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Para
o comércio está iniciada a semana das mães, cujo Dia,
domingo próximo, 13 - o segundo de maio - em termos de
vendas perde apenas para o Natal. As lojas expõem
presentes para todos os gostos, gastos e estilos, as
vitrines estão mais enfeitadas e a mídia em geral usa
o tema para sugerir presentes que vão de vestuário, jóias,
bijuterias, perfumaria até eletro-eletrônicos,
passando pelo hoje popular telefone celular ao automóvel.
Muitas
serão as merecidas homenagens às mães. Presentes,
flores, mensagens, cafés-da-manhã, almoços, passeios
e até mesmo para aquelas que se foram antes de nós,
uma visita aos cemitérios. Contudo, entre tantas mães
de lares ditos constituídos - festejando a data cercada
de marido e filhos - existe outro tipo de mãe, a
solteira que muitas vezes tem que exercer também o
papel de pai em meio à discriminação que ao longo do
tempo vai perdendo sentido.
A
Constituição de 1988 repete que a família é a base
da sociedade, mas já enumera três tipos de famílias
que merecem proteção jurídica e do Estado: as
advindas do casamento, da união estável e das relações
de um dos pais com seu filho, ou seja, a família
monoparental. O fato de a lei reconhecer duas pessoas
como uma família faz diferença, por exemplo, no
reconhecimento do bem de família.
O
imóvel onde reside é um bem de família que deve ser
preservado e não pode ser penhorado, exceção quando a
pessoa é fiadora em contrato de locação. Assim, as
famílias formadas por mães solteiras precisam saber
que perante a lei não existe diferença entre famílias
constituídas pelo casamento e a delas. O aumento no número
de mães solteiras adolescentes é uma realidade, apesar
das campanhas de esclarecimento e até de prevenção.
Nesta
semana que antecede ao Dia das Mães, decidi pesquisar o
assunto. Mas, ao invés de buscar estudos dos
professores das universidades americanas de Harvard
(Massachussets) ou Stanford (Califórnia) – nada
contra, até porque hoje os computadores se encarregam
de fazer a tradução - lembrei uma crônica escrita no
início dos anos 80 pelo padre José Luiz e que está no
livro “Na Calçada do Café São Luiz” e que
retratava o cenário da época.
Hoje,
reproduzo trechos da “Homenagem à mãe solteira”, título
da crônica publicada na página 34 e que obteve
repercussão na época pelas verdades ditas com todas as
letras pelo padre José Luiz.
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“Eu tenho uma profunda admiração pela mãe solteira.
Ela teve a coragem ímpar de assumir sua condição de mãe.
Seu filho vai receber dela uma duplicidade de afeto e
heroísmo. Contra ela quase sempre se postaram a
sociedade e a família. Ficou somente ela, agarrada com
o futuro, porque o futuro reside nos seus braços.
Como
tantas, ela poderia ter deixado seu filho nas portas das
residências abastadas, mas não o fez. Poderia ter
apelado para o aborto enganando os circunstantes, mas não
o fez. Preferiu ficar sozinha. Sem ter um marido para
apoiá-la nas horas difíceis.
Numa
cidade como Natal, onde a paternidade irresponsável
conseguiu ultrapassar os limites da imaginação, faz-se
necessário que a gente pare para refletir com mais
seriedade no número incontável de recém-nascidos,
abandonados nas portas das residências, como se fosse
um grito de desespero misturado de esperança, gesto de
leviandade habitado de afeto.
É
com tristeza também que hoje eu penso que há mães
misturadas de culpas e revoltas, mas cujos maridos
duraram somente uma noite e cujo amor foi mesclado de
promessas e miragens. Mães dormidas em motéis de luxo
e acordadas em casebres. Mães engravidadas com vinho,
mas cuja caminhada foi feita de fome. Mães adormecidas
no sonho e acordadas na desilusão. Mães - por terem
sido mães - expulsas de casa, odiadas pelos irmãos,
transtornadas por terem um filho nos braços,
acompanhando seus passos, crescendo no seu sorriso”.
Zéluis
não viveu para acompanhar a evolução ocorrida a
partir de então, com a quebra de tabus até chegarmos
hoje à chamada “produção independente” como o
assunto passou a ser tratado até em novelas de televisão.
A mulher foi ocupando espaços e hoje, embora muitas
ainda enfrentem preconceitos, são tratadas como mães
de fato e de direito. Sobretudo, com mais respeito e
menos farisaísmo.
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