OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

A PADROEIRA 

 

O dia da Padroeira de Natal, Nossa Senhora da Apresentação, comemorado amanhã, tem um significado especial para os católicos e muitos estarão bem cedo - 4h - na Pedra do Rosário, para externar publicamente o agradecimento pela santa proteção. E para os numerologistas – numerologia é uma ciência que estuda os números e suas influências sobre as pessoas – este ano será uma data especial.

É que amanhã faz 253 anos que em meio à festa da Padroeira – na época reverenciada sem imagem - ocorreu a descoberta do pequeno caixão trazendo a santa, coincidentemente 253 anos após o descobrimento do Brasil. Embora a fundação de Natal tenha ocorrido a 25 de dezembro de 1599, quase um século após o descobrimento, não pode deixar de ser uma curiosidade.

Foi graças à curiosidade de um grupo de pessoas em torno do caixote que a imagem até hoje é venerada e, lembrada igualmente a frase encontrada numa estreita tira: “No ponto onde der este caixão, não haverá perigo” ou “Onde esta Santa parar nenhuma desgraça acontecerá”. Têm o mesmo teor e a diferença de palavras é atribuída à tradição oral da época. 

A segunda frase é a mais usada como ocorreu em 1974, na administração do então prefeito Jorge Ivan Cascudo Rodrigues quando o local ganhou a estrutura que permanece até hoje. Na placa, além de lembrar a mensagem, uma nova inscrição: “Na manhã de 21 de novembro de 1753, encalhou nesta pedra um caixote contendo a imagem de Nossa Senhora e, por ser dia da Apresentação, tomou este nome a Santa padroeira da cidade do Natal”.

Mergulhado nos arquivos sobre a Padroeira, que ao chegar aqui Natal tinha cerca de 300 habitantes - hoje se aproximam de um milhão – redescobri que os jornalistas e até a televisão têm, isoladamente, os seus padroeiros. O dos jornalistas é São Francisco de Sales (1567-1622). Foi instituído padroeiro pelo Papa Pio XI, em 1923, e a festa é celebrada no dia 24 de janeiro – Dia Mundial das Comunicações, que em 2007 terá como tema “As crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação”.

São Francisco de Sales é padroeiro dos jornalistas porque passou a vida inteira escrevendo. Foi o inspirador de D. Bosco quando da fundação da sua Congregação que recebeu o nome Salesianos. O nosso padroeiro gostava de dizer: “Se erro, prefiro que seja por excesso de bondade que por demasiado rigor”. Outro lembrete relativo ao relacionamento humano de autoria dele: “Mais abelhas se apanham com uma gota de mel do que com um barril de vinagre”.

Santa Clara (1194-1253), padroeira da televisão, chamava-se Clara Favarone e nasceu na cidade italiana de Assis. De família nobre, a vocação religiosa manifestou-se desde pequena, através da devoção e caridade para com os pobres, privando-se de sua alimentação e mandando-a aos pobres e órfãos, enquanto entregava-se a jejuns e orações. Aos 18 anos fugiu de casa e aderiu à vida religiosa calcada nos ideais de Francisco de Assis: pobreza e fraternidade.

Passou a ser reconhecida como padroeira da televisão devido ao seguinte episódio: Era noite de Natal, Clara encontrava-se doente no mosteiro de São Damião, não podendo ir à Igreja de São Francisco rezar com as outras irmãs e, por isso, ficou sozinha e desolada. Mas, acreditou-se que, por graça divina, Clara fez-se presente em espírito na Igreja, participou de toda a solenidade festiva e mais, recebeu a comunhão e se sentiu alegre, tudo isso sem ter saído do mosteiro.

Este foi o primeiro relato da era cristã em que uma santa pôde presenciar o que se passava muito além das paredes que a cercavam, da mesma forma que nós podemos, hoje, através da televisão, testemunhar o que ocorre até mesmo do outro lado do mundo. Foi oficialmente reconhecida como padroeira da televisão no dia 14 de fevereiro de 1958, em Roma, pelo Papa Pio XII.

Nestas 24 horas, serão milhares as preces a Nossa Senhora da Apresentação. Para que continue abençoando e protegendo a cidade do Natal, aonde chegou pequena e simples tal qual a povoação na época, portando a mensagem prometendo nos livrar da desgraça, hoje objeto de reflexão e, também, de justificada preocupação – como a externada no artigo “O morro, a mata e o mar”, publicado na edição de ontem desde JH, de autoria do Procurador de Justiça Luiz Lopes de O. Filho. É um texto para o natalense ler de pé e em voz alta.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 20.11.2006

 

 

COLUNAS ANTERIORES

A VITÓRIA DE BABÁ

SEMPRE VERÃO

A FESTA CONTINUA

CONTAGEM REGRESSIVA

MATA GRANDE

FATOS E VOTOS

BOAS E MÁS NOTÍCIAS

ASTRAL DOS CANDIDATOS

ORTEGA E O VOTO

DO LICEU AO CEFET

A RETA DE CHEGADA

BARRIGA DO ALUGUEL

FOLCLORE ELEITORAL

CLARICE PALMA

DO BOATO À INTERNET

LOCULÇÕES ELEITORAIS

MEMÓRIA VIVA

RÁDIO RDJ

SEGUNDO TEMPO

CEMITÉRIO DO ALECRIM

OS AVANÇOS DA JUSTIÇA

A SEMANA ANTIDROGAS

É UMA FESTA SÓ

DA NOSSA NATUREZA

HORA DE DECISÕES

OS COMERCIAIS

ONDE ESTÁ O ATENDIMENTO?

ALUÍZIO ALVES

Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

TOPO

MENU

INDIQUE SITES

CIDADES DO RN

FALE CONOSCO