OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

FM, novo desafio

 

          “Vovô, dá para o senhor tocar músicas do RBD?”. Foi o pedido da minha neta, Mariana, quando soube no domingo que a partir da segunda-feira, 4/12, estaria na 103,9 FM. Aceitou a explicação de que a minha tarefa, embora inserida entre dois programas musicais pop – “Cabine 103” e “Balaio de Gato” – era apresentar o “Repórter Tropical”, das 7h às 7h40min, não só na FM de Natal, mas simultaneamente para outras seis emissoras integrantes da Rede Tropical de Rádio: Libertadora (Mossoró), Cultura do Oeste (Pau dos Ferros), A Voz do Seridó (Caicó), Ouro Branco (Currais Novos), Curimataú (Nova Cruz) e Salinas (Macau). Embora ela, nos seus nove anos já tenha as suas preferências musicais, confesso que a referência que tenho é ao mudar de canal na televisão me deparar com cenas da telenovela “Rebelde” que originou em 2004 a banda mexicana de sucesso “Tour Generación RBD”.

          Apesar de ter feito comentários na 103,9 na época apresentado por Túlio Lemos, é a primeira vez que tenho a missão - ou é desafio, como considera o jornalista Jânio Vidal - de ocupar maior espaço de tempo no rádio FM que, apesar de criticado no decorrer dos anos, sempre o tratei com o respeito que devem merecer todos os meios de comunicação e entretenimento. Primeiro, o consideravam alienado por só tocar música - e para tanto existe explicação até de cunho político - depois pelos locutores desenvolverem o mesmo estilo – o que não é verdade. Inegável é a superioridade do rádio FM na qualidade do som. Hoje tem FM transmitindo notícias 24 horas, como é o caso de emissoras da rede CBN em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. Em Natal, não só a 103,9 vem abrindo espaço para o jornalismo – além do Repórter Tropical, o programa “Questão Política” e boletins de hora em hora – em ordem decrescente a 96/FM e 94/FM com programas jornalísticos apresentados, respectivamente, pelos jornalistas Diógenes Dantas e Roberto Guedes. Só não lembro, agora, os horários...

          Entre a CBN, onde apresentava as notícias locais nos 12 intervalos abertos durante as três horas do “Jornal da CBN” (das 5h às 8h) e a 103,9 FM a diferença é que as notas/gravações então distribuídas a “conta gotas”, agora são apresentadas sem intervalo, das 7h às 7h40min. Na verdade, na CBN “ganhei experiência”, como disse Walter Medeiros ao tomar conhecimento da mudança através do link para “Observando”, minha coluna na internet que ele hospeda no www.rnsites.com.br. Na verdade, rádios am, fm, internet são todos – se bem utilizados – poderosos instrumentos a serviço da sociedade. Daí, a importância do segmento informação, fator que no final dos anos 60 colocava o rádio AM no rol de pessoas e instituições consideradas “subversivas”. Não é sem razão que após o AI-5 cópias dos informativos eram recolhidas diariamente pelos órgãos militares. E a partir do governo Costa e Silva se investiu no surgimento do rádio FM, especialmente nas capitais do Sul e Sudeste, com formato musical sisudo, tocando a chamada música ambiente, orquestrada, seja romântica ou clássica, como conta Zuenir Ventura no seu livro “1968: o ano que ainda não acabou”.

          Apesar de tudo, os meios de comunicação evoluíram. Sem falar no telefone celular - hoje um importante aliado do rádio – e da internet, ajudando a propagar os seus sinais, estamos prestes a passar a conviver com outro avanço tecnológico que é o rádio digital. E a vantagem não será apenas na qualidade do som – com as AM sendo as maiores beneficiadas – mas uma convergência de mídias, já que o aparelho de rádio digital poderá receber textos e imagens. Como por exemplo, um pequeno display onde se poderá ver o nome da música e do intérprete. Até a capa do CD ou o texto do informativo, como já ocorre hoje na internet. A exemplo do celular – hoje um acessório multimídia – e do podcasting, uma espécie de rádio via internet, isto é, o rádio migrando para uma outra mídia.

          Por fim, a 103,9 FM – 100% Pop! justifica o slogan com esses programas: “Cabine 103” (Sérgio Luiz, que aos domingos das 13 às 16hs apresenta “Micofonia”); “Balaio de Gato” (Jefferson Paiva); “Rádio Blá”(Andreza Menca); “Conexão 103”,(Tim Kavazaki); “De Volta ao Circo Voador”,(Rafael Fuste); “103 Hype”, (Rodrigo Levino); “Power Mix” (Luciano Medeiros); “Sumatra” (Renato Lisboa); “Beatlemania” ( Marcos Sá) e “Tempero Regae”(Elizabeth Venturini), sob a coordenação de Val Lima. Ainda não sei se eles rodam RBD. Só sei que rádio Pop também é notícia: às 7h. Diariamente, com a produção de Alba Souza, no “Repórter Tropical”.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 11.12.2006

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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