OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

CAMPANHA 2008

            Wellington Medeiros*

 

Um problema que assusta a todos, independente de posição social, ocupa neste início de ano as manchetes de primeira página dos jornais e os destaques de rádio e televisão: a insegurança, sem a distinção entre urbana e rural como se fazia há pouco tempo. Agora é generalizada e quase no limite do salve-se quem puder. Hoje, em Natal, contam-se nos dedos as pessoas que não foram ou não tiveram algum parente, amigo ou conhecido vítima de algum tipo de violência. Convive-se com ameaças e agressões constantes à vida. Virou rotina o noticiário sobre os mais diferentes delitos envolvendo pessoas de todas as idades e segmentos da sociedade.

Sem que haja necessidade de se nomear, pois são fatos bem recentes e estão na memória de todos, jovens executados quase diariamente por envolvimento com drogas; médico alvo de seqüestro relâmpago; magistrado com o carro levado por marginais; pastor evangélico flagrado em atentado violento ao pudor; anciã no tráfico de drogas; assaltos que antes ocorriam em indefesos mercadinhos agora nos grandes estabelecimentos protegidos por sistemas privados de segurança. Pessoas assustadas ao saírem de bancos e até mesmo em andar nas ruas, onde bandidos encontraram no uso de motos e bicicletas um novo modus operandi  para os assaltos que hoje ocupam 90% dos registros das delegacias policiais.

A imprensa cumpre o seu papel ao mostrar os acontecimentos, muitas das vezes de alertar e até cobrar mais ação das autoridades ditas competentes. Por sua parte, estas se armam de desculpas, pretextos, argumentos que dão cores mais fortes ainda ao quadro de impunidade. Exemplo disso são números levantados pela Delegacia Geral de Polícia Civil - Degepol. Das 1.892 pessoas acusadas de crimes e presas em 2007, apenas 525 permanecem atrás das grades. É a impunidade amparada nas brechas da Lei que provoca frustração, primeiro nos policiais que arriscam a vida para deter um preso e em pouco tempo presenciam a sua soltura. Depois na sociedade que anda nas ruas e trabalha assustada e faz das residências mini-presídios.

Serve este preâmbulo para mostrar o acerto da Igreja católica em escolher para a Campanha da Fraternidade de 2008 o tema “Fraternidade e defesa da vida” e o lema “Escolhe, pois, a vida”. A campanha, a ser lançada logo após o carnaval que este ano será realizado nos primeiros dias de fevereiro, deverá assumir importância ainda maior, tendo em vista as constantes ameaças e agressões à vida, “o bem mais importante e precioso sobre a face da terra”, justifica o secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, Dom Odilo Scherer, argumentando que “não criamos a vida, mas temos o tremendo poder de destruí-la”.

Criada em 1962 sob a inspiração e a liderança de Dom Eugênio de Araújo Sales, então Administrador Apostólico de Natal, a Campanha foi ganhando dimensão a partir de 1965 quando a CNBB assumiu a sua estruturação e desde 1970 ganhou um apoio especial: a mensagem do Papa em rádio e televisão na sua abertura, quarta-feira de cinzas. O tema “Fraternidade e Defesa da Vida” pretende fazer perguntas como esta: “Que tipo de mundo e ambiente estamos preparando para as novas gerações que virão depois de nós? E a Igreja lembra que muitas formas de agressão ao ambiente, bem como a interferência leviana na natureza dos organismos vivos, coloca em  sério risco a existência de muitos seres vegetais ou animais.

A CNBB conclui que Deus é o doador e conservador da vida, mas exige de todos nós compromisso com a vida e maturidade diante dela. O Deus da história não quer que sejamos passivos diante das diferentes ameaças à vida, mas sim que, como protagonistas do momento histórico em que vivemos, sejamos capazes de construir novas relações fundamentadas nos valores que defendem e promovem a vida em geral e a vida humana em especial. Para encontrar o lema - Escolhe, pois, a vida – a CNBB foi buscar na Bíblia, através de uma narração do profeta Isaías, ao afirmar que Deus combate a injustiça e a violência e recompensa quem busca o bem.

Agora, é bom refletir o que já era o bem naquele tempo: “Aquele que caminha na justiça e só fala a verdade, que se recusa a ficar rico com a exploração, que esconde a mão para não aceitar suborno, que tapa os ouvidos para não ouvir proposta assassina, que fecha os olhos para não apoiar a injustiça”. Assim, a gente fica sabendo que essas coisas vêm desde antigamente.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 14.01.2008

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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