OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

WANILDO NUNES

 

 

Era efusivo nos cumprimentos todas as vezes em que, casualmente, nos encontrávamos. Tinha, entre outros, um mérito. Gostava de conversar sobre temas da atualidade, mas não era insistente na hora em que tínhamos de seguir. Foi assim que convivi, embora em contatos esporádicos, com um dos pioneiros do rádio natalense, Wanildo Nunes, falecido aos 80 anos no dia 4 deste mês. Falar em pioneirismo é fazer referência – e até reverência – a homens e mulheres que ao lado de Wanildo Nunes conseguiram escrever – falando – um slogan que está eternizado na vida de todos eles: “A época de ouro do rádio natalense”. Nas décadas de 40 e 50 sobressair nessa profissão era preciso “tocar os sete instrumentos”. Wanildo foi locutor, produtor, rádio ator, comentarista esportivo, repórter, cantor, seresteiro e como já somam sete as atividades creio que basta.

Sendo da geração iniciada em meados dos anos 60, não cheguei a trabalhar com Wanildo Nunes, mas com certeza fomos concorrentes. Ele na rádio Nordeste que nós, da então rádio Cabugi, chamávamos “os meninos do beco”, contrapondo ao slogan que teimavam em usar: “Palácio do Rádio”. Era uma época em que o radicalismo político era abraçado pelos profissionais das duas emissoras: A Cabugi (Aluízio Alves) e a Nordeste (Dinarte Mariz). Alguns até evitavam cumprimentar os “adversários” e os microfones eram depositários de referências recíprocas pouco recomendáveis para a dimensão da audiência que essas emissoras alcançavam na época, praticamente o único veículo de comunicação a orientar a sociedade de então. A briga maior, certamente era pela audiência que as pesquisas mostravam dividida na proporção da preferência popular pelos dois líderes.

Wanildo Nunes, que além de ter sido do cast da então rádio Poti, sucessora da pioneira REN - Rádio Educadora de Natal – onde cobriu a chegada dos americanos a Natal durante a 2ª Guerra Mundial – trabalhou em seguida na rádio Nordeste, inaugurada pelo governador Dinarte Mariz em 21 de setembro de 1954. Em seguida na rádio Trairy inaugurada também no mês de setembro de 1962 e que igualmente em setembro de 1984 passou a se chamar Tropical/hoje CBN, onde apresentava o programa “Rua da Saudade 1.570”, numa referência ao então prefixo da emissora. Esses eventos, sempre no mês de setembro, têm uma explicação. É o mês em que se comemorava o dia – 21 – do Radialista. Desde o ano passado, a data passou a ser comemorada dia 7 de novembro, nascimento do compositor, músico a radialista Ary Barroso (Lei 11.327 de 24.07.2006).

Atento ao Calendário de Efemérides Nacionais, em setembro de 2005 o jornalista Miranda Sá, então diretor da Imprensa Oficial do Estado, editou o no 10 do suplemento “Nós, do RN...”, tendo como tema “A Saga do Rádio Potiguar”.  O suplemento conseguiu resgatar parte da história do rádio natalense e segundo o próprio Miranda “fez desfilar nestas páginas inolvidáveis personagens do rádio-jornalismo, das novelas e da narração esportiva, muitos deles dando-se, por amor, ao sacrifício de horários penosos e salários desprezíveis”. Foi ponto para Miranda, mas por um lapso, numa reportagem sobre os primórdios do rádio, o nome de Wanildo Nunes estava escrito Ivanildo Nunes. E para completar Edmilson de Andrade, também falecido, saiu Edmilson Braga.

Meses depois, encontro Wanildo num dos pontos de bate-papo que ele freqüentava na Rua Cel. José Bento (Avenida 3) proximidades da Vila Naval – a cantina de Ribamar Jácome -  e após os cumprimentos habituais registrou a queixa, sem antes fazer um elogio. Revelava ser leitor dos nossos artigos todas as segundas-feiras e estendeu as referências elogiosas – estas merecidas - ao também articulista Valério Mesquita. Bem humorado, fazia o registro da grafia errada do nome, fato que anotei num dos artigos seguintes. Era este o relacionamento que mantive com Wanildo. Nem tão distante que não permitisse um cumprimento e troca de impressões sobre os assuntos da atualidade, nem tão próximo que tivesse conhecimento de fatos como lembrado por um dos seus filhos durante a cerimônia de despedida.

Narrou, entre outros episódios que marcaram a vida de Wanildo Nunes: um lado filantrópico. O de gostar de ajudar as pessoas. Além de radialista foi auditor fiscal da Prefeitura de Natal e tinha uma situação financeira estável. Segundo o filho, certa vez ele chegou em casa e mandou retirar do carro algumas redes. Perguntavam o que era aquilo... Ele explicou que era para ajudar ao vendedor que passara o dia todo andando e não conseguira fazer qualquer negócio. Com uma história de pioneirismo e tanta rede, certamente pode-se dizer que agora Wanildo Nunes descansa em paz.

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 15.01.2007

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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