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O que têm em comum o lutador Mike
Tyson, o jogador de futebol Adriano, o escritor Ruy
Castro, o jornalista Caco Barcelos e o cartunista
Jaguar?. Diante dessa pergunta a resposta natural é
simplesmente, nada ou quase nada. Contudo, quem esteve
atento ao que foi divulgado recentemente na mídia, dirá
que todos foram notícia nesses últimos dias por
envolvimento, críticas ou até defesa num tema que hoje
preocupa e afeta toda a sociedade, a bebida alcoólica.
A preocupação é tanta que nesta
segunda-feira, 26, segundo o site do Tribunal de Justiça
-
www.tjrn.gov.br –
a Comarca do município de Santana do Matos, está
realizando um Seminário de Conscientização no Trânsito,
sob o título “Viva e Deixe Viver”. Essa iniciativa
surgiu em decorrência do número de acidentes de trânsito
que vem crescendo na cidade, devido a motoristas
embriagados e menores conduzindo veículos sem estarem
habilitados.
A propósito, foi por dirigir
embriagado que há uma semana, o norte-americano Mike
Tyson, ex-campeão mundial dos pesos pesados, voltou à
prisão, sem direito a regalias, para cumprir a
condenação de um dia imposta pela Justiça, após se
declarar culpado das acusações de dirigir sob o efeito
de álcool e posse de cocaína. No total, ele pegou três
anos de liberdade condicional pela posse da droga, ainda
o pagamento de uma multa e 360 horas de trabalho
comunitário.
Por sua vez, o caso do jogador
Adriano, ex-Flamengo, ex-seleção brasileira, contratado
pelo Internazionale de Milão, está no Brasil para
tratamento e, segundo artigo do jornalista Ruy Castro,
da Folha de S. Paulo o caso dele deve ser tratado
pelo único nome que lhe cabe: alcoolismo. As explicações
variam. Numa delas, ele “pensava demais” nos seus
problemas e tinha de beber para dormir. Em outra, a
causa era “a morte do pai”. Em mais outra, bebera porque
era “dia de seu aniversário” e claro, bebia, também,
porque fora “barrado pelo treinador do Inter”.
Ruy Castro, autor do livro “Estrela
solitária”, com a história de Mané Garrincha, afirma que
todos os pretextos não passam de cascata. Ninguém bebe
porque tem problemas, mas tem problemas porque bebe –
garante. E conclui: “Não conheço Adriano, exceto como
jogador, mas sei que não é um safado ou um sem-vergonha.
É apenas um homem doente. Sua única saída é quebrar o
círculo vicioso, parar de beber e continuar sóbrio. Se
fizer isso, voltará a ser grande e fazer gols. Mas, não
poderá comemorá-los com champanha, lembra Castro.
Também nessa linha, o jornalista Caco
Barcelos – “Profissão Repórter”, Rede Globo – após fazer
palestra sobre violência, em Natal, alertava em
entrevista que no último trabalho que fez no morro –
leia-se Rio de Janeiro - quase todos se queixavam de
espancamento durante a infância com pai alcoólatra e mãe
alcoólatra. Aquele homem que é generoso e bom para a
família, quando bebe fica violento, provoca violência
doméstica, atinge a mulher e os filhos. E indaga: Por
que atribuir culpa ao traficante que vende cocaína e não
ao fabricante que vende cachaça?.
Mas tem quem faça a apologia do
álcool, já tendo escrito até um livro - “Confesso que
bebi”. Trata-se do cartunista carioca Sérgio de
Magalhães Gomes Jaguaribe - Jaguar, 75 anos, que veio a
Natal no fim-de-semana participar de um encontro de
escritores. Um dos fundadores do “Pasquim” - jornal
alternativo que simbolizou a resistência ao regime
militar - Jaguar afirmou em entrevista que “É muito
melhor viver bêbado do que sóbrio”. E não era para fazer
o humor que o consagrou nos anos 60.
Considerado um dos maiores biriteiros
do Brasil, Jaguar se queixa do médico que o proibiu de
beber após sofrer um AVC – acidente vascular cerebral –
há apenas quatro meses. Revela que está escrevendo um
livro de memória: “Um livro de memória de um
desmemoriado, porque não me lembro de porra nenhuma,
tenho que perguntar a outras pessoas” - confessa
resignado. Considerado um mestre do humor gráfico
brasileiro, poderia muito bem transformar em cartum uma
das frases que o Ministério da Saúde deverá colocar nos
rótulos das garrafas de bebida: “O consumo do álcool
pode levá-lo achar que as pessoas estão rindo “com”
você, e não “de” você!”...
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