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Pelo
tema, dá para perceber que se trata de mais uma hora da
saudade ou de reencontro. Tanto faz, pois para lembrar o
exercício do jornalismo nos anos 70/80 - eram somente
jornal, rádio e começo das assessorias de imprensa –
pode muito bem ser encaixada uma frase cuja beleza está
até mesmo na sua redundância: “foi um tempo ao mesmo
tempo triste – pela situação do país – e belo,
pela amizade maravilhosa que tínhamos entre nós”.
A
frase é da jornalista Maria do Carmo, paranaense de
Pato Branco - hoje assessora de Imprensa na Prefeitura
de Curitiba - que nos reencontrou através de um desses
nossos artigos espalhados também na internet e resolveu
exato na semana marcada pelo Dia Internacional da Mulher
- 8 de março – nos escrever em busca do endereço no
qual morou em Natal naquele período em que trabalhou
como repórter no jornal Tribuna do Norte.
Como
pauteiro e copidesque do jornal naquela época, não foi
difícil rebobinar o filme, lembrar das dificuldades e
até dos riscos a que estávamos expostos - embora em
outro nível respondessem pelo jornal Agnelo Alves,
Ticiano Duarte, Francisco Macedo e Woden Madruga. E
algumas cenas que eram trágicas e a gente transformava
em cômicas, como a dos agentes federais entrando na
redação com os telex – na época o meio mais rápido
e moderno de troca de mensagens - proibindo a divulgação
de notícias que pudessem daqui derrubar o regime
militar.
Dá
para recordar o semblante de Maria do Carmo – alva,
meiga e com aquele sotaque bem parecido com o do gaúcho
Dunga, atual treinador da seleção – quando os
agentes entravam na redação fazendo questão de
mostrar o lado autoritário da repressão.. Com handtalks
(o celular de hoje), comunicavam ostensivamente aos
superiores o cumprimento da missão, isto é, haviam
dado ciência que tal notícia não podia ser divulgada
e confirmando que não deixara cópia. O editor tomava
conhecimento e não podia sequer copiar na íntegra.
Embora
a frase da jornalista - uma das mais competentes que
passaram pelas redações em Natal – nos remetesse
para esse lado do jornalismo nos chamados anos de
chumbo, as reportagens eminentemente políticas não
constavam pelo menos como rotina na pauta dela. Mesmo
assim, era responsável por dar desdobramento a alguns
temas políticos quando o pauteiro achava que poderia
render - naquele tempo havia o jornalismo investigativo
- e os repórteres da área consideravam o tema
exaurido. Ela encontrava outro ângulo e mantinha o
assunto em evidência.
Mas,
foi em reportagens especiais envolvendo assuntos de
cidade – matérias de página inteira, quase diárias
– que Do Carmo mostrou possuir um dos melhores
feelings para a profissão.. Bastava falar o tema e
algumas coordenadas e era só aguardar o texto bem
elaborado – redondo como é costume se dizer nas redações.
Naquele tempo havia vibração com o trabalho em equipe
e até um torcendo pelo sucesso do outro.
Daí,
no e-mail, deixar registrado que foi muito feliz na TN
– jornal que está completando 57 anos de fundação -
e tinha paixão pelo trabalho e pela convivência franca
e solidária. Tão solidária que lembra um dos almoços
de domingo lá em casa no fim dos anos 70, dia em que o
Corinthians – deve ser corintiana – sagrou-se campeão
depois de algumas décadas. E dos colegas Walter, Braga,
Norma, Graça e Ivanete e diz não arriscar a citar
tantos outros por falta de espaço.
Mas,
o gancho mesmo desse reencontro pela web, era a
descoberta do endereço onde morou e onde nasceu o filho
Camilo - já sabe que foi na Rua Professor Zuza, próximo
à antiga Escola Industrial/TV-U. Ele estaria vindo a
Natal e deseja conhecer o endereço onde morou até um
ano de idade com os pais Carlos Prado e Do Carmo.
E
para completar a sessão nostalgia, vale lembrar que no
mesmo período veio morar em Natal e ilustrar na Tribuna
o cartunista e humorista Henfil, de quem copiamos - em
homenagem a Maria do Carmo – também por ter sido uma
das pioneiras da presença da mulher nas redações de
jornais em Natal, o trecho final do poema “A
lição do rio”. Muito lembrado nesta
quinta-feira, 22, Dia Mundial da Água, termina assim:
"Se não houver frutos, valeu a beleza das flores;
se não houver flores, valeu a sombra das folhas; se não
houver folhas, valeu a intenção da semente.".
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