OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

DO TWI AO GESPÚBLICA

            Wellington Medeiros*

 

 

Apesar de o título sugerir um assunto complexo, hermético, confuso, mais parecendo uma charada, esclareço logo – sob pena de ninguém se interessar em ler - que se trata exatamente do contrário. O primeiro é um método e o outro um programa, ambos tendo como objetivo simplificar as coisas aparentemente complicadas. TWI é o método que exige manuais e fichas do qual fui instrutor no Senai, final dos anos 60 e muito do que aprendi e transmiti me tem sido útil até hoje.

Gespública é um modelo idealizado pelo governo federal via internet (www.gespublica.gov.br) e a sua sigla é resultante da fusão dos programas da Qualidade no Serviço Público e de Desburocratização, adotado em alguns estados através de comitês. A base de atuação é uma rede de parcerias entre organizações públicas e privadas, servidores e cidadãos. No Rio Grande do Norte tem a coordenação do jornalista Nicolau Frederico de Souza, da Superintendência Federal de Agricultura.

Este jornal deu destaque agora no final do mês de março ao recebimento da medalha Voluntários da Rede Nacional de Gestão Pública 2006 pela servidora do Detran-RN, Maria de Fátima Freitas de Holanda, em solenidade no Palácio do Planalto. Do Rio Grande do Norte, além dela, somente laureado o capitão-de-corveta da Base Naval de Natal, Cláudio Lozano Barbosa.

O entusiasmo com que Fátima Holanda, que é coordenadora do projeto de educação Tele-Sala destinada a servidores daquele órgão, fala do Gespública me fez lembrar o período em que ministrava cursos de TWI no Senai. É um método simples, mas cuja sigla causa logo estranheza e curiosidade. O Gespública trabalha ações de desburocratização, visando à simplificação de processos, procedimentos e rotinas e desregulamentação de leis, decretos, portarias e outros na administração pública – com certeza um desafio.

Já o TWI (Training Within Industry – Treinamento Dentro da Indústria) é um método lançado nos Estados Unidos, em 1940 e que chegou ao Brasil nos anos 60. Surgiu da necessidade de capacitar trabalhadores no processo produtivo, levando-os a um maior engajamento de modo a aumentar a produtividade e reduzir os custos no produto final.

Era diretor do Senai o professor Aluísio Machado, hoje deputado federal suplente e vereador titular (PSB) em Natal quando três ex-alunos da Escola Industrial, foram por ele indicados para um curso de instrutor a ser ministrado para todo o Nordeste no Senai-Ceará. Lá estávamos eu, Élson Delgado de Paula e Walter França e durante um mês fomos treinados pelo Diretor Executivo do Senai de Santa Catarina, professor Célio Goulart e um assistente, Onildo Salles de Oliveira.

Retornamos aptos a ministrar a primeira fase do método – Ensino correto do trabalho. Esta fase nos habilitava a ensinar – o que fizemos em diversos cursos - aos supervisores de empresas industriais como planejar os recursos corretos de que precisariam na produção, como desdobrar as tarefas e como ensinar as pessoas de maneira segura, correta e consciente.

Dos ensinamentos do método TWI guardo uma frase que fazíamos questão que o pessoal memorizasse: “Se o aprendiz não aprendeu o supervisor não ensinou”. Desde então, tenho como princípio - dando ou recebendo tarefas – que o resultado deve corresponder ao objetivo determinado. Ocorrendo discrepância, ou não conseguira me fazer entender, dando uma ordem ou cobrando uma tarefa ou – como aprendiz – recebera tarefa mal explicada ou confusa.

Naquela época, o trabalho visava o segmento industrial e hoje o Gespública busca voluntários no setor público como Fátima Holanda que ao lado de Nicolau Frederico procuram replantar uma semente – valorização da atividade pública – que murchou nos últimos anos, refletindo no desempenho e no abandono de uma categoria que mostra serviço quando valorizada – as Centrais do Cidadão são um exemplo.

Se o Gespública conseguir disseminar pela administração pública, a começar pelos municípios, o clima que se observa nessas centrais onde se concentram e funcionam relativamente bem diversos segmentos do serviço público - fazendo com que pouco se perceba a presença da burocracia - já seria um bom começo.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 09.04.2007

 

 

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