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É motivo de satisfação para quem escrever receber
e-mails, principalmente se for enaltecendo o seu
trabalho. Não raro, colunistas registram as mensagens
recebidas e alguns chegam mesmo a ter as caixas de
mensagens no limite e até abarrotadas, quando abordam
determinados assuntos. Esta é mais uma prova de que a
internet é, hoje, um dos principais meios de comunicação
e interação.
Como em tudo existem os dois lados, alguns
instrumentos disponíveis – entre eles os sites de
relacionamento – vêm sendo usados para o crime. Ao
alcance da mão de delinqüentes, como os que torturaram
e mataram a corretora Célia Maria de Carvalho
Damasceno, há uma semana, esses sites chegam a
preocupar especialmente os pais de crianças e
adolescentes. É a desordem no progresso ao qual me
referi há poucos dias.
Há um ano em outro artigo, aqui fiz registro de três
e-mails recebidos. De Rossini Ferraz, lembrando de Brasília
o tempo em que trabalhamos na antiga rádio Cabugi;
outro do leitor Maurício Soares Jr., cobrando uma posição
nossa sobre o nepotismo e um terceiro do Dr. Luciano
Bezerra de Mello, este cumprimentando pelo artigo “O
valor do jumento”.
Neste início de 2007 – agora é que me dei conta de
que já estamos no seu terceiro mês – resolvi fazer
uma faxina no computador e fiquei impressionado com o número
de e-mails que recebo: a quase totalidade atende pelo
nome estranho de spam. Trata-se da “praga eletrônica”
que em novembro chegou a registrar 80 bilhões de
mensagens no mundo inteiro e a tendência é aumentar.
Spam é a denominação dada aos e-mails não
solicitados, que geralmente são enviados para um grande
número de pessoas. Alguns chegam mesmo a comparar os
spams às cartas de correntes para obtenção de
dinheiro fácil, encontradas nas caixas de correio, as
dezenas de panfletos recebidos nas esquinas e as ligações
telefônicas oferecendo produtos. Um saco.
Dos e-mails arquivados, hoje faço o registro de mais
três. O primeiro, de Otávio Augusto Tavares, sobrinho
de Clarice Palma. Desde agosto, ele agradecera em nome
da família pelo artigo no qual lembrei os dez anos do
falecimento da escritora, poeta, atriz, cantora e
radialista. Otávio, professor aposentado do Cefet e da
UFRN e filho de uma irmã de Clarice, lembrou o
dinamismo dela ao lidar com as questões do seu trabalho
– era funcionária do Tribunal Eleitoral – e do então
Grupo dos Sete (dedicado ao teatro).
Outro, de Dinara Regina Azevedo Gadelha, aluna do
curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN. Ela desenvolve
o trabalho final de graduação e escolheu como tema a
restauração do antigo Liceu Industrial. Ao ler o
artigo “Do Liceu ao Cefet”, imaginou que fosse uma
boa fonte sobre a história da edificação. Como não
sou, indiquei outras fontes para o trabalho e restou
ficar torcendo para que o conclua com êxito. Mas, dá
para perceber que não somente nós – ex-alunos –
estamos incomodados com a antiga Escola Industrial mais
parecendo um monstrengo no centro de Natal.
Se não me senti autorizado a falar com maior
profundidade sobre a Escola, hoje Cefet, imaginem sobre
a vida de um personagem citado num dos artigos e com o
qual somente mantinha contatos por dever de ofício. Uma
leitora de iniciais G.A. – prefiro não citar o nome
– se dizendo filha não reconhecida afirma que
gostaria de saber alguma coisa da vida “dele”. Por
eliminação, acrescento que o “virtual pai” não é
político, empresário, militar, magistrado, professor,
padre, pastor nem jornalista.
Ela reconhece no próprio e-mail que se trata de um
fato estranho. E é. Tão estranho que já fez contatos
com o órgão no qual o personagem trabalhou e algumas
pessoas que o conheceram, mas as respostas sempre foram
evasivas. Como nunca tive vocação para policial menos
ainda para investigador, o jeito foi lamentar e
responder sobre o que sabia. Isto é: nada.
São e-mails assim que me chamam atenção. Além de
respondê-los dentro do possível, ainda guardo-os como
provas de que – como estes – muitos outros leitores
utilizam o jornal não somente como fonte de informação,
mas também de pesquisa e até de ajuda. E não é sem
razão que todos os e-mails que lembrei envolvem a
mulher em diferentes cenários. É uma forma de homenageá-la.
Quinta-feira, 8 de março é o Dia Internacional da
Mulher.
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