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Duas crianças estavam patinando num
lago congelado da Alemanha. Era uma tarde nublada e fria
e as crianças brincavam despreocupadas. De repente, o
gelo se quebrou e uma delas caiu, ficando presa na fenda
que se formou. A outra, vendo o amiguinho preso e se
congelando, tirou um dos patins e começou a golpear o
gelo com todas as suas forças, conseguindo por fim
quebrá-lo e libertar o amigo.
Quando os bombeiros chegaram e viram
o que havia acontecido, perguntaram ao menino: - Como
você conseguiu fazer isso? É impossível que tenha
conseguido quebrar o gelo, sendo tão pequeno e com mãos
tão frágeis! Nesse instante, o gênio Albert Einstein que
passava pelo local, comentou: - Eu sei como ele
conseguiu. Todos perguntaram: - Pode nos dizer como? – É
simples – respondeu Einstein – Não havia ninguém ao seu
redor para lhe dizer que não seria capaz.
Uns tratam a historinha como uma
lenda, outros como “A lógica de Einstein”, mas nada que
se assemelhe tanto à participação decisiva de uma
criança para o desvendamento de um dos crimes mais
bárbaros registrados nesses últimos anos na crônica
policial do Rio Grande do Norte. Não fosse a competência
e a obstinação do delegado Raimundo Rolim de Albuquerque
Filho e a memória privilegiada da adolescente de
iniciais A. R., de 12 anos, o crime de que foi vítima a
mãe Andréia Rosângela Rodrigues da Silva, 37 anos,
entraria para o rol dos desaparecimentos insolúveis.
Há três anos, escrevia sobre outro
crime envolto em mistério. O assassinato do empresário
Paulo Ubarana que desapareceu dia 21 de setembro de 2004
e somente teve o corpo encontrado uma semana depois
dentro de um matagal nas dunas de Búzios. Também
envolvia gente de fora, o espanhol Anxo Anton Valiño
Gonçáles e a alagoana Maria Patrícia da Silva,
condenados a 19 anos de reclusão e 16 anos de prisão,
respectivamente. Nesse crime, um cavalo morto serviu de
pista em meio a escassas informações policiais.
O crime envolvendo a família
Bratkowski Thies, ocorrido dia 22 de agosto e tratado
durante um mês como um simples ocorrência de “pessoa
desaparecida”, somente começou a ser esclarecido quando
da designação do delegado Raimundo Rolim, da
Especializada em Homicídios (Dehom). Desde o início,
todos perceberam a liberdade de ação – carta branca -
para o desvendamento do mistério, incluindo a
transparência para a opinião pública, mesmo envolvendo
um militar da Aeronáutica, certamente nos limites que
não prejudicassem as investigações.
Se a lenda retrata a garota A.R.,
pela organização, coragem e memória aguçada, apesar da
idade, encaixa-se igualmente na ação do delegado Rolim.
Todos se recordam da excessiva interferência do
secretário de Segurança Pública e Defesa Social que
antecedeu ao advogado Carlos Castin. Era próprio do Sr.
Glauberto Bezerra aparecer em primeiro plano quando do
êxito de ações policiais. Muitas vezes os delegados não
eram sequer citados. A atuação do secretário Carlos
Castin permite que se aplique a lógica da pequena
história: “Fazer ou não fazer algo só depende de nossa
vontade e perseverança”.
Discreto, o Secretário permitiu que
aparecesse quem devia, isto é, o delegado que para
desvendar o mistério precisava de apoio não somente da
estrutura estatal, mas do envolvimento direto da
imprensa e em conseqüência da sociedade, o que ele
conseguiu pela firmeza nas ações. Enfim, não fosse o
diário da adolescente que acompanhou muitos dos cenários
envolvendo a mãe-vítima e a família Bratkowski Thies, a
riqueza de detalhes com que narrou os últimos dias em
Natal - sozinha e órfã – a dúvida ainda estaria pairando
no ar.
Ela tornou-se a única testemunha da
convivência familiar de que dispunha o delegado Raimundo
Rolim para formar elementos de convicção e desmascarar a
mentira: “Hoje, 22/08/07 quando cheguei em casa
estava o André na frente dizendo que minha mãe tinha ido
comprar cigarro e não voltou. Eu pedi para entrar na
casa ele não deixou. No dia anterior falou que ia matar
ela e bateu em sima (sic) da cabeça dela”. Moral da
lenda e dos fatos: Criança não mente. Mesmo vivendo
cercada de pinóquios.
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