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Nem o carnaval que já está nas ruas - embora só
comece oficialmente no sábado - ou mesmo o futebol
cujos lances iniciais dos campeonatos ainda não
empolgaram muito os torcedores, muito menos a política,
cujos atores principais já iniciam mais um recesso,
conseguiu se colocar no centro das discussões nesses últimos
dias. O assunto passou a ser um só: a onda de calor que
está assolando Natal, paralelamente à divulgação do
relatório produzido pelo Painel Intergovernamental
sobre Mudanças Climáticas, da Organização das Nações
Unidas - ONU, traçando um quadro preocupante sobre o
futuro do planeta caso não sejam adotadas medidas
adequadas.
Até
pouco tempo era comum nesse período, o natalense
aproveitar para fazer um comparativo que não devia ser
muito do agrado dos mossoroenses: “Se Natal está
assim, imaginem Mossoró...”. Agora, pelo visto o
calor generalizou-se, somente ficando de fora a região
serrana e mesmo assim à noite. Todos sentem o
aquecimento confirmado pelo meteorologista Gilmar
Bristot, da Emparn, ao revelar que nos últimos trinta
anos a temperatura em Natal aumentou 1,2 graus Celsius
(antigamente era Centígrado) e que a tendência agora
é aumentar o mesmo nível em apenas dez anos.
Foi
nestas três últimas décadas que a questão do meio
ambiente passou a ser tratada com maior dimensão, mas não
conseguiu evitar a ocupação desordenada em áreas de
risco – e até de preservação -
tanto na zona urbana e principalmente na orla marítima
ou a febre da verticalização, indiferente aos danos
causados à redondeza. Daí, a existência de crateras
ameaçando residências e até torres de energia; ruas
alagadas aos primeiros sinais de chuva; praias
invadidas, rios poluídos, lençol d´água sob
constante ameaça de contaminação. Em meio a tudo isso
um bom sinal. A presença do Ministério Público - órgão
fiscal das leis – no acompanhamento de algumas dessas
intervenções. Atua apoiando e às vezes até
questionando o trabalho de órgãos ambientais –
IDEMA, IBAMA, Semurb, entre outros.
O
período é marcado pelo surgimento dos ecologistas, em
seguida os ambientalistas e entraram em discussão temas
como ecossistema, desertificação, assoreamento, explosão
demográfica, biodiversidade, poluição, reciclagem de
lixo, biodegradáveis, transgênicos, camada de ozônio,
efeito estufa, aquecimento global, desenvolvimento
sustentável, educação e até crime ambiental. Tudo
girando em torno do tema que chegou a sediar um encontro
internacional – a Rio-92 – e motivar até mesmo a
criação de um partido político – o PV (Partido
Verde), embora muitos dos seus integrantes não saibam
fazer a distinção entre fauna e flora.
Em
meio a essa profusão de temas e a preocupação com o
forte calor, o meteorologista Gilmar Bristot apresenta
uma sugestão que julga um paliativo, mas de grande eficácia
para o enfrentamento desse problema global: arborização.
Plantar árvore que, segundo ele, transforma gás carbônico
em ar. Solução
simples, barata e que por cima ainda serve para
embelezar a cidade. Ou um pretexto para brincar com o
vizinho, ao convidá-lo para ajudar na luta contra o
aquecimento global. Basta lembrar a fábula do
passarinho que leva em seu bico uma gotinha por vez para
apagar o incêndio na floresta e um veado zomba dele,
considerando-o um otário por acreditar que apagaria o
incêndio levando gotinhas e o animalzinho sabiamente
responde: “Estou fazendo a minha parte!”.
Por
todos esses motivos é que a Amazônia será tema da
Campanha da Fraternidade
2007 a
ser lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil nesta quarta-feira de cinzas (21/02) com o lema
“Vida e missão neste chão”. Quem também faz a sua
parte é o jornalista, escritor e poeta Walter Medeiros.
Está na internet (www.rnsites.com.br
– que também hospeda semanalmente este artigo), um
poema de cordel da autoria dele sob o título “A terra
está esquentando e a culpa é do homem”. São 22
estrofes e duas falam assim: Não
é de se apavorar/Mas é bem preocupante/Pois um
problema gigante/Acabam de anunciar/É dose pra
elefante/Pois deu no alto-falante/Que a terra vai
esquentar. E mais: O
tal do efeito estufa/Cujo estrago já se viu/ Teve ilha
que sumiu/Onde tambor não mais rufa/Geleira também
caiu/E muita gente sentiu/Quem escapou disse “ufa!”.
Se Melé (fundador de “Malandros do Samba”) ou
Lucarino (da “Balanço do Morro”) vivos fossem isso
aí daria em samba.
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