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Feliz Natal! Esta frase
está sendo pronunciada neste exato momento por milhares
de pessoas no mundo inteiro e é natural que o leitor
possa até mesmo parar agora esta leitura para dirigi-la
ou recebê-la de alguém, lembrar-se do cartão que ainda
pode enviar ou do e-mail que não agradeceu. É uma tarde
e começo de noite com as ruas registrando o maior
movimento do ano, o comércio em geral abarrotado e
comemorando o bom incremento nas vendas que deverão se
prolongar ainda por mais uma semana. A distância entre a
frase e o complemento, mostra que é bem mais cômodo para
o autor a linha do registro factual que a do significado
místico do Natal.
É que apesar da frase, hoje
pronunciada naturalmente em toda parte, cada um tem a
sua visão bem própria do Natal. Se perguntarmos ao
prefeito Carlos Eduardo como está vendo esta data, ele
vai discorrer sobre a iluminação da cidade – a melhor já
vista nesse período, reconheça-se - e a extensa
programação iniciada há um mês para marcar o “Natal
em Natal. O Natal do Brasil”. Já o
comerciante – que por cima ainda festeja o fim da CPMF -
não tem do que reclamar. Comemora e ainda faz justiça
homenageando os senadores José Agripino, Rosalba
Ciarlini e o deputado federal Felipe Maia. O empregado,
muitos deles abraçados à tradicional cesta natalina,
também festeja. Para a criança, o Natal é a chegada do
Papai Noel e para o católico, é o nascimento de Cristo e
da própria religião, já para outros se transforma num
debate que ocuparia algumas páginas.
Para os psicanalistas, o Natal
significa uma trégua nos conflitos familiares, um
momento de relaxamento e paz. Muita gente usa a reunião
natalina para discutir velhos problemas ou mesmo passar
a limpo uma mágoa que não foi resolvida. Há pessoas que
sofrem de distúrbios graves de humor porque revivem
emoções antigas o que precipita situações que fazem do
Natal uma festa estressante. Ficam de mau humor, odeiam
a festa, reclamam de tudo. A recomendação dos
especialistas é que não se vá à festa com a memória do
Natal passado ou os que foram negativos. Outros, pela
facilidade e a seqüência de eventos com a presença de
bebidas alcoólicas, exageram e muitas vezes - bêbados e
inconseqüentes - estragam a comemoração.
É por isso mesmo que se deve meditar
sobre o verdadeiro significado do Natal. Uns acham que
Natal é a expressão da caridade, pois quem vive sem
caridade desconhece o encanto do mar que incessantemente
acaricia a praia, num vai-e-vem constante. Outros, de
fraternidade, pois a vida sem fraternidade é um rio sem
leito, uma noite sem luar, uma criança sem sorriso, uma
estrela sem luz. Há os que preferem união: A vida sem
união é como um barco rachado, um pássaro de asas
quebradas, um navegante perdido no oceano sem fim.
Ainda, o amor: A vida sem amor é desabilitada para a
paz, porque em sua intimidade não sopra a brisa suave do
amanhecer, nem se percebe o cenário multicolorido do
crepúsculo. E, afinal, a paz. Viver sem a paz é como
navegar sem bússola em noite escura. É desconhecer os
caminhos que enaltecem a alma e dão sentido à vida.
Hoje, véspera de Natal, vale à pena
refletir em torno desta mensagem que recebi, embora de
autor desconhecido: É bom quando chega o Natal a este
mundo que enfeita vitrines e se curva reverente ante o
"deus capital". Ou a este mundo que é cruel o ano
inteiro, que mostra a violência em todos os canais,
espalhando notícias de medo e multiplicando mãos sujas
de sangue. É bom quando chega o Natal, porque o Natal é
Deus resistindo e insistindo em convencer todas as
pessoas a trocar a crueldade pela fraternidade, o ódio
pelo amor, a violência pela paz, a exclusão pela
acolhida, a dúvida pela fé, a ofensa pelo perdão, a
tristeza pela alegria, o indiferentismo pela
solidariedade, o egoísmo pela partilha, a morte pela
vida.
É bom quando chega o Natal. A gente
sente bem mais forte que é a hora de sonhar de novo, que
este mundo pode mudar, para ser do jeito que Deus
desejou. Sinal do seu Reino entre nós. É bom quando
chega o Natal, data do aniversário de Jesus Cristo. E –
dizemos nós - da cidade do Natal, também simbolizada
pelos Reis Magos – Baltazar, Gaspar e Belchior – os
primeiros comunicadores sociais do mundo. É nesse
contexto que a pequena frase foi proferida no mundo
inteiro milhares de vezes, durante esta sua leitura, mas
somente nós temos o privilégio de desejar um Feliz
Natal em Natal. Há 408 anos.
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