OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

O DEVER DE TODOS

            Wellington Medeiros*

 

Quem folhear jornal, sintonizar informativos de rádio ou assistir televisão durante toda esta semana - se quiser uma prova, ouça o “Repórter Tropical”, das 7h às 8h na 103,9 FM -  vai se deparar com notícias envolvendo temas ambientais. É que estamos na semana do meio ambiente, cujo dia, criado pela ONU em 1972, será comemorado, mundialmente, amanhã, dia 5 de junho. Embora instituído há mais de três décadas, o tema foi somente aos poucos ganhando a dimensão finalmente alcançada.

Durante algum tempo a maioria das notícias tinha origem na organização ambientalista Greenpeace que tem sede mundial em Amsterdã, embora fundada no Canadá. Para muitos, tratava-se de um bando de desocupados, filhinhos do papai procurando uma ocupação e até mesmo aparecer na mídia. Não é novidade e o deputado federal Paulo Pereira da Silva, Paulinho da Força Sindical, lembrou muito bem dia 1º de maio: “Coisa de meio ambiente, vamos falar a verdade, até pouco tempo atrás era coisa de veado”.

Hoje a história dessa Ong é de fidelidade a alguns princípios básicos como não ter fins lucrativos e se manter graças ao apoio de colaboradores, sem aceitar contribuições de outras pessoas, governos ou partidos políticos. Há cerca de dez anos no Brasil, é a responsável, por exemplo, pela invasão de madeireiras nos confins da Amazônia para questionar o desmatamento predatório e a perda da biodiversidade.

Em Natal, o tema meio ambiente - inicialmente era ecologia – começou a ser tratado com maior seriedade e consistência, graças à visão do jornalista Luiz Maria Alves, então diretor-superintendente dos Diários Associados. Foi ainda nos anos 70, ao designar o repórter Jânio Vidal para produzir uma série de reportagens cujo objetivo era marcar a posição do jornal Diário de Natal como órgão pioneiro na luta pela preservação da natureza.

Como fontes para tais reportagens, além dos técnicos em planejamento – atividade que naquela época vivia o seu auge – surgiam os ecologistas, entre outros o geólogo Eugênio Cunha. É com justiça que o Parque das Dunas - não fosse aquela campanha sistemática hoje não existiria parque e muito menos dunas – recebe o nome de Jornalista Luiz Maria Alves.. E, por coincidência, o seu administrador é o atual diretor-geral do Idema – Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Estado,  Eugênio Cunha.

O slogan “meio ambiente é responsabilidade de todos”, usado pelo Idema, vai ganhando força e o resultado disso é que está sendo discutido com mais vigor na sociedade e nos meios de comunicação. Hoje, é com freqüência que assuntos ambientais são analisados na televisão local, onde o jornalista Jânio Vidal transplanta para o vídeo no programa “Encontro com a Notícia” (TV Tropical, canal 8 – Rede Record, 12h), a veemência com que defendia nas páginas do Diário de Natal medidas e posições para impedir agressões à natureza.

É por isso que o Dia Mundial do Meio Ambiente, que transcorrerá amanhã, está sendo marcado por uma série de eventos. Vai desde exposição de fotografias no Parque das Dunas, limpeza simbólica com arrastões ambientais em praias e no rio Potengi e passando pela distribuição de mudas de árvores pelo Sindicato da Construção Civil, sábado nos canteiros da cidade. Destaque maior para a apresentação da área de 64 hectares onde será instalado o primeiro Parque Municipal de Natal – na avenida que liga Candelária a Cidade Satélite-Pitimbu-Cidade Nova.

Mas, nem só festa envolve o tema meio ambiente. E é bom que assim seja. Exemplo disso é o Ministério Público, através da promotora do Meio Ambiente, Gilka da Mata Dias que teve Ação Civil Pública acatada pela Justiça para que a Caern realize obras emergenciais para amenizar a poluição por nitrato das águas que abastecem a população natalense. Por isso é que muitas pessoas evitam consumir a água fornecida pela Caern. Daí o crescimento absurdo do comércio de água mineral na capital antigamente conhecida como a de melhor água potável do Brasil. Trata-se da auto-privatização da água consumida em Natal.

Tudo isso dá sentido à profecia indígena que inspirou o Greenpeace: “Um dia, a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra”.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 04.06.2007

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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