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Não
fosse o prolongamento das eleições, certamente já
estaríamos no clima da festa natalina, tendo como
personagem central - para o agrado maior da criançada -
o Papai Noel. Mas, até este final de semana, os atores
eram os candidatos a governador e presidente da República,
entre os quais um – o de barba – com a aparência do
bom e simpático velhinho, sendo este com um saco cheio
de promessas, mas indiretamente cobrando retribuição
pelo presente que distribuíra entre os mais carentes,
simbolizado pelo programa “bolsa família”.
Durante
quatro meses, foram tantas as obras mostradas na televisão
e muitas outras prometidas, que uns chegavam até a se
sentir em outro país. Educação, saúde e segurança pública
de primeiro mundo. Pleno emprego, casa própria, boas
estradas, preços mais baixos, melhores salários, todos
os serviços públicos funcionando às mil maravilhas.
Tanto que a certa altura da campanha, em nível local,
os empresários – diante da saraivada de promessas –
chegaram a se reunir para anotar algumas delas para a
devida futura cobrança.
Na
verdade, a partir de hoje voltamos ao mundo real, sem a
propaganda que enchia os olhos de uns e agradava aos
ouvidos de tantos outros e vice-versa. Estão reeleitos
o presidente Luis Inácio Lula da Silva e a governadora
Wilma de Faria. O primeiro com 60% dos votos dos
brasileiros, derrotando o ex-governador Geraldo Alckmin
40% e a governadora com 824.101 votos, 52% contra
749.172 do senador Garibaldi Filho, 48%. A diferença
– 74.929 votos - em torno de 4% reacende a discussão
sobre as pesquisas eleitorais. Desta vez nem o Ibope
escapa. Anteontem à noite apontava para uma diferença
de 10%.
Dois
ícones desta campanha em nível estadual ainda estão
na cabeça dos eleitores: a ponte Forte-Redinha que se
arrasta há anos e, pela vontade da governadora
candidata, certamente já deveria ter sido concluída e
até mesmo dando passagem a muitas das carreatas que
ocorreram durante esta campanha. Agora, somente no próximo
mandato. Foi a maior demonstração, em pleno processo
eleitoral, de que prometer é fácil. Difícil é fazer.
Apesar de todos os esforços, a ponte que algumas vezes
parou ainda não foi desta vez que saiu.
O
outro é a venda da Cosern, que se tentou colocar –
transcorridos quase dez anos - como marca negativa para
o candidato Garibaldi Filho, governador na época,
embora em Pernambuco seja conhecida a frase de Miguel
Arraes, falecido líder do PSB, justificando a preparação
do processo para a venda da co-irmã da Cosern: “Não
sou privatista e continuo socialista. A privatização
da Celpe (Companhia Energética de Pernambuco) é uma
oportunidade para conseguir recursos num momento em que
os Estados enfrentam dificuldades financeiras”.
(1997). A crítica local partia do próprio PSB.
Hoje,
a exemplo de uma peça publicitária surgida nessa
campanha, deve-se perguntar aos eleitores: “Cite três
promessas feitas pelos candidatos nesta eleição”.
Muitos, diante da enxurrada, não irão sequer lembrar.
Outros, resignados, vão afirmar que tudo aquilo era
coisa para tentar ganhar a eleição. E das que
conseguir lembrar, só o tempo dirá se serão ou não
cumpridas.
Foi
esse tipo de comportamento durante as eleições ao
longo dos anos que vem servindo de argumento para
candidatos alternativos, desde a campanha municipal,
prometendo coisas absurdas, sob os olhares e ouvidos
descrentes dos eleitores, a tudo levando para o lado
humorístico. Agora, é se partir para a reforma política,
com base nos erros anotados antes e durante esta
campanha. Um exemplo disso, os políticos trocarem de
partido e de lado como numa pelada de futebol de praia,
gerando confusão na cabeça dos eleitores, embora seja
a essência da permissividade da atual legislação.
De
todo esse emaranhado, saíram ilesos a Justiça
Eleitoral, garantindo um pleito tranqüilo e organizado
- apesar do acirramento dos ânimos nos últimos dias da
campanha - e o próprio eleitor que a cada pleito vem
demonstrando amadurecimento e, sobretudo respeito à
lei. Um fato que pude observar. Nas carreatas realizadas
pelos dois candidatos ao Governo, algumas vezes era visível
a quantidade do material de propaganda em poder de
alguns militantes. Não se via um adesivo por menor que
fosse colado num poste, meio-fio, coisa parecida. É o
eleitor sinalizando que está disposto a colaborar para
fazer da política um jogo limpo. E em clima de festa.
Igual à de Papai Noel. O de verdade.
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