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Sob todos os sentidos, o último dia
do ano pode muito bem ser comparado a uma reta de
chegada, a da corrida de São Silvestre por exemplo. A
penúltima sinalização é o Natal. As comemorações de Ano
Novo ocorrem no mesmo clima festivo. Nunca se ouve tanto
o desejo de felicidades, melhores dias, saúde, vitória.
Das intenções para a prática, não foi o que se viu no
final de semana nas rodovias brasileiras, considerado o
mais sangrento dos últimos 20 anos pela Polícia
Rodoviária Federal. Os números superam os do carnaval,
tradicionalmente o feriado mais violento por causa dos
excessos, inclusive de bebidas alcoólicas.
Mas, enquanto se buscam as causas,
que vão da elevação da frota brasileira, passando pelo
aumento na circulação de veículos nas estradas por conta
dos reflexos da crise aérea, chuvas em algumas regiões
do país, conclui-se que o principal fator foi a
imprudência ao volante. Para chegar a essa conclusão, os
patrulheiros anotaram que 80,75% dos acidentes acontecem
em trechos com pista boa; 71,4% nas retas; 53,6% em
plena luz do dia e 63% com tempo bom.
Dos 94.804 veículos fiscalizados,
1.141 ficaram retidos nos postos de policiamento, sendo
que 147 deles porque os motoristas dirigiam embriagados.
Esse número insignificante, embora representasse 107% a
mais do que no ano passado, está levando muitos a
levarem na brincadeira algumas estatísticas e fazerem
provocações pela Internet: Se 23% dos acidentes de
trânsito são provocados por motoristas alcoolizados,
significa que 77% são provocados por motoristas sóbrios.
O humor negro termina com a pergunta: “Então, porque é
que se diz que dirigir alcoolizado é mais perigoso?”.
O Ministério da Saúde nem os
responsáveis pelo trânsito acham graça nenhuma nessa
provocação e respondem com outros números, indicando que
pelo menos metade dos envolvidos em acidentes de
trânsito abusou no uso de álcool. Cita uma pesquisa da
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia deste
ano de 2007. Revelou que 64% dos jovens universitários
de
18 a
30 anos do Rio e São Paulo declararam já ter dirigido
depois de beber.
Outra resposta talvez já esteja sendo
dada nas rodovias brasileiras. Na reta de chegada de
2008 e olhando a semana passada pelo retrovisor, é
possível que depois de amanhã, esses números possam ter
sido revertidos. Nos ajustes para este réveillon, a
fiscalização nas rodovias aposta nos radares e 900
etilômetros (considerados mais eficientes do que os
bafômetros), pois acredita que quando os apelos por
cautela no trânsito parecem não funcionar, espera-se que
o valor das multas seja um fator inibidor. Na BR-101, em
frente ao Centro Administrativo, até mesmo o painel
luminoso da Polícia Rodoviária Federal teve substituída,
discretamente, a mensagem de Feliz 2008 que apresentava
uma garrafa sendo destampada por outra animação mais
sóbria.
Ainda nessa linha, uma providência
relacionada à comercialização de bebidas, foi anunciada
em Natal pelo presidente do Senado, Garibaldi Filho
(PMDB-RN). Ele quer aumentar impostos sobre bebidas
alcoólicas para tentar frear o consumo e contribuir para
a diminuição de acidentes. E o Ministério da Saúde
lançou campanha educativa e um dos slogans é “Não
esqueça que você faz falta para a sua família. Se beber,
não dirija”. Ou ainda: “Não esqueça que você faz falta
para seus amigos. Não exagere na bebida”.
Se nenhuma das mensagens atingirem o
objetivo, pelo menos uma dezena de outras estão sendo
sugeridas ao Governo para determinar a colocação de
avisos nos rótulos das garrafas de bebidas alcoólicas, a
exemplo do que já acontece com o cigarro. Antes mesmo
que isso ocorra, algumas frases podem começar a ser
divulgadas entre amigos nesta reta de chegada de 2008.
Servem de alerta e reflexão para que todos possam chegar
em paz e dando adeus apenas ao Ano Velho.
O Ministério da Saúde adverte:
O consumo de álcool pode fazer você pensar que está
sussurrando, quando na verdade está gritando; pode fazer
você falar demais e achar que está agradando, quando na
verdade não está. O consumo de álcool é a maior causa de
fazer você dançar como um idiota; pode fazer você contar
a mesma estória chata várias vezes, até que seus amigos
achatem sua cara; acreditar que ex-namoradas (os) estão
realmente “a fim” de receber um telefonema seu às 4
horas da madrugada ou você achar que as pessoas estão
rindo “com” você e não “de” você”.
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