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Nesses
últimos dias, graças à visita do Papa Bento XVI ao
Brasil, voltou à discussão a importância do marketing
aplicado à Igreja católica. Muitos recordavam o
“marqueteiro” que foi o antecessor, João Paulo II -
no gesto de beijar o solo sempre que chegava a um país
visitado - outros reconhecem o esforço feito atualmente
pelo catolicismo para a reconquista dos que debandaram
para outras religiões, especialmente as evangélicas,
nos últimos anos.
As
análises da visita realizada entre os dias 9 e 13 deste
mês - marcado pela canonização de Frei Galvão como
primeiro santo brasileiro, a 5ª Conferência Geral do
Episcopado da América Latina e do Caribe e pelos
encontros com a juventude – são unânimes em
reconhecer um Papa que revelou o lado carismático, sem
abrir mão do discurso conservador sobre os valores da
Igreja católica. Condenou o aborto, os desvios sexuais,
o divórcio e defendeu a família e a castidade.
Não
é de se estranhar que a Igreja católica procure se
utilizar dos modernos meios de comunicação, tendo
chamado atenção a presença da TV “Canção Nova”,
cobrindo durante os cinco dias todos os passos do Papa
Bento XVI no Brasil. É que todas as ferramentas –
todas - que se usam hoje para trabalhar em propaganda
foram inventadas pelos religiosos e, claro, foram
evoluindo ao longo do tempo.
Quem
afirmou isso numa reunião de bispos e relatou numa
palestra que assisti há alguns anos em Brasília foi o
publicitário Alex Periscinotto (Prêmio Jeca Tatu
2007). O prêmio é da Associação Latino-Americana de
Agências de Publicidade e conferido aos criadores de
campanhas que têm por marca a boa utilização da
linguagem brasileira na propaganda. Será entregue dia 4
de agosto, em Paraty (RJ).
Dizia
ele: primeiro veículo de comunicação de massa
inventado foi o sino. Continha mensagens e conseguia
convencer 80% a 90% das aldeias, coisas que hoje somente
todos os canais de televisão juntos conseguem atingir.
Depois, o audiovisual. O primeiro de que se teve
conhecimento foi a Via Sacra, que a Igreja explica através
de quadros. Em seguida o Display – instrumento feito
para destacar, para evidenciar para fazer aparecer até
a distância. Assim, quando todos os telhados das
aldeias eram baixinhos, as igrejas surgiam dez, doze
vezes mais altos.
Outra
ferramenta da propaganda é a marca, o logotipo.
Lembrava o conferencista – e ninguém contesta – que
toda firma que se preza tem seu logotipo e os religiosos
inventaram a santa marca CRUZ. Lembrava que o logotipo
é tão bom que Hitler pegou para ele, colocou quatro
rabos e fez o que fez na Alemanha e aos olhos do mundo.
E por último, a ferramenta mais preciosa inventada pela
Igreja, o primeiro Departamento de Pesquisas do mundo,
ou seja, o confessionário.
Agora,
o debate volta-se também para a própria liturgia católica,
apontada como um desafio para a linguagem televisiva. Daí,
o surgimento da missa-espetáculo com padres cantores
como Marcelo Rossi e outros sacerdotes apostólicos
romanos. E a abertura de espaço para padres e jovens
cantores nos canais religiosos, a fim de tentar
contrapor os cultos fervorosos – e muitos deles
musicados – das igrejas evangélicas.
Sabe-se
que a opção pelo marketing ainda não é uma medida
oficialmente declarada pela Igreja e nem mesmo aceita em
alguns dos seus diversos setores. Mesmo assim, ele está
presente ao lado de outro tipo de evolução silenciosa
que está acontecendo em algumas igrejas católicas de
grandes centros urbanos como São Paulo, Rio de Janeiro,
Curitiba e Belém. Está sendo criada a Pastoral da
Acolhida e da Comunicação, grupos encarregados de
recepcionar bem os fiéis que vão às missas.
O
Papa Bento XVI veio, viu, foi visto de perto por muitos
brasileiros e convenceu a todos de que desde 24 de abril
de 2005 – quando assumiu em lugar de João Paulo II
– estão bem entregues os dois símbolos de seu poder:
o pálio (a longa estola usada sobre os ombros nas
celebrações) e o anel de pescador (que representa São
Pedro jogando as redes), ambos visíveis quando entre
milhares de jovens e falando para o mundo inteiro
orientou:
“Tenham
em conta que a ambição desmedida de riqueza e de poder
pode levar à corrupção pessoal e alheia. Sejam homens
e mulheres livres e responsáveis; façam da família um
foco irradiador de paz e de alegria; sejam promotores da
vida, desde seu início até seu natural declive;
amparem os idosos”. E tudo num português escorreito,
como diria o professor Saturnino.
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