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Se o que conhecemos –
vale para a maioria - sobre outros países ou estados
brasileiros é o que lemos ou vemos no cinema, na
televisão e mais recentemente na internet, somente quem
nasceu ou chegou a Natal para morar em meados do século
passado pode dizer que fez parte da “galera das antigas”
e assim ajudar outros a conhecerem melhor os fatos que
fizeram desde então a história da nossa cidade.
São pessoas aptas a
compartilhar um teste de memória que está na internet
iniciado por Carlos Alberto N. de Andrade e que chegou
ao e-mail já com as devidas lembranças do jornalista
Walter Medeiros. Além de listar cerca de 50 itens sobre
Natal, a partir dos anos 60, ainda faz uma cobrança
sobre a qual muitos discordam, pelo menos da primeira
parte: “você tá ficando velho, mas não deixe nossas
lembranças se apagarem”...
Nesse teste, não se
trata de falar de alguns anos. São décadas para se
chegar a meados do século, também chamados de anos
dourados. Foi o poeta gaúcho Mário Quintana que
escreveu: Já repararam como é bom dizer “ano passado”? É
como quem já tivesse atravessado um rio, deixando na
outra margem ... Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora
nesse “tudo” se incluam algumas ilusões, a alma está
leve, livre, numa extraordinária sensação de alívio.
Pelo visto, o teste de
memória irá proporcionar o resgate de eventos que, ao
provocarem recordações farão lembrar a frase de um autor
desconhecido: “a saudade é a maior prova de que o
passado valeu a pena”. E do historiador Luís da Câmara
Cascudo ao ensinar na sua “História da Cidade do Natal”
que “os ângulos para ver e amar a cidade não são os
mesmos para os indivíduos”.
Todo esse preâmbulo é
para iniciar o teste de memória dirigido para a “galera
das antigas”, começando com algumas das indagações
feitas por Carlos Alberto Andrade. Responda se quiser,
se puder e se viveu nesse tempo: Ia para o centro da
cidade nas noites de dezembro? Tirou fotografia no Foto
Jorge Mário? Freqüentou as matinês de domingo do Aero
Clube, com o conjunto Impacto Cinco? Brincou carnaval no
América, ABC, AABB ou Aero Clube?
E ainda: Chorou
assistindo “Marcelino Pão e Vinho” nas matinês do Cine
Rio Grande? Usou perfume Lancaster ou Mens Club? Ouvia o
“Bar da Noite”, com Carlos Alberto, na rádio Cabugi?
Jogou biloca e andou de carrinho de rolimã na ladeira da
Av. Rio Branco? Bateu pelada no Poço do Dentão ou na
Salgadeira? Freqüentou algum desses bares: “Pé do
Gavião”, Piri-Piri, Hippie, Postinho, Iara Bar e Tenda
do Cigano com o famoso caldinho após sair da boate Royal
Salute?
Na seqüência, o
jornalista Walter Medeiros que hospeda este artigo no (www.rnsites.com.br),
acrescentou que assistia corrida de lambreta na Avenida
Deodoro com a Rua Assu; a Sabatina da Alegria, com Rui
Ricardo, no Cine São Pedro e Vesperal de Atrações, com
Fonseca Júnior e Alnice Marques, no Cine Poti; o nascer
do Sol da calçada do Jangadeiro; Festa da Santa Cruz da
Bica, com a orquestra do maestro João Martins.
Recorda, ainda, as
compras no mercado da Cidade Alta; comícios no palco do
Quitandinha; os papos na Confeitaria Cisne e no Oásis;
compra de perfume na loja “A Fama”, em frente à Casa das
Máquinas, a Galeria de Arte da praça André de
Albuquerque e uma girafa na calçada da loja de mesmo
nome.
E para o meu ingresso na
galera, começo com um fato que não recordo ter visto
registrado: os meninos que passavam vendendo areia de
praia (substituída pelas esponjas de aço) na porta de
casa na antiga Rua Campo Santo, hoje Rafael Fernandes.
Ouvia com meu avô a crônica Café da Manhã, de Adalberto
Rodrigues, pela rádio Cabugi, diariamente às 7h; lia
semanalmente a revista “O Cruzeiro”; vendia e trocava
revistas no cine São Pedro, no Alecrim; subia o Morro do
Careca, nos pic-nics escolares
em Ponta Negra.
Longe ainda da poluição,
brincava de atravessar o rio Potengi remando em pequenos
barcos alugados próximos a atual Pedra do Rosário;
participava da festa da Mocidade, na área onde hoje se
localiza o IPERN; ouvia “Jerônimo, o herói do Sertão”,
às 18h, pela rádio Poti; assistia circo num alto ao lado
da atual Praça Tamandaré, no Baldo; subia no muro do
Juvenal Lamartine para ver o treino da Seleção do Rio
Grande do Norte em 1960 - Ribamar, Biró, Toré, Pádua e
Mauro, Sileno, Jorginho e Canindé, Cocó, Saquinho e
Aladim. A galera dos inesquecíveis do nosso futebol.
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