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No país onde quase tudo acaba nas
barras da Justiça, em Natal os organizadores de um
evento decidiram inverter essa tradição. Trata-se da
solenidade que irá marcar o início amanhã, às 10 horas,
da Semana Nacional do Trânsito. Será no auditório da
Procuradoria Geral de Justiça,
em Candelária. O tema para o evento,
que se estenderá até o dia 25, é “O Jovem e o
Trânsito”.. Faz sentido. Trata-se de diretriz
proclamada para 2007 pelas organizações das Nações
Unidas, Mundial e Pan-Americana de Saúde, seguida pelo
Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e
comprovada pelo DETRAN-RN. Somente em Natal, no primeiro
semestre, 29 pessoas morreram em acidentes de trânsito,
das quais oito, ou seja, 28% na faixa etária até os 24
anos, enquanto nos 849 acidentes sem vítimas fatais 301
– ou seja, 35% - envolviam pessoas da mesma faixa de
idade.
Nesses dias que antecedem ao evento,
outra novidade teve origem no Poder Judiciário, através
da instituição da Unidade Móvel do Juizado Especial
Cível do Trânsito. A partir da instalação - os ônibus
estão em fase de licitação, a equipe da Unidade Móvel –
a exemplo do que ocorre hoje com o SAMU – se deslocará
até o local do acidente, realizando de imediato o
levantamento do que for necessário para a elucidação e
solução do ocorrido, no âmbito cível. A Unidade, contará
além do Juiz, com um Oficial de Justiça Avaliador com
curso de perícia de trânsito, um Policial Militar da
Companhia de Trânsito e um auxiliar técnico.
Essa providência do Tribunal de
Justiça mostra a dimensão que assume a questão do
trânsito, especialmente em Natal, onde os números
contribuem para aumentar a cada dia essa preocupação. De
acordo com o site do Detran – www.detran.rn.gov.br,
atualizado em tempo real – neste domingo, a frota do Rio
Grande do Norte era de 552.999, dos quais 234.675
somente
em
Natal. E, pasmem 165.342 motos, destas
39.482 rodando
em
Natal. O número chama atenção, porque a
quase totalidade desses veículos, para os quais não
existem vias apropriadas - circulam fazendo acrobacias
entre os demais veículos - são conduzidas por jovens, o
alvo principal da Semana que começa amanhã. Isso,
deixando de lado os veículos de tração animal – as
carroças - antiquado e perigoso complicador do trânsito,
muitas vezes conduzidas por jovens e até crianças.
Nesse cenário, ninguém deve estranhar
se num mesmo trecho estiver dirigindo ao lado – também
pode ser na frente ou atrás – de um mau condutor –
motorista ou motoqueiro. São os que buzinam de forma
inconveniente, sinalizam com luzes pedindo ultrapassagem
onde não é possível, ou mesmo os incompetentes ao
volante, seja por inabilidade ou dirigindo sobre os
efeitos de drogas, aí incluída a bebida alcoólica.
Nesses casos para não agravar a situação é praticar o
solilóquio (monólogo interior), buscando a serenidade e
evitando entrar num jogo onde não existe vencedor. Nada
justifica prolongar um cenário que na sua quase
totalidade, não dura mais do que alguns segundos, tal
qual a raiva que um cão vira-lata tem de um automóvel.
Late, quando alcança não sabe o que fazer.
A intenção do tema da Semana –
jovem: paz e amor no trânsito – não é somente a de
chamar a atenção do jovem para o respeito às leis, mas
discutir uma forma de toda a sociedade poder contribuir
para um trânsito mais seguro. Uma pesquisa nacional
realizada pelo Ibope (encomendada pelo Programa Volvo de
Segurança no Trânsito - Perkons, empresa que desenvolve
equipamentos de fiscalização eletrônica - Ministério da
Saúde e Sociedade Brasileira de Ortopedia e
Traumatologia), entrevistou mil jovens entre 16 e 25
anos em 66 cidades brasileiras com mais de 300 mil
habitantes.
Traçou um perfil do jovem no trânsito
e identificou o seu pensamento sobre o assunto. Mostrou
que o jovem brasileiro tem consciência de que é
imprudente, reconhece que essa imprudência é ainda maior
quando está
em grupo. Destes, 39% acreditam que o
que impulsiona este comportamento é a adrenalina e 30%
apostam que é a bebida. Apesar de ser a principal
vítima de acidentes, não se sente o responsável pela
diminuição dos altos índices. A pesquisa revelou também
um descrédito do jovem em relação às autoridades de
trânsito e a falta de respeito às leis. E como
alternativa para a redução de acidentes, aposta nas
campanhas educativas, além de medidas mais punitivas.
Ponto para o jovem que faz o contrário do que vê em
Brasília: erra, mas não mente.
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