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Já é rotina em Natal veículos serem
arrombados e os toca-cds roubados, enquanto os
proprietários ficam no prejuízo e alguns mais descrentes
na recuperação nem sequer prestam queixa na polícia.
Somente durante uma festa há cerca de 20 dias, no bairro
de Capim Macio, 30 veículos foram violados e os
equipamentos de som retirados ou danificados. A
freqüência com que esse tipo de crime está ocorrendo,
levou a polícia a realizar uma operação surpresa no
bairro do Alecrim, onde se localiza a maioria das lojas
de equipamentos eletrônicos e em torno das quais
circulam ambulantes e prestadores de serviço,
especialmente no ramo de sons automotivos.
É certo que podem ter ocorrido
exageros, como pessoas jurando que os objetos lhes
pertenciam, enquanto os policiais e até o pessoal da
área de tributação, preferiam recolhê-los para melhor
averiguação. Sabe-se que uma operação “arrastão” como a
da semana passada no Alecrim, atinge pessoas de bem,
umas por estarem no lugar errado na hora errada, outras
- entre as quais muitos ambulantes - sobrevivendo
honestamente dessa atividade, mas é louvável que sejam
feitas, até para que se possa separar o joio do trigo.
Nesta semana, marcada pela promoção “Liquida Natal”,
isso fará com que as pessoas possam fazer suas compras
ou se utilizarem de serviços naquele trecho do Alecrim
sem temer esses sobressaltos, embora sempre sob o risco
de assaltos.
Esse preâmbulo policial deve servir
também de alerta para as pessoas que adquirem objetos
novos ou semi-novos sem a devida nota fiscal. Correm o
risco de sérios aborrecimentos e até mesmo de perdê-los.
Um desses fatos ocorreu comigo há alguns anos e resolvi
lembrá-lo, depois de receber esta semana a ligação de
uma emissora de televisão comercial local, indagando se
poderia participar de um programa envolvendo pessoas -
entre as quais um jornalista - que ainda resistem ao uso
do computador e assim continuam preferindo a máquina de
datilografia. Não sei de onde tiraram essa informação,
mas serviu para lembrar minha primeira Olivetti Letera
32 e a forma como adquiri.
Certo dia - ainda nos anos 70 – o
mecânico Pilão, encarregado do conserto das máquinas de
datilografia da rádio Cabugi e da Tribuna, uma figura
humana - nunca demorava mais de dois dias quando a gente
reclamava problema urgente nas máquinas - indaga se
queria comprar uma Olivetti portátil, pois havia feito
um negócio e estava precisando vendê-la. Apresentado à
máquina e conhecido o preço decidi comprá-la. Como
estava em poder de um especialista, qualquer problema
“estava na garantia”. Um ano depois, chega Pilão cheio
de pernas, indagando se eu ainda possuía a dita máquina.
Confirmei e, para surpresa, ele informa que a polícia
estava precisando dela para devolver ao legítimo dono.
Ele havia comprado de forma atravessada – sem pedir a
nota – e acabou me pagando em serviços numa outra Letera
32, dessa vez com nota que guardo até hoje.
Foi nesse período, com a datilografia
começando a se modernizar através de máquinas elétricas
que o então representante da IBM em Natal, Roberto Luiz
Ribeiro Viana - colega no curso de Comunicação Social da
UFRN – começou a mostrar que era um vendedor especial.
Apresentado por mim ao Dr. José Gobat conseguiu
convencê-lo a comprar para o radiojornalismo uma máquina
com um tipo maior - equivalente ao tamanho 18 no Times
New Roman, do Word. A máquina fez sucesso e Roberto
Viana seguiu na sua carreira vitoriosa - a de vendedor,
claro - migrando depois naturalmente para a área de
informática, onde se transformou num dos expoentes
multinacionais em Natal.
Ao contrário da máquina, meu primeiro
computador foi adquirido em 1995 através de um consórcio
promovido pela On-line Informática. E fiz o primeiro
curso em outubro do mesmo ano no ITECI – Instituto de
Tecnologia de Informática. Portanto, se não fui dos
primeiros, também não fui dos últimos a fazer amizade
com o computador. A minha inclusão indevida no rol dos
resistentes ao computador - portanto, ainda usando
máquina de datilografia, o que não seria nada do outro
mundo - só me faz refletir ainda mais sobre a
responsabilidade da informação. Muitas vezes transmitida
de forma equivocada, apressada, imprecisa ou eivada de
achismo. Quando envolve um assunto irrelevante quanto
este, passa passando como diria o Dr.Cortez Pereira. E
quando se coloca em jogo a honra, a honestidade e a
dignidade das pessoas?
Pense.
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