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Quem se preocupa com a destinação a
ser dada ao prédio onde funcionou a Escola Industrial de
Natal e depois a sede provisória da TV Universitária,
passou a acompanhar nos últimos meses pelos jornais o
Movimento em Defesa da Arte e da Cultura que reivindica
a instalação ali do Liceu das Artes. Agora, é aguardado
o desdobramento da posição da Universidade Federal que
através do Conselho Superior de Administração aprovou
dia 22 de novembro, por 10 votos a nove, resolução
autorizando a transferência – ou devolução - do prédio
hoje abandonado no centro de Natal, para o Centro
Federal de Educação Tecnológica.
Pelo visto, o peso maior para a
decisão do Consad foi uma recomendação do Patrimônio da
União, segundo a qual a utilização do imóvel será apenas
para fins acadêmicos e por ter comprometido R$ 200 mil –
isso mesmo, apenas duzentos mil reais – para reformas do
prédio. Numa decisão fragilizada pela maioria - apenas
um voto – ficou aberta uma brecha que é a incorporação
ao termo de cessão de uma cláusula através da qual fica
assegurada a constituição de uma comissão conjunta entre
UFRN e Cefet-RN, com a missão de aprofundar a questão. A
intenção é unir as atividades técnicas do Centro com
intervenções culturais. Daí continuar a luta e o sonho
do Liceu.
Desde a desocupação do prédio pela
TVU que o prédio da antiga Escola Industrial passou a
chamar atenção pelo estado de abandono, apesar de
abrigar precariamente grupos de artistas. Há dez anos,
em 1998, o professor Pedro de Lima, do Departamento de
Arquitetura, apresentou à reitoria uma proposta de
reutilização do prédio como Espaço Cultural dentro das
comemorações dos 400 anos da Cidade do Natal. Outro
arquiteto, Haroldo Maranhão, teve preocupação idêntica.
O mesmo ocorrendo com o trabalho acadêmico da hoje
arquiteta Dinara Regina Azevedo Gadelha, objeto de um
dos artigos que escrevi sobre o prédio da Avenida Rio
Branco, 743 e que pode ser lido no arquivo do
www.rnsites.com.br.
Todos tiveram o mérito de manter o
tema em evidência e, em conseqüência, na agenda dos
responsáveis pelo estado de abandono. Durante todos
esses anos, ocorreram raras visitas de autoridades dos
ministérios da Educação e dos Desportos e até da
Cultura, sem nada de concreto. Está claro que o apelo da
cultura não sensibiliza a atual administração federal.
Basta observar que a poucos metros do prédio federal
está o antigo Quartel General do Exército, que desde
1987 dá lugar ao Memorial Câmara Cascudo. Mais à frente,
o Palácio do Governo do Estado, há dez anos transformado
em Palácio da Cultura, de onde pode ser vista também a
pouca distância, a Capitania das Artes, instituição
cultural do âmbito da administração municipal
funcionando desde 1992 onde antes era a Capitania dos
Portos. Vê-se, assim, que duas antigas instalações
militares - o QG do Exército e a Capitania, da Marinha -
deram lugar a entidades culturais do Estado e do
município, enquanto uma antiga Escola enfrenta
resistência diante da possibilidade de se transformar na
primeira e única instituição cultural em nível federal
de grande porte no centro da capital.
Nesse episódio – ainda não pode se
chamar sequer de debate – apenas um segmento, o
Movimento em Defesa da Arte e da Cultura no Rio Grande
do Norte - Liceu das Artes tem buscado dar transparência
aos seus objetivos que é o de suprir uma demanda
crescente em busca de espaços para a realização de
atividades culturais e contribuir para a revitalização
do centro da cidade. O lado contrário está resumido a
uma votação do Conselho Superior de Administração da
UFRN e uma nota informando o resultado e a constituição
de uma comissão. Mesmo assim, aberta a possibilidade da
discussão que o lado contrário também se manifeste e
todos possam formar melhor juízo em torno da questão.
O Movimento pelo Liceu das Artes,
nascido no âmbito da UFRN, encabeçado pelos professores
Lúcio Flávio Moreira, Willington Germano e Ótom Anselmo,
teve o mérito de alertar e mostrar alternativa para o
prédio histórico e abandonado. Se na votação interna o
placar no Consad foi 10 votos a nove, a inversão está
ocorrendo em nível de opinião pública que só acompanha
um lado da questão – o que defende o Liceu das Artes.
Seria bom que a sociedade, especialmente os mais
diretamente interessados, pudesse ouvir ou ler posições
contrárias, contribuindo para enriquecer o debate. O
certo é que todos – aí é consenso – concordam que o
prédio deve ser restaurado. Que haja debate. É bom, mas
tem que ser rápido. Enquanto o prédio ainda está de pé.
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