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Dizer que trânsito e alta velocidade combinam pode
parecer contraditório. Mas, não é. A identificação
está na produção de fatos novos, cujo ritmo torna
superado qualquer quadro desenhado há pouco tempo e no
qual o trânsito seja o tema central. Exemplo disso é
um artigo que escrevi há dois anos para lembrar um
conselho que gravei de um ex-diretor do Detran do Rio de
Janeiro, coronel Celso Franco, de que o motorista deve
dirigir com medo.
O medo ao qual ele se referia na época era da imperícia
dos outros, das condições das vias de tráfego, do próprio
veículo, uma máquina que a qualquer instante pode
falhar e do próprio, uma vez que ninguém está livre
de ser acometido de um mal súbito em plena direção.
Resumindo: atenção redobrada. Os números do Ministério
da Saúde no Brasil agora são de guerra: no ano
passado, foram 350 mil acidentes de trânsito com vítimas,
sendo 34.381 mortos e 450 mil feridos. Segundo a ONU, no
Iraque, em 2006, morreram 34.452 civis.
É que nas rodovias e nas cidades, outros componentes
foram sendo introduzidos, a começar pelos pedintes,
depois limpadores de pára-brisas – os rodinhos –
vendedores de frutas, bugigangas e mais recentemente, os
bandidos, aí incluídos assaltantes e até seqüestradores.
Nas estradas, os policiais rodoviários federais, têm
hoje que encarnar como nunca a luta contra o crime do
inspetor Carlos Miranda, seu Simca Chambord e seu fiel
amigo Lobo, na série “O Vigilante Rodoviário”, um
dos primeiros seriados da televisão brasileira.
São freqüentes as ações contra o crime ambulante e
que vêm resultando na apreensão de drogas, armas,
dinheiro suspeito, mercadorias piratas ou sem nota
fiscal, aí incluindo medicamentos, aparelhos eletrônicos,
CDs e DVDs. Além de ações mais pesadas para detectar
o roubo de cargas e de veículos. E até mesmo o assalto
a ônibus ou os arrastões que fazem lembrar os filmes
do tempo das diligências no velho oeste americano.
Para os especialistas, a fobia (medo) de trânsito, ou
“fobia do volante” faz parte das fobias específicas.
Os sintomas mais comuns são: suderose (suor excessivo),
tremores, taquicardia e secura da boca. As mulheres são
as mais afetadas por esse tipo de fobia, em torno de 95%
das pessoas que procuram tratamento.
O tratamento para fobia de trânsito consiste em, após
minuciosa avaliação e acompanhamento psicológico,
expor gradualmente o paciente às situações que causam
ansiedade no trânsito, repetidas vezes, até que este
desenvolva o autocontrole necessário e possa lidar com
o dirigir de forma segura e eficiente. Para isso, são
utilizadas técnicas de controle de ansiedade e
relaxamento.
Nesse trabalho é onde estão envolvidas as
auto-escolas, cujos currículos além das técnicas de
direção – que já incluíam direção defensiva -
devem começar a incluir a defesa pessoal ao volante. Há
algum tempo novas tecnologias de segurança e
monitoramento de veículos estão chegando ao mercado.
Com o uso da tecnologia GPS (Sistema de Posicionamento
Global), por exemplo, um veículo pode ter a velocidade
e o percurso monitorados via satélite e retransmitidos,
em tempo real, para uma Central de Monitoramento.
Com apenas uma ligação telefônica, já
é possível o próprio dono, vítima de um assalto,
“bloquear” o seu carro que estiver sendo levado por
bandidos. Enquanto os ladrões estão fugindo no veículo,
o proprietário – se não estiver na mala do carro,
portanto solto e vivo - pode ligar do seu celular, de um
orelhão ou de qualquer outro aparelho para a Central
que faz o monitoramento do automóvel.
No Rio Grande do Norte, as estatísticas do Detran
mostram que funciona outro tipo de medo. Este salutar e
necessário: o das multas de trânsito que caíram no
geral 25% no período de um ano, apesar do aumento da
frota. Pesa no bolso, mas certamente já evitou muitos
acidentes. São mais de 500 mil veículos circulando no
Estado. Somente o avanço do sinal de vermelho caiu de
30.173 em 2005 para 20.218 no ano passado, isto é,
quase 50%.
Que o trânsito é dinâmico está provado. É da própria
evolução urbana. Mas o “dinamismo” da bandidagem
segue alguns quilômetros na frente. Se hoje o cidadão
tem que tentar de alguma forma blindar a própria residência
- incluindo o telefone, computador, cartões de crédito
- outra preocupação, para quem pode, é se proteger
também no seu meio de transporte. E para os menos
favorecidos, é ajoelhar e humildemente, como fizeram os
policiais militares, pedir a proteção de Deus.
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