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Ainda ressoa a frase proferida pelo
Papa Bento XVI, dia 12 de maio passado durante a visita
à Fazenda da Esperança, em Guaratinguetá, interior de
São Paulo. Falando aos jovens dependentes químicos em
recuperação, enfatizou para surpresa de todos: “Digo aos
que comercializam a droga que pensem no mal que estão
provocando a uma multidão de jovens e de adultos de
todos os segmentos da sociedade. Deus vai lhes exigir
satisfações”. Nessa mesma direção, outra frase estará
bem presente nesses próximos dias, por conta dos Jogos
Pan-americanos a serem realizados no Rio de Janeiro de
13 a 29 de julho: “Jogue bem, ganhe vida”.
O Papa ressaltava também que o Brasil
possui uma das estatísticas mais relevantes em relação à
dependência química, assim como toda a América Latina. E
ouviu de uma jovem a confirmação em tom de preocupação e
apelo: “No Brasil ainda existem milhões de jovens
marginalizados. Muitos são obrigados a deixar os estudos
para trabalhar e ajudar a família. Precisamos de
educação básica de qualidade”. A visita papal, assim
como o estímulo provocado pelo Pan-Rio 2007 - a mostrar
que o esporte pode ser forte aliado na prevenção do uso
de drogas, uma vez que proporciona prazer e diversão de
forma saudável - ainda constituem uma sugestiva
coincidência.
É que emparedada entre os dois
eventos está a Semana Nacional Antidrogas que começa
amanhã e irá até o dia 26 – Dia Internacional de Luta
contra o Uso e o Tráfico de Drogas, instituído pela ONU.
Uma semana que deverá ser marcada pela realização de
palestras, debates, fóruns, exposições, eventos
esportivos, sempre alertando a população sobre os riscos
do uso de drogas lícitas – álcool e cigarro – e ilícitas
e, em meio aos festejos juninos, a queima ou incineração
de drogas apreendidas com aqueles que já começaram a
prestar satisfações aqui mesmo na terra às polícias
Federal e Estadual. E, pelo visto, sempre em números
ascendentes.
Mas, enquanto o aparelho policial
destrói o que consegue apreender - e percebe-se um
trabalho cada vez mais articulado entre os diversos
organismos policiais estaduais e federais – a quantidade
que burla as barreiras é certamente bem maior. Daí os
fatos e as estatísticas mostradas quer nos informativos
policiais - o lado repressor – quer nos centros de
apoio, hospitais e entidades que lidam com o lado das
doenças de toda ordem provocadas pelas drogas, incluindo
o álcool. Segundo o médico psicanalista Stênio Saraiva,
mestre em Biofísica da UFRN, 70% dos internos no
Hospital Colônia João Machado estão lá por conta da
bebida”. Outro dado: 25,9% dos dependentes de droga
começaram a trilha do vício pelo álcool.
Já semana passada a revista Veja
exibiu um quadro sob o título “Um país que mata os seus
jovens”. Com base em pesquisa da Universidade de São
Paulo – USP – foi mostrado que a taxa anual de
homicídios de crianças e adolescentes quadruplicou entre
1980 e hoje. Nos anos 80 eram três homicídios por
100.000 pessoas; nos anos 90 subiu para oito e
atualmente quadruplicou atingindo 13 por cada 100.000
habitantes. Há de se alegar que existe uma série de
problemas que contribuíram para isso, como a falta de
perspectivas futuras, a ausência de diálogo e
compreensão em casa, o imobilismo dos educadores e
somando-se a isso quantidade de dinheiro envolvida no
tráfico.
Daí terem sido bem escolhidos os
temas para a programação que a Secretaria Municipal de
Saúde escolheu para realizar nesta segunda-feira, 18,
das 9 às 16 horas, no auditório da Reitoria da UFRN.
Trata-se de um Ciclo de Palestras sobre Drogas
Psicotrópicas, parte da instalação em Natal de uma sede
do Núcleo Comunitário do Centro Brasileiro de
Informações sobre Drogas Psicotrópicas – Cedrib. Pela
manhã, “Drogas Lícitas e Ilícitas no Brasil e em Natal”
e “Consumo de Drogas Psicotrópicas entre estudantes da
Rede Pública de Natal”. Para a tarde, “Drogas e
Violência Familiar” e “Abuso de Drogas por Mulheres
Brasileiras”. Temas que dariam títulos para filmes, com
roteiros bem previsíveis. E reais.
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