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É
neste dia de São José, 19 de março, que os
agricultores ao longo dos anos depositam as suas experiências,
forças e esperanças na expectativa de obter sinais de
inverno. De um lado a crendice popular e do outro a ciência
a explicar o fenômeno da natureza chamado Equinócio.
Ocorre quando os raios solares cortando o Equador
incidem fortemente sobre o oceano, aquecendo a água,
formando nuvens e em seguida as chuvas.
Assim,
chovendo hoje, para o homem do campo é sinal definitivo
de um bom inverno. Independentemente da chuva, é dia de
festa em pelo menos uma dezena de municípios que têm São
José como padroeiro. São eles: Angicos, Carnaúba dos
Dantas, Cerro Corá, Coronel João Pessoa, Jandaíra,
Rodolfo Fernandes, São José de Campestre, São José
do Seridó e Senador Eloy de Souza, além de um bairro
de Natal – a Guarita.
Nesses,
para completar a festa, os meteorologistas prevêem
chuvas isoladas para hoje e amanhã no Rio Grande do
Norte. Mas, vale lembrar que nos sítios e fazendas
muitos conservam o hábito de se valer dos mais antigos,
cujas previsões são feitas tomando por base em sinais
da natureza, um deles quando as formigas colocam capim
na entrada dos formigueiros para barrar a água.
Segundo
o calendário de 19 a 21 de março começa o período do
outono, na definição das estações do ano (primavera,
verão, outono, inverno). Como o Equinócio acontece
nesse mesmo período, a experiência empírica levou o
agricultor a fazer a relação com o dia de São José.
Este ano a previsão dos técnicos é de bom inverno. A
informação foi solenemente divulgada dia 14 de
fevereiro no encerramento de reunião de análise climática
do semi-árido, realizada em Currais Novos.
No
Brasil, a previsão do tempo começou a sair do atraso
com a criação do Centro de Previsão de Tempo e
Estudos Climáticos, órgão do Ministério da Ciência
e Tecnologia em meados dos anos 80. Nesta época, países
mais avançados já dominavam há anos metodologias de
previsão meteorológica com uso de supercomputadores.
Com a inauguração do CPTEC, em novembro de 1994, houve
uma rápida e contínua modernização da meteorologia
brasileira.
Graças
a isso, atualmente o Brasil iguala-se aos países mais
avançados na previsão de tempo e, principalmente, na
previsão climática, área de atividade restrita a um
seleto grupo de oito países. Antes da criação do
CPTEC, as previsões de tempo eram fornecidas para até
um dia e meio de antecedência, com índice de 60% de
acerto. Hoje, o avanço pode ser facilmente percebido
através dos noticiários de jornal, rádio e televisão.
Agora,
as previsões são geradas para até 15 dias, com 98% de
acerto para as 48 h, chegando a 70% com cinco dias. A
tendência, com a operação da terceira geração de
supercomputadores do CPTEC, é de que as previsões
alcancem períodos mais longos, mantendo a
confiabilidade. Se o leitor quiser testar estas informações,
acesse o site (www.cptec.inpe.br/tempo). E lá estará,
por exemplo, a previsão de pancadas de chuvas para hoje
e nebulosidade amanhã.
Com
a sua constante atualização, o sistema informatizado
tem permitido não somente previsões mais confiáveis,
mas também de melhor qualidade para microrregiões. O
modelo regional do CPTEC já chega a uma resolução de
20 quilômetros. Isto significa ter capacidade para
gerar previsões de tempo com maior grau de detalhamento
para cidades próximas como Natal e municípios da
Grande Natal.
As
previsões climáticas, fornecidas com até três meses
de antecedência, também têm demonstrado importância
estratégica no planejamento de atividades econômicas e
sociais. A previsão de eventos naturais como El Nino ou
La Niña que provocam chuvas intensas e secas para regiões
diferentes do País, tem auxiliado governos de
diferentes esferas em ações para atenuar danos
materiais e perdas humanas.
Paralelamente,
através de observações diárias – hoje com os olhos
pregados no céu - o agricultor continua fazendo suas
projeções de plantio e colheita. Por exemplo,
plantando em março, ele sabe que deverá colher em
junho, mês reverenciado a outros santos, Santo Antônio,
São João e São Pedro. Todos, de alguma forma, ligados
à fertilidade. O primeiro é o santo casamenteiro, o
segundo, da colheita de junho, e o terceiro, das águas.
Mas, tudo começa com o plantio. E para tanto, o
agricultor hoje reverencia e festeja o padroeiro São
José.
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