OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

SINAIS DE ALERTA

            Wellington Medeiros*

 

Já é rotina em Natal veículos serem arrombados e os toca-cds roubados, enquanto os proprietários ficam no prejuízo e alguns mais descrentes na recuperação nem sequer prestam queixa na polícia. Somente durante uma festa há cerca de 20 dias, no bairro de Capim Macio, 30 veículos foram violados e os equipamentos de som retirados ou danificados. A freqüência com que esse tipo de crime está ocorrendo, levou a polícia a realizar uma operação surpresa no bairro do Alecrim, onde se localiza a maioria das lojas de equipamentos eletrônicos e em torno das quais circulam ambulantes e prestadores de serviço, especialmente no ramo de sons automotivos.

É certo que podem ter ocorrido exageros, como pessoas jurando que os objetos lhes pertenciam, enquanto os policiais e até o pessoal da área de tributação, preferiam recolhê-los para melhor averiguação. Sabe-se que uma operação “arrastão” como a da semana passada no Alecrim, atinge pessoas de bem, umas por estarem no lugar errado na hora errada, outras - entre as quais muitos ambulantes - sobrevivendo honestamente dessa atividade, mas é louvável que sejam feitas, até para que se possa separar o joio do trigo. Nesta semana, marcada pela promoção “Liquida Natal”, isso fará com que as pessoas possam fazer suas compras ou se utilizarem de serviços naquele trecho do Alecrim sem temer esses sobressaltos, embora sempre sob o risco de assaltos.

Esse preâmbulo policial deve servir também de alerta para as pessoas que adquirem objetos novos ou semi-novos sem a devida nota fiscal. Correm o risco de sérios aborrecimentos e até mesmo de perdê-los. Um desses fatos ocorreu comigo há alguns anos e resolvi lembrá-lo, depois de receber esta semana a ligação de uma emissora de televisão comercial local, indagando se poderia participar de um programa envolvendo pessoas - entre as quais um jornalista - que ainda resistem ao uso do computador e assim continuam preferindo a máquina de datilografia. Não sei de onde tiraram essa informação, mas serviu para lembrar minha primeira Olivetti Letera 32 e a forma como adquiri.

Certo dia - ainda nos anos 70 – o mecânico Pilão, encarregado do conserto das máquinas de datilografia da rádio Cabugi e da Tribuna, uma figura humana - nunca demorava mais de dois dias quando a gente reclamava problema urgente nas máquinas - indaga se queria comprar uma Olivetti portátil, pois havia feito um negócio e estava precisando vendê-la. Apresentado à máquina e conhecido o preço decidi comprá-la. Como estava em poder de um especialista, qualquer problema “estava na garantia”. Um ano depois, chega Pilão cheio de pernas, indagando se eu ainda possuía a dita máquina. Confirmei e, para surpresa, ele informa que a polícia estava precisando dela para devolver ao legítimo dono. Ele havia comprado de forma atravessada – sem pedir a nota – e acabou me pagando em serviços numa outra Letera 32, dessa vez com nota que guardo até hoje.

Foi nesse período, com a datilografia começando a se modernizar através de máquinas elétricas que o então representante da IBM em Natal, Roberto Luiz Ribeiro Viana - colega no curso de Comunicação Social da UFRN – começou a mostrar que era um vendedor especial. Apresentado por mim ao Dr. José Gobat conseguiu convencê-lo a comprar para o radiojornalismo uma máquina com um tipo maior - equivalente ao tamanho 18 no Times New Roman, do Word. A máquina fez sucesso e Roberto Viana seguiu na sua carreira vitoriosa - a de vendedor, claro - migrando depois naturalmente para a área de informática, onde se transformou num dos expoentes multinacionais em Natal.

Ao contrário da máquina, meu primeiro computador foi adquirido em 1995 através de um consórcio promovido pela On-line Informática. E fiz o primeiro curso em outubro do mesmo ano no ITECI – Instituto de Tecnologia de Informática. Portanto, se não fui dos primeiros, também não fui dos últimos a fazer amizade com o computador. A minha inclusão indevida no rol dos resistentes ao computador - portanto, ainda usando máquina de datilografia, o que não seria nada do outro mundo - só me faz refletir ainda mais sobre a responsabilidade da informação. Muitas vezes transmitida de forma equivocada, apressada, imprecisa ou eivada de achismo. Quando envolve um assunto irrelevante quanto este, passa passando como diria o Dr.Cortez Pereira. E quando se coloca em jogo a honra, a honestidade e a dignidade das pessoas?

Pense.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 03.09.2007

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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