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Um problema que assusta a todos,
independente de posição social, ocupa neste início de
ano as manchetes de primeira página dos jornais e os
destaques de rádio e televisão: a insegurança, sem a
distinção entre urbana e rural como se fazia há pouco
tempo. Agora é generalizada e quase no limite do
salve-se quem puder. Hoje, em Natal, contam-se nos
dedos as pessoas que não foram ou não tiveram algum
parente, amigo ou conhecido vítima de algum tipo de
violência. Convive-se com ameaças e agressões constantes
à vida. Virou rotina o noticiário sobre os mais
diferentes delitos envolvendo pessoas de todas as idades
e segmentos da sociedade.
Sem que haja necessidade de se
nomear, pois são fatos bem recentes e estão na memória
de todos, jovens executados quase diariamente por
envolvimento com drogas; médico alvo de seqüestro
relâmpago; magistrado com o carro levado por marginais;
pastor evangélico flagrado em atentado violento ao
pudor; anciã no tráfico de drogas; assaltos que antes
ocorriam em indefesos mercadinhos agora nos grandes
estabelecimentos protegidos por sistemas privados de
segurança. Pessoas assustadas ao saírem de bancos e até
mesmo em andar nas ruas, onde bandidos encontraram no
uso de motos e bicicletas um novo modus operandi
para os assaltos que hoje ocupam 90% dos registros das
delegacias policiais.
A imprensa cumpre o seu papel ao
mostrar os acontecimentos, muitas das vezes de alertar e
até cobrar mais ação das autoridades ditas competentes.
Por sua parte, estas se armam de desculpas, pretextos,
argumentos que dão cores mais fortes ainda ao quadro de
impunidade. Exemplo disso são números levantados pela
Delegacia Geral de Polícia Civil - Degepol. Das 1.892
pessoas acusadas de crimes e presas em 2007, apenas 525
permanecem atrás das grades. É a impunidade amparada nas
brechas da Lei que provoca frustração, primeiro nos
policiais que arriscam a vida para deter um preso e em
pouco tempo presenciam a sua soltura. Depois na
sociedade que anda nas ruas e trabalha assustada e faz
das residências mini-presídios.
Serve este preâmbulo para mostrar o
acerto da Igreja católica em escolher para a Campanha da
Fraternidade de 2008 o tema “Fraternidade e defesa da
vida” e o lema “Escolhe, pois, a vida”. A campanha, a
ser lançada logo após o carnaval que este ano será
realizado nos primeiros dias de fevereiro, deverá
assumir importância ainda maior, tendo em vista as
constantes ameaças e agressões à vida, “o bem mais
importante e precioso sobre a face da terra”, justifica
o secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil - CNBB, Dom Odilo Scherer, argumentando que “não
criamos a vida, mas temos o tremendo poder de
destruí-la”.
Criada em 1962 sob a inspiração e a
liderança de Dom Eugênio de Araújo Sales, então
Administrador Apostólico de Natal, a Campanha foi
ganhando dimensão a partir de 1965 quando a CNBB assumiu
a sua estruturação e desde 1970 ganhou um apoio
especial: a mensagem do Papa em rádio e televisão na sua
abertura, quarta-feira de cinzas. O tema “Fraternidade e
Defesa da Vida” pretende fazer perguntas como esta: “Que
tipo de mundo e ambiente estamos preparando para as
novas gerações que virão depois de nós? E a Igreja
lembra que muitas formas de agressão ao ambiente, bem
como a interferência leviana na natureza dos organismos
vivos, coloca em sério risco a existência de muitos
seres vegetais ou animais.
A CNBB conclui que Deus é o doador e
conservador da vida, mas exige de todos nós compromisso
com a vida e maturidade diante dela. O Deus da história
não quer que sejamos passivos diante das diferentes
ameaças à vida, mas sim que, como protagonistas do
momento histórico em que vivemos, sejamos capazes de
construir novas relações fundamentadas nos valores que
defendem e promovem a vida em geral e a vida humana
em especial. Para encontrar o lema -
Escolhe, pois, a vida – a CNBB foi buscar na Bíblia,
através de uma narração do profeta Isaías, ao afirmar
que Deus combate a injustiça e a violência e recompensa
quem busca o bem.
Agora, é bom refletir o que já era o
bem naquele tempo: “Aquele que caminha na justiça e só
fala a verdade, que se recusa a ficar rico com a
exploração, que esconde a mão para não aceitar suborno,
que tapa os ouvidos para não ouvir proposta assassina,
que fecha os olhos para não apoiar a injustiça”. Assim,
a gente fica sabendo que essas coisas vêm desde
antigamente.
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