OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

       TEMPERATURA MÁXIMA 

 

            Nem o carnaval que já está nas ruas - embora só comece oficialmente no sábado - ou mesmo o futebol cujos lances iniciais dos campeonatos ainda não empolgaram muito os torcedores, muito menos a política, cujos atores principais já iniciam mais um recesso, conseguiu se colocar no centro das discussões nesses últimos dias. O assunto passou a ser um só: a onda de calor que está assolando Natal, paralelamente à divulgação do relatório produzido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, da Organização das Nações Unidas - ONU, traçando um quadro preocupante sobre o futuro do planeta caso não sejam adotadas medidas adequadas.

Até pouco tempo era comum nesse período, o natalense aproveitar para fazer um comparativo que não devia ser muito do agrado dos mossoroenses: “Se Natal está assim, imaginem Mossoró...”. Agora, pelo visto o calor generalizou-se, somente ficando de fora a região serrana e mesmo assim à noite. Todos sentem o aquecimento confirmado pelo meteorologista Gilmar Bristot, da Emparn, ao revelar que nos últimos trinta anos a temperatura em Natal aumentou 1,2 graus Celsius (antigamente era Centígrado) e que a tendência agora é aumentar o mesmo nível em apenas dez anos.

Foi nestas três últimas décadas que a questão do meio ambiente passou a ser tratada com maior dimensão, mas não conseguiu evitar a ocupação desordenada em áreas de risco – e até de preservação -  tanto na zona urbana e principalmente na orla marítima ou a febre da verticalização, indiferente aos danos causados à redondeza. Daí, a existência de crateras ameaçando residências e até torres de energia; ruas alagadas aos primeiros sinais de chuva; praias invadidas, rios poluídos, lençol d´água sob constante ameaça de contaminação. Em meio a tudo isso um bom sinal. A presença do Ministério Público - órgão fiscal das leis – no acompanhamento de algumas dessas intervenções. Atua apoiando e às vezes até questionando o trabalho de órgãos ambientais – IDEMA, IBAMA, Semurb, entre outros.

O período é marcado pelo surgimento dos ecologistas, em seguida os ambientalistas e entraram em discussão temas como ecossistema, desertificação, assoreamento, explosão demográfica, biodiversidade, poluição, reciclagem de lixo, biodegradáveis, transgênicos, camada de ozônio, efeito estufa, aquecimento global, desenvolvimento sustentável, educação e até crime ambiental. Tudo girando em torno do tema que chegou a sediar um encontro internacional – a Rio-92 – e motivar até mesmo a criação de um partido político – o PV (Partido Verde), embora muitos dos seus integrantes não saibam fazer a distinção entre fauna e flora.

Em meio a essa profusão de temas e a preocupação com o forte calor, o meteorologista Gilmar Bristot apresenta uma sugestão que julga um paliativo, mas de grande eficácia para o enfrentamento desse problema global: arborização. Plantar árvore que, segundo ele, transforma gás carbônico em ar. Solução simples, barata e que por cima ainda serve para embelezar a cidade. Ou um pretexto para brincar com o vizinho, ao convidá-lo para ajudar na luta contra o aquecimento global. Basta lembrar a fábula do passarinho que leva em seu bico uma gotinha por vez para apagar o incêndio na floresta e um veado zomba dele, considerando-o um otário por acreditar que apagaria o incêndio levando gotinhas e o animalzinho sabiamente responde: “Estou fazendo a minha parte!”.

Por todos esses motivos é que a Amazônia será tema da Campanha da Fraternidade 2007 a ser lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil nesta quarta-feira de cinzas (21/02) com o lema “Vida e missão neste chão”. Quem também faz a sua parte é o jornalista, escritor e poeta Walter Medeiros. Está na internet (www.rnsites.com.br – que também hospeda semanalmente este artigo), um poema de cordel da autoria dele sob o título “A terra está esquentando e a culpa é do homem”. São 22 estrofes e duas falam assim: Não é de se apavorar/Mas é bem preocupante/Pois um problema gigante/Acabam de anunciar/É dose pra elefante/Pois deu no alto-falante/Que a terra vai esquentar. E mais: O tal do efeito estufa/Cujo estrago já se viu/ Teve ilha que sumiu/Onde tambor não mais rufa/Geleira também caiu/E muita gente sentiu/Quem escapou disse “ufa!”. Se Melé (fundador de “Malandros do Samba”) ou Lucarino (da “Balanço do Morro”) vivos fossem isso aí daria em samba.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 12.02.2007

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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