OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

CAMPEÃO E O 1º DE MAIO

            Wellington Medeiros*

 

Os trabalhadores do ABC jogaram bonito, venceram os do rival América por 5 x 2 e fizeram com que muitos torcedores alvinegros entrassem em clima de festa prolongada por conta do feriado de amanhã, 1º de maio. Nas vésperas do dia do trabalhador, os jogadores de América e ABC entraram em campo em busca da vitória e do título de Campeão de  Futebol 2007. No final, a vitória sorriu para quem trabalhou melhor. O ABC. E como me enfronho na área esportiva apenas o essencial – limitando-me a divulgar os resultados no “Repórter Tropical”, diariamente, às 7h, na 103,9 FM – paro por aqui. O assunto certamente está bem coberto nas páginas esportivas.

Nessa véspera do Dia do Trabalhador me detive neste tema, que desde ontem à noite - conhecido o resultado da partida realizada no Frasqueirão - é o assunto em todo o Estado. Também para lembrar que em anos passados e não vão muito distantes, jogos previstos para as proximidades dessa data eram transformados em festa, realizados de portões abertos. Em homenagem aos trabalhadores. Era uma forma de agradar a classe operária, fazendo-a esquecer de muitas outras mazelas que rondavam o país, uma delas a repressão a qualquer manifestação em busca de direitos, o exercício pleno da cidadania. Hoje, mesmo de portões abertos, muitos certamente não iriam com medo de outro tipo de violência.

O 1º de maio, originado em 1886 durante uma greve em Chicago, por limitação da jornada de trabalho de 13 para 8 horas.  Houve choque sangrento e até mortes, sendo comemorado pela primeira vez no Brasil em 1895, na cidade de Santos. Somente em 1949 passou a ser feriado – Lei n. 662, do governo Eurico Dutra. Antes, sempre nesta data, em 1940 era criado o Salário-mínimo; em 1941, a Justiça do Trabalho; 1943 a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT e depois em 1974, o Ministério da Previdência Social. Nos anos 80, a data serviu para começar a projetar no cenário nacional o sindicalista hoje Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora considerado Dia Mundial do Trabalho desde 1889 e festejado na maioria das nações, alguns países o comemoram em datas diferentes. Nos Estados Unidos, os operários reúnem-se na primeira segunda-feira de setembro no Labor Day; na Inglaterra ocorre no primeiro domingo após o 1º de maio; no Japão, 23 de setembro; na Espanha em 18 de julho e na Nova Zelândia (capital Wellington) em 18 de outubro. A cada ano a data, que muitos preferem chamar de Dia do Trabalhador, é lembrada em meio a um cenário complicado. O desemprego é alarmante. Prova disso, em Natal registraram-se recentemente 22.000 inscritos para 330 vagas de gari, uma das profissões que ainda não pôde ser reinventada.

Desde o início da década de 90, quando a informática ganhou força também no Brasil, começando a ser usada nos ambientes de trabalho, muitos postos foram sendo eliminados. Algumas atividades mais abaladas do que outras. A profissão de bancário, por exemplo, foi das mais afetadas pela automação. Os bibliotecários estão sendo substituídos por sistemas de busca eletrônicos. Outras reinventadas como a de datilógrafo, atualmente digitador. No jornal, a diagramação dá lugar à editoração eletrônica. Nos Correios, telegrama hoje é relíquia. Alfaiate em Natal já se conta nos dedos. No rádio existem programas no qual se coloca a programação no automático e ainda tem o “locutor robô” informando a hora certa.

É a era da tecnologia, com o processamento de dados, a robótica, as telecomunicações que nos últimos anos vão colocando máquinas nas atividades anteriormente exercidas por seres humanos. Se os computadores fazem o trabalho de dezenas de pessoas, os robôs de milhares e a custos infinitamente inferiores. Basta citar tecnologias na agricultura como as ceifadeiras e colheitadeiras automáticas. Duas ou três máquinas realizando o trabalho de centenas de operários em turnos ininterruptos, tudo sem férias, dores de cabeça, ressaca, TPM ou benefícios. Por isso, há tempos que a busca pelo emprego pode ser resumida numa frase adaptada para os dias atuais: “Quem procura, não acha; mas se não procurar, também não acha”.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 30.04.2007

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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