga pelos próximos quatro anos. Mesmo assim, o presidente regional, Geraldo Melo apóia desde o primeiro turno a adversária, numa engenharia política na qual luta para que o próprio partido perca a vaga no Congresso Nacional. Não deu sequer uma de tucano, de plumagem azul e amarela – isto é, em cima do muro – migrou para outro lado, o vermelho do PT-PSB. Neste enredo, estejamos todos preparados esta semana para ouvirmos, com insistência esta pergunta: “O que é que está achando?”. Se ensaiar uma resposta, terá logo uma outra: “Quem ganha a eleição?”. Uma saída para deixar a resposta literalmente no ar: “Política é como nuvem. Você olha, está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 23.10.2006

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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