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Quem
já elaborou pauta de jornal tem alguma facilidade em se
programar para escrever diária ou periodicamente sobre
assuntos diferentes. Não que os demais não a tenham,
mas é como reviver um tempo em que era rotina encontrar
todos os dias uma dezena de assuntos para que outros
desenvolvessem e os transformassem em notícias, de
preferência sem que o concorrente soubesse - hoje
tarefa quase impossível. O articulista, na maioria das
vezes, executa uma tarefa solitária: pauta o tema e se
encarrega de desenvolver. Este artigo, por exemplo,
poderia ser dividido em três, dada a diversidade de
temas surgidos na semana que passou em torno de uma
instituição chamada Escola Industrial de Natal.
Dos
três temas, um é de luto, especialmente para os que
conviveram com o professor Pedro Martins de Lima,
primeiro diretor da nova Escola Técnica Federal, hoje
Cefet-RN, depois de ter sido aluno da Escola de
Aprendizes Artífices – curso de marcenaria - e
diretor da Escola Industrial de 30 de junho de 1964 a 28
de fevereiro de 1968. Pedro Martins, que faleceu dia 18,
em Aracaju, aos 81 anos de idade, foi homenageado
durante a missa de 7º dia nesta sexta-feira, na Igreja
do Bom Jesus, na Ribeira. Na ocasião, o cônego José Mário
de Medeiros leu trechos de uma mensagem escrita pelo
professor Alcyr Veras, que começa assim: “Há pessoas
que vêm ao mundo movidas por uma espécie de carma,
transmigração, força geradora do destino, com o fito
único de servir, ajudar colaborar. Pedro Martins de
Lima era uma dessas pessoas”.
Alcyr,
que é maranhense e foi trazido para Natal pelo
professor Pedro, lembrou aspectos da vida do educador
sensível aos problemas sociais e que mantinha saudável
atitude paternal de ajuda aos alunos carentes, algumas
vezes às suas próprias expensas. Democrata incorrigível,
possuía liderança nata e não precisava se impor para
ser respeitado e obedecido. Possuía a virtude da paciência
e era dono de uma invejável capacidade conciliadora.
Outra imagem deixada pelo professor Pedro Martins de
Lima era o desapego a bens materiais. Alcyr disse mais
– e todos concordam – que “Pedro Martins será uma
referência como cidadão e como educador”.
O
segundo tema é uma seqüência dos seis artigos que
escrevi desde 2004 sobre o estado de abandono do prédio
da antiga escola, localizado na Avenida Rio Branco,
centro de Natal. Edificação histórica e por isso
mesmo o tema de um trabalho acadêmico desenvolvido no
curso de Arquitetura e Urbanismo pela então doutoranda
Dinara Regina Azevedo Gadelha. Além de resgatar esse
período importante da nossa história, o trabalho,
aprovado pela UFRN propõe a transformação do prédio
em Centro de Cultura e Criatividade Liceu das Artes. Na
semana em que a turma de Arquitetura e Urbanismo vai
colar grau – será quinta-feira, dia 30, às 20h, no
auditório da Reitoria – uma intervenção está sendo
observada na calçada da antiga escola. E, pelo visto, não
tem nada de restauração. É para, aproveitar o
abandono e lá construir ninguém sabe ao certo o quê,
em mais uma prova da falta de compromisso com o patrimônio
histórico da capital.
No
ano passado, lamentando o abandono do prédio da antiga
Escola Industrial, pude lembrar que nesses últimos anos
muitos prédios de Natal ganharam nova destinação,
receberam melhorias, a exemplo da Capitania dos Portos
(hoje Capitania das artes); o Quartel General do Exército
(agora Museu Câmara Cascudo); Palácio Potengi
(transformado em Palácio da Cultura); “A República”,
cujo prédio foi reformado e dotado de um museu da
Imprensa e até a sede do extinto Bandern (hoje sede do
Procon-RN), além da preservação e cuidados com prédios
como o Palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura e o
Teatro Alberto Maranhão.
E
concluía afirmando que a antiga escola somente se
compara à Estação Rodoviária da Ribeira, e esta
assim mesmo – dizia no artigo “Do Liceu ao Cefet”
– 11/09/2006 – com projeto para ser reformada dentro
de nova destinação. Como as obras da Rodoviária já
estão em fase de conclusão, agora só resta lembrar um
famoso beco ali bem próximo para comparar com o
tratamento que é dado à antiga escola, até agora alvo
de muito papo furado sem qualquer consistência por
parte dos envolvidos na restauração. Nesse cenário é
que está em preparativos o segundo encontro de gerações,
reunindo ex-alunos do Liceu Industrial, Escola
Industrial de Natal, Escola Técnica Federal e Centro
Federal de Educação Tecnológica. Será dia 22 de
setembro, no Clube dos Empregados da Petrobras - CEPE
(antiga Aspetro). Como diria o poeta: a vida é um
paradoxo. É muito simples, mas complicamos. |