OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

JH, 10 ANOS

            Wellington Medeiros*

 

O Jornal de Hoje recebe este mês homenagens pelos 10 anos de circulação. Justas, merecidas e às quais a forma natural de me associar é dedicar-lhe o espaço no qual há quatro anos este artigo se insere em meio a tantos outros das mais diferentes opiniões e tendências. Se o JH veio preencher uma lacuna na mídia impressa local - há algumas décadas sem contar com jornal vespertino – “Opinião” lembra uma tribuna livre, pelo respeito à liberdade de expressão. Resultado, um público fiel – ao qual se juntam os assinantes – e que pode ser observado todas as tardes em diferentes pontos de vendas da capital.

Produto da obstinação do jornalista Marcos Aurélio de Sá, o JH está consolidado junto à opinião pública como um diário independente, sem vínculos partidários e seguindo um princípio - o que for do interesse público pode e deve ser publicado. Daí, ter-se transformado num exemplo de ética e credibilidade, a contrariar uma conhecida insinuação feita ao comportamento da imprensa de que “um editor de jornal é alguém que separa o joio do trigo – e publica o joio”.

Basta folhear qualquer edição do JH para constatar um jornal de conteúdo isento e aberto a noticiar tudo, o que retrata a orientação do empresário-jornalista de que as suas posições pessoais não servem de imposição no jornal, claro que respeitados os limites legais e a defesa da prática dos bons costumes. Assim, o norte-rio-grandense se habituou a ler o JH desde 31 de outubro de 1997. O que atesto com quase 200 artigos que escrevi aqui nesta página desde 22 de março de 2004.

Liberdade com ética é o binômio que nesses 10 anos de circulação vem atraindo colaboradores, entre os quais me incluo há quase quatro anos. Nenhuma interferência ou reparo ao conteúdo. Sequer sugestão ou insinuação para a escolha de temas para os artigos aqui inseridos. Entregue via internet ao jornalista e diagramador Roberto Canuto, a repercussão que aferimos é na sua totalidade através de e-mails ou o registro pessoal dos seus leitores em encontros casuais.

O Jornal de Hoje é, também, uma excelente ponte estendida para pessoas à distância, como é um exemplo a médica e escritora Clotilde Tavares que, hoje morando em João Pessoa, é leitora do jornal e, segundo e-mail que recebi, chegou a transcrever trecho de um dos meus artigos no site dela nesse endereço - www.umaseoutras.com.br ou o professor Amílcar Martins, de Lisboa, apoiando o movimento em favor do Liceu das Artes. Ou aqui de perto, como a superintendente da STTU, Elequicina Maria dos Santos, ao citar o artigo “O Jovem e o Trânsito”, durante palestra proferida num seminário regional realizado recentemente na Paraíba.

Mas é, sobretudo, uma vitória pessoal do jornalista Marcos Aurélio de Sá, pela atitude tomada desde cedo de se tornar empresário. Éramos repórteres cobrindo a Câmara Municipal que funcionava na esquina da Praça André de Albuquerque quando certa tarde, em meados dos anos 60, ele já externava a vontade de desenvolver projeto na área de comunicação, o que ocorreu já em 1969, quando se tornou um dos sócios da revista RN – Econômico. Depois, em 1983, fundou o jornal tablóide “Dois Pontos” em circulação até 1992 e, finalmente, este JH em 1997. Mas, essas histórias serão contadas um dia quando for escrita a história da imprensa do Rio Grande do Norte.

É tempo de cumprimentar os que fazem desse JH uma trincheira democrática de opinião, do debate e da informação com a marca do amadurecimento e, por isso, recebendo o respeito da sociedade norte-rio-grandense. Dentro dos postulados do bom jornalismo que são, em resumo e parafraseando o escritor argentino José Ingenieros (1877-1925): Não podemos pregar a verdade e transigir com a mentira; a Justiça e não sermos justos; a piedade e sermos cruéis; a lealdade e atraiçoar; o caráter e sermos servis ou pregar a dignidade e rastejar.

Quem O Jornal de Hoje pode até mesmo estranhar alguns exageros, mas não irá encontrar marcas de censura. Pela decisão de Marcos Aurélio de Sá ela esbarra na famosa frase do filósofo francês Voltaire, nascido em 21 de novembro de 1694: “Posso não concordar com uma só palavra do que dizeis, mas concederei até a morte espaço para dizê-lo”.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 19.11.2007

 

 

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