OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

O LICEU DE TODOS

            Wellington Medeiros*

 

Uma reunião do Conselho Superior de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte marcada para esta quinta-feira, dia 18, às 14h30, poderá decidir qual destinação será dada ao prédio histórico da Escola Industrial de Natal, localizado na Avenida Rio Branco, praticamente abandonado e deixando péssima impressão a quem passa pelo antigo centro da capital. Seja qual for a decisão estará começando, embora tardiamente, a reparação para décadas de desprezo a um dos nossos prédios públicos mais imponentes e de indiscutível valor histórico. Aceitar o atual quadro de deterioração ultrapassa todos os limites, especialmente por se tratar de um patrimônio público da área da educação e cultura.

Tanto é assim que nesses últimos dias, os servidores da UFRN decidiram se mobilizar e lançaram um manifesto em que pedem a união entre Universidade e o Cefet-RN - atual e antigo responsáveis pelo prédio, respectivamente -  para a criação do Liceu das Artes. A propósito, este foi o título de um dos artigos que escrevi sobre o prédio do antigo Liceu Industrial, Escola de Aprendizes Artífices, Escola Industrial de Natal, Escola Técnica Federal - hoje Cefet-RN. Foi em torno de um trabalho acadêmico do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN que mereceu o destaque ao propor a restauração do prédio e transformá-lo no Centro de Cultura e Criatividade Liceu das Artes.

Agora, o trabalho obtém repercussão internacional. É o que atesta um e-mail que recebi esta semana procedente de Lisboa e assinado pelo Prof. Doutor Amílcar Martins, Ph.D. Ciências de Educação e Artes, dizendo-se amante de Natal, do Rio Grande do Norte e do Brasil e sugerindo que a capital “merece uma maior disponibilização e oferta de meios, equipamentos e manifestações que lhe permitam atingir níveis mais elevados de cidadania, de bem-estar e de progresso social e cultural”. O mestre lembra a Conferência Mundial da Educação Artística, realizada pela Unesco, em Lisboa, sob o tema “A Construção de Capacidades Criativas para o Século XXI” da qual saíram recomendações para os governos de todo o mundo.

É nessa linha o manifesto em defesa do Liceu das Artes, que além de defender a união das duas mais importantes instituições públicas federais de ensino do Rio Grande do Norte, sugere parcerias com o Governo do Estado e Prefeitura de Natal, de forma a credenciar o projeto junto às leis de incentivos à cultura, quem sabe até mesmo da Unesco. Também argumentam que a restauração do prédio secular guarda muito interesse com o ideal cultural e preservacionista que se observa atualmente na Prefeitura de Natal. Estão entre os organizadores do movimento o ex-reitor Ótom Anselmo e os professores – hoje, registre-se, é o Dia do Professor - Lúcio Flávio Moreira e Willington Germano. 

Caso alguém queira questionar o porquê do Liceu das Artes, por entender circunscrito à cultura e diversão, basta lembrar que antigamente – botem antigamente nisso – a escola era encarada como uma bela diversão. Na Grécia Clássica, estudar era uma atividade possível para aqueles privilegiados que não precisavam trabalhar. Daí o nome scholé, depois schola no latim, designava lazer, descanso ou alguma atividade feita na hora do descanso, como .... estudar! Do que se fazia nessa hora derivou o local onde as pessoas se divertiam, quer dizer, estudavam. Portanto, quando fazemos da sala de aula um lugar prazeroso, estamos, de fato, retornando às origens.

Por fim, a palavra liceu se refere ao local onde Aristóteles ministrava suas aulas, o lykeion. Durante o Império Romano, Lycaeu ganhou o sentido de “escola onde os jovens dominam alguns ofícios”. A mesma idéia prevaleceu no Brasil, como prova o Liceu de Artes e Ofícios. Assim, qualquer que seja o destino dado ao prédio do antigo Liceu, que seja reservado um espaço nobre para a memória do ensino industrial e técnico no Rio Grande do Norte. E a Associação dos Ex-Alunos que tem demonstrado competência e organização nos encontros que vem promovendo anualmente, poderia muito bem - caso lhes sejam dados os meios - se responsabilizar pela coordenação. E, como muitos também são ex-alunos da UFRN, o Liceu das Artes poderá surgir acompanhado do slogan: O Liceu de todos.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 15.10.2007

 

 

COLUNAS ANTERIORES

IMPÉRIO DA LEI O PERIGO MORA AO LADO NOVO RUMO SEMANA DO TRÂNSITO OS ANIMAIS E A POLÍTICA SINAIS DE ALERTA UMA ESCOLA E SEUS PARADOXOS O JOVEM E O TRÂNSITO PRESTANDO CONTAS GRITO QUE INCOMODA RABO DE FOGUETE THEODORICO - 104 ANOS OS HERÓIS E AS SEMELHANÇAS SEARA ALHEIA SERVIÇO PÚBLICO LICEU DAS ARTES CERCO AO TRÁFICO CAFÉ SÃO LUIZ O DEVER DE TODOS ÁLCOOL É POLÍTICA MARKETING RELIGIOSO O BENEFÍCIO DA DÚVIDA  A SEMANA DAS MÃES O MESTRE E A MÁQUINA O GRANDE GIBSON DO TWI AO GESPÚBLICA - O DIREITO E O TEMPO DE TEMPOS E TEMPOS DIA DE SÃO JOSÉ CRIME AMBULANTE  AS INTERNAUTAS DOS MALES, OS PIORES TEMPERATURA MÁXIMA ELAS E A LEI DESORDEM NO PROGRESSO FAÇA-SE JUSTIÇA WANILDO NUNES A PRECE DO POVO ATÉ 2007 FM, NOVO DESAFIO AS IMAGENS DANÇA NO GELO A PADROEIRA A VITÓRIA DE BABÁ SEMPRE VERÃO A FESTA CONTINUA CONTAGEM REGRESSIVA MATA GRANDE FATOS E VOTOS BOAS E MÁS NOTÍCIAS ASTRAL DOS CANDIDATOS ORTEGA E O VOTO DO LICEU AO CEFET A RETA DE CHEGADA BARRIGA DO ALUGUEL FOLCLORE ELEITORAL CLARICE PALMA DO BOATO À INTERNET LOCUÇÕES ELEITORAIS MEMÓRIA VIVA RÁDIO RDJ SEGUNDO TEMPO CEMITÉRIO DO ALECRIM OS AVANÇOS DA JUSTIÇA A SEMANA ANTIDROGAS É UMA FESTA SÓ DA NOSSA NATUREZA HORA DE DECISÕES OS COMERCIAIS ONDE ESTÁ O ATENDIMENTO? ALUÍZIO ALVES

Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

TOPO

MENU

INDIQUE SITES

CIDADES DO RN

FALE CONOSCO