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Quem passou neste sábado logo cedo
pelo início do viaduto do Quarto Centenário, no sentido
Parnamirim/Natal - fui um deles - presenciou o que deve
ter sido o maior engavetamento de veículos já ocorrido
naquele trecho da BR-101. Foram sete automóveis das mais
diversas marcas, enganchados e nas mais diferentes
posições, enquanto alguns rapazes, sempre com os
celulares nos ouvidos, estiravam a mão tentando
“orientar o trânsito”, que começou o dia com enorme
engarrafamento devido à operação para separar os
veículos acidentados. Antes de chegar a este
engavetamento, outro acidente em menores proporções,
poucos metros antes, no início da subida, na saída da
marginal após o Via Direta já alertava os motoristas.
Os dois acidentes, envolvendo uma
dezena de veículos, no mesmo trecho da BR numa hora de
reduzido movimento, demonstram o excesso de velocidade e
os riscos a que estão sujeitas as pessoas que nada têm a
ver e nem contribuem para esse tipo de transtorno. Isso
ocorre no momento em que começa a ser intensificada a
campanha publicitária do Ministério da Saúde para
conscientizar a sociedade sobre os riscos do consumo
excessivo de bebidas alcoólicas. São três propagandas
enfocando o uso cada vez maior de álcool entre
adolescentes e a relação direta entre bebida alcoólica,
violência e acidentes de trânsito. A campanha se encaixa
no tema da Semana Nacional de Trânsito, daqui a um mês e
que elegeu o tema “O jovem e o trânsito” e que terá o
slogan “jovem: paz e amor no trânsito”.
A campanha, além do alerta serve
também de contraponto às propagandas de automóveis
também exibidas na televisão até com mais intensidade,
com estímulos fortes à velocidade nas ruas e à
imprudência ao volante. Tais peças promocionais induzem
a pelo menos uma infração gravíssima de trânsito:
“Utilizar-se de veículo para, em via publica, demonstrar
ou exibir manobra perigosa, arrancada brusca, derrapagem
ou frenagem com deslizamento ou arrastamento de pneus”
(Art. 175 do Código de Trânsito). Enquanto o ato de
dirigir requer segurança, conscientização,
responsabilidade e autocontrole emocional, os veículos
são mostrados como aventura, modo de usufruir tudo que o
status ou a potência do carro oferecem. Uma dessas peças
que estão por aí mostram simplesmente a direção e um
velocímetro registrando 220 km por hora.
Os jovens de todo o mundo, daí a
preocupação da ONU - Organização das Nações Unidas e da
Organização Mundial de Saúde, compõem o grupo mais
vulnerável e de maior exposição ao risco de mortes e
acidentes de trânsito, uma vez que circulam como
pedestres, ciclistas, motociclistas, condutores e
principalmente passageiros. E de acordo com
especialistas, as condições emocionais específicas da
adolescência, como a necessidade de auto-afirmação,
competitividade, exibicionismo, onipotência, busca de
intensas e prazerosas sensações, em conjunto com a
bebida alcoólica, fazem do jovem um forte candidato ao
grupo de risco de acidentados no trânsito. As altas
velocidades e especialmente os “rachas” são um exemplo
desse comportamento.
A BR-101, na travessia de Natal -
local das batidas - recebeu desde o final do ano uma
moderna sinalização rodoviária. Placas de películas
refletivas de alta intensidade, pórticos, painéis
eletrônicos com mensagens educativas, além de
fiscalização ostensiva com radares móveis para tentar
reverter os altos índices de acidentes. No trecho
considerado mais perigoso, que começa ao lado do
Machadão e termina no viaduto de Parnamirim, via-se a
presença ostensiva dos patrulheiros rodoviários federais
com os radares móveis. Os motoristas obedeciam aos
limites de 60 km para caminhões e ônibus e 80 km para
automóveis. Percebendo que os radares desapareceram,
virou rotina alguns motoristas apontarem para as placas
enquanto outros tentam ultrapassagens com velocidades
bem maiores.
Até agora está provado que as
campanhas educativas de trânsito bem elaboradas surtem
efeito somente durante a execução. Depois, caem no
esquecimento e até que surja outra, volta tudo a correr
frouxo. Apesar das multas pesadas, é rotina para quem
entra no trânsito logo cedo, enfrentar pessoas
embriagadas dirigindo e acidentes que colocam em risco a
vida de pedestres e também de outros motoristas. Os
acidentes deste sábado vieram provar mais uma vez que a
BR-101 entre Natal e Parnamirim é a rodovia federal mais
perigosa do Estado. E não se trata de rodovia velha e
esburacada, de traçado perigoso, estreita ou má
sinalizada. Nem porque estamos em agosto. É porque
vivemos no país da impunidade.
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