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Duas notícias deste fim-de-semana me
fizeram lembrar uma plaquete editada há mais de 20 anos,
no período em que presidi a Imprensa Oficial do Estado.
Sob o título “Tudo que você precisa saber sobre o
alcoolismo e nunca teve a quem perguntar”, é de autoria
do psicanalista Eduardo Mascarenhas, conhecido na década
de 80 por tentar popularizar a psicanálise através de
programas de tevê.. Em 1990 entrou para a política,
elegeu-se deputado federal pelo PDT e faleceu aos 54
anos em 29 de abril de 1997.
Nesse livreto de apenas 30 páginas,
ele afirma que “As causas do alcoolismo são misteriosas.
O alcoolismo acomete homens e mulheres, brancos, negros
e amarelos, pobres e ricos. Atinge, indiscriminadamente,
pessoas de todos os tipos físicos e de todo tipo de
temperamento. Gordos e magros, altos e baixos,
longilíneos e brevilíneos, pessoas bem-sucedidas e
malsucedidas, tímidos e extrovertidos, gulosos e
frugais, personalidades alegres e tristes, ativos e
preguiçosos, angustiados e tranqüilos, todos – segundo
ele – estão sujeitos à dependência do álcool.
A primeira notícia é a de que em pelo
menos duas ocasiões astronautas da Nasa foram ao espaço
tão bêbados a ponto de representar risco para o vôo e
pelo visto caiu como uma bomba para a agência espacial
americana. Inicialmente, foi divulgada pela revista
“Aviation Week & Space Technology”, acrescentando que os
astronautas conseguiram voar, mesmo depois que os
médicos da Nasa e colegas de tripulação avisaram aos
superiores sobre os colegas astronautas que passaram dos
limites. Bomba que colocou a agência espacial,
literalmente, num rabo de foguete.
Outra dá conta de que mesmo com
termômetros batendo na casa dos 4º C durante a
madrugada, como ocorreu sexta-feira, moradores de rua
preferem passar a noite ao relento a se submeterem às
regras dos albergues públicos do Grande ABC. O motivo
principal, segundo eles, é o fato de não poderem entrar
alcoolizados nos abrigos. Um desses moradores de rua,
recusado por um albergue por ter causado tumulto devido
à ingestão de álcool, morreu de frio e entra para as
estatísticas dos que passam dos limites provocado pelo
alcoolismo, apontada como a terceira doença que mais
mata no mundo.
Com autoridade de quem se dedicou ao
tema, publicando no jornal “Última Hora” uma série de
crônicas, Eduardo Mascarenhas teria assim dois bons
temas para discorrer de forma bem aberta como chegou a
declarar num dos artigos onde dizia: “Olha que não tenho
nada contra o álcool em si. Pessoalmente, bebo enquanto
perceber que o faço com natural moderação; não pretendo
deixar de fazê-lo”. E acrescentava: “Como um delegado
nacional do AA bem humoradamente me relembrava a frase
de um grande poeta brasileiro. O melhor amigo do homem
não é o cachorro, é o uísque” Claro, para quem pode
pagar, talvez até seja verdade – e completava: porém, é
verdade para 87% dos bebedores. Contudo, para 13%, se
puderem, é bem melhor terem um cachorro. “Senão, viverão
uma existência de cão”.
O pscinalista reconhecia que as
causas do alcoolismo são misteriosas e, citando a
Organização Mundial de Saúde, definia como uma doença
sem uma causa especificamente conhecida. O fato é que
13% dos bebedores têm uma relação diferente dos 87%
restantes. Seu corpo e sua mente parecem reagir de modo
pernicioso. A esses 13% só se pode recomendar uma coisa:
mantenham-se afastados do copo. E concluía: Acima de
tudo – como não se cansam de repetir os Alcoólicos
Anônimos – evitem a primeira dose. Ingerida a primeira
dose é como se sangue tivesse sido lançado à água e um
tubarão que navegava nos seus mares interiores
enlouquecesse, e ninguém segurasse mais sua fissura
enlouquecida.
Eduardo Mascarenhas conta que
conheceu o A.A, participando de algumas reuniões: “O
clima desse relacionamento não tem nada de misterioso,
obscuro e esotérico. É uma relação entre pessoas comuns,
que se tornaram amigas pelo convívio e pela
disponibilidade de se ajudarem mutuamente sobre um
problema comum que possuem: o alcoolismo. Considerava um
modelo de instituição moderna e democrática”. Para ele
“é a sociedade tratando a própria sociedade”. No RN,
onde os AA estão comemorando 32 anos, recebo um release
que indica até o site: www.aarn.org.br.
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